segunda-feira, 31 de agosto de 2015

CAPÍTULO 6


 Não sei bem o que me fez acordar, se foi à luz vinda pela janela ou os barulhos na cozinha. Demorei a dormir na noite passada, passei horas encarando o teto no escuro, e quando consegui dormir, não consegui descansar. Segui para o banheiro e tomei um banho rápido, me enrolei em um robe grosso e macio e segui para cozinha. Zac virou ao ouvir um dos bancos do elegante balcão sendo arrastado.
Ele estava vestindo jeans e uma camiseta branca. Ele sabia mesmo se vestir como uma pessoa normal. Era encorajador. Só queria que isso não tivesse me dado água na boca. Talvez eu só estivesse com fome.

- Bom dia - ele falou, sorrindo para mim. Os olhos dele subiram e desceram algumas vezes, como se ele não esperasse que eu fosse tomar café da manhã de roupão. Mas e daí, nós iríamos nos casar logo, certo?
- Oi! - respondi. - Gostei da sua... Camiseta. - Quase falei “calças.” Estava claro que eu só precisava ficar de boca fechada.
- Obrigado- ele disse, agradecendo gentilmente – Como gosta dos seus ovos?
- Ao ponto, eu acho.

Não conseguia lembrar-me da última vez que comi ovos que não fui eu mesma que fiz. Ele acabou fazendo-os justamente como eu gostava – nem tão duro nem tão mole. Enquanto eu passava a torrada na gema, fiquei olhando-o comer a fritada que tinha feito para ele mesmo. Havia um verdadeiro arco-íris de verduras picadas no meio, quase mais do que a quantidade de ovos. Sem torrada. Então era assim que ele mantinha a forma. Por alguma razão, sempre o imaginei como uma daquelas pessoas que pode comer absolutamente qualquer coisa e nunca ganhar sequer um grama. Era reconfortante saber que ele tinha um lado humano, afinal de contas.
Após o café da manhã, vesti-me com roupas casuais que ele havia escolhido para mim e nos acomodamos na sala. Zac pegou um pequeno bloquinho e uma caneta.

- Precisamos acertar a história do nosso relacionamento - ele disse. -Já que vamos morar juntos, e fingir ser um casal devemos conseguir dar respostas verdadeiras para a maioria das perguntas. Mas haverá perguntas sobre o começo do nosso relacionamento, sobre coisas muito pessoais que podemos não saber um sobre o outro. Será o tipo de pergunta difícil de fingir. Na hora da entrevista, se eles lhe fizerem uma pergunta difícil sobre algo que não nos preparamos, diga simplesmente que não sabe ou que não consegue se lembrar dos detalhes do que eles estão perguntando. Nunca tente adivinhar ou inventar uma resposta.

Fiz que sim. Só de pensar sobre a entrevista já estava ficando nervosa, mesmo que ainda faltasse alguns meses para ela acontecer.

- Você provavelmente terá que descrever as características, a planta e a decoração deste lugar. Mas isso não deve ser tão difícil após um tempo. Quando se trata deste tipo de perguntas, certifique-se de ser precisa, mas não detalhista demais, para não parecer uma coisa ensaiada.
- Jesus - falei mais para mim mesma do que para ele, que me olhou, um pouco assustado.
- Você não está querendo desistir, está?
- Não, não. - Disse, mexendo na barra da minha camiseta nova. - É só que... É muita coisa, só isso.
- Você vai se sair bem. - Ele tocou no meu ombro, deixando a mão lá por um momento e então a tirou abruptamente. Sua atenção voltou para o bloquinho. - Sua data de nascimento... 14 de dezembro de 1988. Certo? - Fiz que sim. - A minha é 18 de outubro de 1987. Decore. - Ele virou a página. - Quais foram as primeiras coisas que conversamos, quando nosso relacionamento ficou mais pessoal? O que tínhamos em comum?
- Você está pedindo para eu inventor algo agora? – Perguntei com as sobrancelhas erguidas.
- Se discutirmos essas coisas, é mais provável que nos lembremos delas depois.
- Tudo bem, então... Filmes do Woody Allen? - Ele piscou...
- O quê?
- Era isso que tínhamos em comum. Nós dois gostávamos dos filmes do Woody Allen e começamos a conversar sobre isso. - Ele franziu um pouco a testa. Suspirei. - Tudo bem, qual é sua ideia, então?
- Não sei.
- Mas você não gostou da minha.
- É que... Parece inventada.
- Essas são palavras muito críticas vindas de alguém que não tem nenhuma ideia. – eu o encarei.
- Está bem. - Ele rabiscou no bloquinho. - Vamos deixar como uma resposta temporária e podemos revisar depois se pensarmos em algo melhor.
- Não acho que seja uma boa ideia. Se ficarmos mudando as coisas, vamos acabar nos confundindo. Precisamos escolher alguma coisa e mantê-la. Você não acha? - Ele bufou.
- Tá bom. Nós dois gostávamos do Woody Allen. E nosso primeiro encontro? Você consegue descrevê-lo?
- Na vida real, ou vamos inventar uma realidade alternativa para isso também?
- Na vida real. Todo mundo sabe que você trabalha para mim, então obviamente foi assim que nos conhecemos. - Cruzei os braços, pensando.
- Não tenho certeza que nós de fato nos ‘conhecemos’.  Eu o via, mas não sei se alguma vez fomos formalmente apresentados até você me chamar ao seu escritório para discutir sobre o projeto especial.
- Sobre isso. - Ele limpou a garganta. - Você descobriu depois que, na verdade, não havia nenhum projeto especial. Eu só a chamei ao meu escritório porque queria falar com você. Apaixonei-me à distância. Queria uma desculpa para conversarmos e conhecê-la melhor. Ou algo assim. Foi quando descobrimos que nós dois gostávamos do Woody Allen. Nos próximos dias, continuei chamando-a ao meu escritório para mais ‘reuniões’. As coisas tornaram-se... Físicas, muito rapidamente. Mantivemos segredo, por conta do conflito de interesses. Mas aí, eu finalmente decidi que não queria mais manter nosso amor escondido. Então a convidei para jantar comigo. Pouco tempo depois, você saiu do emprego e mudou-se para meu apartamento. - Ele olhou-me, sorrindo levemente. - Então, esta é a nossa história!
- Seu universo alternativo é muito agressivo - falei. - Será que eu poderia decidir alguma? - Ele pareceu um pouco ofendido.
- Claro - respondeu. - Que tipo de homem fictício você acha que eu sou? - Tive que rir.
- Está certo, tudo bem. E se me perguntarem se eu sabia sobre seu, seu problema?
- Claro que eu te contei, porque não queria que pensasse que eu somente iria casar com você por causa disso. Você primeiro ficou um pouco cética, claro, mas conforme o tempo foi passando, você percebeu que eu te amava de verdade.
- Muito comovente. Você acha que eles vão cair nessa?
- Não existe lei contra casar com alguém se você corre o risco de ser deportado. O que é ilegal é casar com alguém porque você corre o risco de ser deportado. Tudo bem eles suspeitarem que talvez apressássemos as coisas por causa da minha situação, contando que não possam provar que essa foi a única razão pela qual nos casamos.
- Isso parece muito suspeito, só pra você saber. Se trabalhasse para o INS, eu mesma levaria você para o seu país de origem.
- Aprecio muito seu voto de confiança – ele disse secamente, virando a página do bloquinho. – Mas como falei, tenho ajuda interna. Tenho que passar pelas formalidades, e não posso tropeçar enquanto faço isso. Eles ainda vão abrir uma exceção especial para mim. Normalmente, precisaria ter dois anos de casado antes de poder solicitar um visto permanente, mas eles reduziram para um só.
- Ainda bem - falei em voz alta, sem pensar. Ele levantou uma sobrancelha para mim.
- Sei que você não tem como saber disso, mas prometo que se casar comigo não vai ser um verdadeiro pesadelo. - Podia sentir meu rosto ficando muito vermelho.
- Eu sei - falei, rapidamente. - Não quis dizer isso, só que, você sabe, é um ano da minha vida. Isso é assustador o suficiente de se pensar.

- Relaxa. Estou só te provocando. - Ele olhou de volta para o bloquinho. - Precisamos escolher uma posição sexual favorita.


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Desculpa a demora! 
Espero que gostem do capítulo.
E obrigado pelos comentários ;)
- L

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

CAPÍTULO 5


Ele parou em frente ao restaurante. Respirei fundo, alisei o vestido na altura das coxas e saí do carro.
Eu precisava admitir que o restaurante era encantador. E eu nem tinha entrado ainda. Eles tinham uma varanda bem grande onde os casais sentavam-se em balanços e cadeiras de jardim, conversando, rindo e bebendo vinho. Um cordão de luzinhas brilhava como vaga-lumes por toda a borda do telhado. Ao lado, havia um jardim exuberante e, conforme me aproximei para poder ver melhor, Zac apareceu.

- Nessa! - ele disse, calorosamente, vindo até mim e pegando minha mão. Ele a segurou por um instante e tive a estranha sensação de que ele iria colocá-la em seus lábios. Em vez disso, ele simplesmente a apertou levemente antes de soltá-la. - A propósito, este vestido é estonteante.
- Oi - falei. – Este... este lugar é muito bonito.”
- É legalzinho, né?

Essa não era exatamente a palavra que eu escolheria para um lugar tão caro, mas eu apenas concordei e sorri. Havia uma mesa reservada para nós lá dentro, cercada por velas.

- Você parece surpresa - Zac disse sorrindo.
- Eu não esperava que fosse assim- falei. - Não sei o que eu estava esperando.
- Não suporto restaurantes abafados - ele disse. - Até onde eu sei, não adianta um lugar ser ‘bonito’ se você não se sentir confortável enquanto estiver lá.

Nossa reserva era para o menu degustação o que, na verdade, era um alívio. Pelo menos eu não teria que escolher o prato que me faria parecer que não pertencia aquele lugar. Mas conforme o tempo passou, eu ficava menos preocupada em parecer um peixe fora d’água. Enquanto o garçom tirava nosso terceiro conjunto de pratos, cada um com um minúsculo filé de costela Angus sobre uma camada de batatas assadas e cebolas marinadas em vinho tinto, eu já estava falando e rindo à vontade. Estava terminando minha segunda taça de vinho e começando a sentir a agradável sensação inebriante. Devagar, mas certamente, eu estava ficando menos atenta a todos na sala, exceto a mim e ao Zac.

- Você não precisava me trazer aqui, sabia? - ouvi-me falar sem pensar no meio de uma conversa que nada tinha a ver com isso. Zac apenas riu. Percebi que ele estava começando a se sentir da mesma forma; seus olhos estavam mais brilhantes. Mesmo na luz baixa, sua transformação de homem de negócios para apenas homem era bastante perceptível.
- Sabia - ele respondeu tranquilamente.
- Não, quero dizer... - inclinei-me sobre a mesa, diminuindo um pouco o tom de voz - Poderíamos apenas ter dito que saímos.
- Acredite em mim - Zac contestou com seu rosto ficando sério de novo. - Nos círculos que eu freqüento, é melhor ter algo para endossar o que você diz com o máximo de fatos possíveis. Sermos vistos juntos aqui esta noite, irá provar minha história. - Ele sorriu, repentinamente. - E vamos ser vistos nos divertindo bastante, concorda? - Fiz que sim, voltando à realidade com a súbita lembrança do real motivo pelo qual estávamos aqui.
- Desculpe - falei. - Eu não queria falar sobre isso agora. Eu só... Não quero me deixar levar.

Se ele pensou o que eu quis dizer com isso, não perguntou. Nem eu tinha certeza do que quis dizer com isso. Eu não tinha a intenção de deixar transparecer que eu já estava começando a perder o foco do nosso “relacionamento”. Tenho certeza que a última coisa que ele queria era que eu me apaixonasse de verdade por ele. Iria tornar tudo tão complicado. Por que minha mente sempre tinha que fazer coisas assim? Por que ela tinha que ser tão estúpida?

- Entendo - ele falou. - Se algum dia você tiver algum questionamento ou preocupação sobre como eu estou escolhendo lidar com tudo... Isso - ele fez um gesto vago - por favor, não hesite em me perguntar.
- Claro - respondi, pegando minha taça de vinho que já estava cheia novamente e tomando um gole generoso.

Zac recostou na cadeira, mudando sua expressão para de um homem que estava se divertindo muito em seu primeiro encontro. Até eu poderia acreditar por um momento. Mas é claro estava fingindo.
Estávamos na sobremesa e eu mal podia sentir o gosto do pequeno tiramisu reinventado que enfiava na boca. Tudo o que eu podia fazer a essa altura era rezar para que as coisas ficassem menos estranhas conforme passássemos mais tempo juntos. Ou não. Eu conseguiria aguentar um ano de estranheza por dois milhões de dólares, não conseguiria? Poxa, eu tenho agüentado uma vida toda de estranheza por conta própria. E não tinha ninguém a quem culpar por isso a não ser eu mesma.

- Então, Nessa - Zac falou - O que você fazia da vida antes de ir trabalhar para mim?

Suas palavras estavam carregadas de significado. Era assim que ele falava com as pessoas que estava tentando seduzir de verdade? Será que ele não pensou que enquanto a parte sensata da minha mente entendia que ele estava fingindo, ele ainda iria fazer meus hormônios enlouquecerem? Ele falava exatamente como no meu sonho. Eu tinha que esquecer aquela porra de sonho. Limpei a garganta, tentando ignorar o som do meu coração palpitante em minhas orelhas.

- Era vendedora - disse, simplesmente. - E fiz faculdade antes disso.
- Onde você estudou?
- No Instituto, no centro.
- Fez design gráfico? - Fiz que sim com a cabeça.
- Você é muito talentosa, sabia? - ele falou. Olhei ao meu redor, como se ele pudesse estar falando com outra pessoa.
- Obrigada - respondi. Minha voz parecia muito distante. Peguei meu copo d’água. O gelo já tinha derretido, fazendo o nível de água subir o suficiente para derramar um pouco em mim quando tomei um gole. Resmunguei, procurando um guardanapo para enxugar-me. Era isso mesmo o que eu tinha feito. Consegui virar uma bêbada descoordenada em meu primeiro encontro com um bilionário. Ótimo trabalho, Nessa! Zac riu, com os olhos brilhando.
- Acho que já chega de vinho por hoje - disse. - Gostaria de tomar um café?
- Café não te deixa sóbrio - murmurei. - É um mito.
- Eu sei - ele disse. - Mas você quer mesmo assim?
- Tudo bem. - Procurei sentar com uma postura mais apropriada na cadeira. - Posso lhe fazer algumas perguntas, Zac?
- Qualquer uma. – ele sorriu.
- Todo mundo diz que você é bilionário, é verdade? - Seus olhos examinaram a mesa. Ele parecia um pouco desconfortável, mas acho que eu estava enganada quanto a isso.
- Acho que sim - ele falou. - Não sou o Bill Gates ou coisa do tipo.
- Não - respondi incapaz de conter o sorriso torto que se abria em meu rosto. - Claro que não é.
Ele me olhou e retribuiu o sorriso, um pouco... Tímido?
- Eu vivo confortavelmente - ele disse. - Nunca tentei esconder isso.
- Desculpe! - Eu sabia que não era educado perguntar às pessoas sobre dinheiro. Mas não importa quanto dinheiro o cara tivesse, ele provavelmente não queria sentir-se como se estivesse sendo observado em um zoológico. Percebi que estava ficando vermelha.
- Tudo bem. Posso entender a curiosidade. E eu tinha falado que você poderia perguntar qualquer coisa. Na verdade, nem mesmo sei quanto dinheiro eu tenho no momento. Parece assustador, não? - Ele riu um pouco - Mas eu não sinto como se fosse meu de verdade. A maioria veio de investimentos que meu pai fez para mim quando eu era adolescente. Você deve estar quase morrendo de rir de mim.
- Desculpe - falei. Eu estava rindo entre os dentes. - É só que o fato de você poder ter todo este dinheiro e nem por as mãos nele. Não consigo nem imaginar, sabe?
- Sei. Acredite ou não, não fui sempre assim.  - ele bebeu um gole d’água e algo em seu rosto me disse que era o fim da conversa, por enquanto. Baixei a voz.
- Seus pais sabem sobre seu... Plano? - Ele hesitou por um momento.
- Eles já faleceram - ele respondeu, finalmente, olhando para mim.
- Sinto muito. - Ele deu de ombros.
- Quanto menos pessoas souberem, melhor. Podemos falar sobre isso depois, se quiser. Prefiro não continuar essa conversa em público.
- Claro.

Bem, tudo estava às mil maravilhas. Se isso fosse um primeiro encontro de verdade, eu teria estragado tudo. Inclinei-me para a mesa, olhando para a xícara fumegante de café gourmet orgânico torrado livre de impostos que eu não tinha nem tocado. Zac acenava para o garçom, pedindo a conta. Após ele tê-la assinado com sua caneta elegante, tirada de um bolso interno de seu blazer, ele se inclinou sobre a mesa de novo e falou murmurando suavemente.

- Acho melhor irmos embora no mesmo carro. E gostaria muito que você fosse para casa comigo e passasse a noite lá. - senti um nó na garganta.
- Tão cedo?
- Bom, a esta altura, a gente já está tendo um caso há algumas semanas. Faria sentido se você fosse pra casa comigo depois do nosso ‘primeiro encontro’, até porque nem chega a ser nosso primeiro encontro.
- Tá bom - concordei.
- Você pode ficar em seu próprio quarto. – ele sussurrou e sorriu. - Com a porta trancada. Não pretendo aproveitar-me de você. Nesse momento, todos aqui estão pensando que estou falando sobre todas as safadezas que vou fazer com você quando formos embora. Sorria para mim. - sorri, mesmo com um arrepio tomando subindo por toda minha pele.
- Espero que a mente deles seja suja o suficiente para colocar as palavras certas na minha boca - falei, alisando devagar a perna dele com o dedo do pé por baixo da barra de sua calça. Foi a primeira vez que nos tocamos, além dos apertos de mãos. Podia sentir ele me olhando – e os olhares de alguns outros clientes também – mas recusei olhar para cima, em vez disso, colocando um pouco de creme no meu café, mexendo-o, e levando a colher à boca. Deslizei-a para dentro e a lambi até deixá-la limpa, com um gesto exagerado. Seria algo engraçado sob circunstâncias normais, mas espero que o álcool e a atmosfera estivessem ao meu favor. Se eu pudesse deixar o Zac desconfortável ao menos a metade do que ele me estava deixando, então eu ganharia.
Claro, o tiro estava terrivelmente saindo pela culatra. Eu não sabia dizer se o olhar dele era totalmente uma atuação ou não, mas eu estava toda arrepiada. Mesmo com minha meia-calça e o tecido da meia dele, eu podia sentir o calor da sua pele em meu pé. De repente, minha boca ficou muito seca. À luz baixa, seus olhos pareciam escuros. Era impossível dizer se suas pupilas tinham mesmo ficado maiores, ou se, talvez, outra coisa estivesse crescendo. Não, não, não. Sai dessa, Nessa!
Afastei o pé abruptamente, limpando a garganta e ajeitando-me na cadeira. O encanto foi quebrado.
O carro chegou alguns minutos depois, e deixei que ele me levantasse e me guiasse até lá fora, com sua mão na minha cintura. Sim. Lá estava. E tão cedo, também. Mais tarde, nosso relacionamento seria descrito como “furacão”. Eu tinha certeza disso.

Ele tinha um apartamento no centro da cidade, em um daqueles arranha-céus com porteiro. Um porteiro de verdade. Olhei para ele e o cumprimentei, sorrindo e apoiando-me nos braços de Zac. Fingia estar um pouco mais bêbada do que realmente estava. O porteiro me cumprimentou e me deu um sorriso como se soubesse de algo. O tempo no elevador parece que demorou uma eternidade. Um silêncio pesado permeava o ar. Passei os dedos pelos cabelos, minha cabeça ainda tonta por causa do vinho e a emoção do fingimento. O porteiro pensou que fossemos um casal. Todos iriam pensar que éramos um casal. Eu precisava admitir que havia certo prazer perverso nesta coisa toda.

- Qual é a graça?- Zac falou, e percebi que eu estava sorrindo como uma idiota.
- Não sei - respondi. - Tudo.

Ele pareceu um pouco incomodado quando finalmente saímos do elevador. Não sabia o que eu tinha dito ou feito para aborrecê-lo. Poderia também ter sido a combinação de todos os meus erros que foram se acumulando. E se ele estivesse arrependendo-se da decisão de me escolher? Esse pensamento deixou-me enjoada – por causa do dinheiro, tinha quase certeza. E, claro, porque eu nunca gostei de desapontar ninguém. Ele abriu a porta da frente e entramos.
A frente do apartamento parecia uma exibição de móveis. Meus sapatos faziam barulho nas madeiras polidas do assoalho enquanto eu caminhava pelo corredor, passando por uma mesa de madeira preta brilhante, com um vaso com flores em cima. Estava posicionada como se fosse um lugar para colocar as correspondências. Na sala havia dois sofás brancos impecáveis um de frente para o outro em cada extremidade de uma passadeira cinza que levava até uma lareira enorme. Tirei os sapatos e suspirei, resistindo ao desejo de massagear minhas têmporas.

- Volto em um instante - disse Zac, dirigindo-se até a escada que eu presumia levar até seu quarto. - Sinta-se em casa.

Desabei em um dos sofás, caindo de um jeito nada condizente com uma dama. O teto parecia estar a mil milhas de distância. Tremi um pouco, abraçando a mim mesma. Tetos excessivamente altos sempre me fizeram sentir frio, por alguma razão. Zac voltou descendo as escadas de dois em dois degraus, sem gravata, com a camisa para fora da calça e as mangas dobradas até os cotovelos.

- Você quer alguma coisa? - fiz que não.
- Acho que só quero ir para a cama. - ele hesitou por um momento.
- Claro. Amanhã, se você não tiver outros planos, esperava que pudesse ficar e ensaiar nossa história para as entrevistas com a INS.
- Claro - falei, levantando-me. - Onde é o quarto?
- Você pode escolher entre os dois quartos de hóspedes. Aqui, vou-lhe mostrar. -ele foi à minha frente pelo corredor do lado esquerdo da sala, abrindo a primeira porta que encontramos.  - Aqui é o banheiro. Deixei umas toalhas limpas. - foi até a próxima porta, abriu e acendeu a luz. – Este é o quarto de hóspedes principal. - dei uma espiada. Era tão estéril e desabitado como o resto do apartamento.
- Está certo - falei.
- E aqui está o outro. É um pouco menor, mas algumas pessoas o preferem. - Continuei seguindo-o pelo corredor. Pelo menos este parecia um pouco mais com um quarto normal. Era aconchegante, do tamanho certo.
- Este está bom.
- Achei mesmo que você fosse escolher este aqui. Tem roupas limpas no armário; Emma ajudou-me com isso.
- Obrigada - falei. Poderia jurar que meu cérebro estava dizendo aos meus pés para andar, entrar no quarto e fechar a porta. Mas eu continuei parada na porta, a poucos centímetros de Zac, super concentrada no som de sua respiração.
- Você fica realmente estonteante neste vestido - ele disse me encarando - Eu não falei só por falar.
Engoli seco antes de responder. - Não foi isso que você disse antes!
- Não foi?
- Não! Você disse que era um ‘vestido estonteante. ’
- Eu quis dizer que você está estonteante. O vestido é só um complemento.
Meus olhos olharam para o chão, instintivamente. Aceitar elogios graciosamente não estava entre meus talentos.
- É muito gentil de sua parte dizer isso. - murmurei.
- Olhe para mim - ele disse, com a voz suave e persuasiva. Eu olhei. Ele parecia estar esforçando-se para dizer algo, ou talvez se esforçando para não disser.
- Estou muito cansada. Podemos conversar amanhã, tudo bem?
- Sim - ele disse, por fim. - É claro. Desculpe. Boa noite, Nessa.

Ele retirou-se abruptamente, e sumiu num instante. Tranquei-me no quarto e desabei na cama, tentando não pensar muito sobre o que havia acabado de acontecer entre nós. Pela primeira vez, tinha certeza que havia visto a fachada de Zac quebrar-se. Tinha certeza que ele tinha uma atração verdadeira por mim, que ia além do que ele deveria demonstrar por conta do nosso “relacionamento.” Droga, talvez ele tivesse tido um sonho sexual comigo. Sentei-me, mordendo o lábio. Parecia piada, mas só de pensar que eu estava tão presente em seus pensamentos que ele não conseguia escapar de mim nem mesmo em seus sonhos. Um homem poderoso desamparado, contorcendo-se entre os lençóis, querendo-me, precisando de mim.
Não, não, não. Eu tinha que tirar isso da cabeça. Não eram fantasias inofensivas; não enquanto eu fosse morar com este homem e fingir ser sua esposa. Eu ia perder o foco do que estávamos realmente fazendo. Ia apaixonar-me por ele se não tomasse cuidado. Aí estava. Foi a primeira vez que realmente admiti para mim mesma, com estas palavras. Eu era tão patética assim, para apaixonar-me por um homem simplesmente porque ele estava fingindo de forma bem convincente estar namorando comigo? Tenho que admitir que ele era bom nisso. O vestido, o restaurante, o jeito como ele me olhava, como se eu fosse à única coisa no mundo que ele já quis. Era o suficiente para mexer com a cabeça de qualquer pessoa.
Tinha quase certeza de que tinha lido em algum lugar – ou talvez aprendido em alguma aula – sobre como uma grande porcentagem da afeição humana uns pelos outros é puramente relacionada à proximidade.


- Bom, eu estou ferrada! - falei alto no quarto vazio.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

CAPITULO 4

·         
A lembrança do sonho ainda estava viva em minha mente enquanto eu entrava no escritório. Mantive a cabeça baixa, indo até minha mesa antes que alguém tentasse puxar conversa comigo. E tomara a Deus que eu não encontre Zac. Mas, na verdade eu nunca tinha visto chegar ou ir embora.  Me entreguei ao trabalho.

- Nessa?!

Senti uma onda de calor em minha nuca ao ouvir sua voz. Virando devagar, encontrei seu olhar. Ele estava lá, como se fosse à coisa mais natural do mundo, com o braço apoiado em cima da divisória do cubículo.

- Bom dia, senhor. - Todos dos cubículos vizinhos viraram lentamente para nos olhar. Eu sabia que era exatamente isso que Zac queria, mas ainda assim não conseguia evitar ficar vermelha.
- Fico feliz em te ver aqui tão cedo - ele disse. - Tem planos pro almoço hoje? - fiz que não. – Excelente. Espero no meu escritório às onze e meia. Vou pedir pra entregar aqui. O que você quiser.
- Claro - respondi. - Até lá, então.
- Ótimo - ele balançou a cabeça, sorriu, e então foi embora.

Os olhos de todos o seguiram até que ele desaparecesse e então todos se voltaram para mim. Debrucei-me sobre o teclado, fingindo não sentir o olhar deles perfurando minhas costas. Agora eu tinha que passar todo o meu horário de almoço sentada do outro lado da mesa dele. Como eu evitaria ficar vermelha e dar risadinhas o tempo todo? Ou pior, como eu evitaria olhar para ele como se estivesse em estado de choque? Eu odiava ser reduzida a uma adolescente desmiolada por causa de um sonho bobo, mas parecia tão real.
As horas passaram voando e a hora temida chegou. Caminhei com passos lentos até a sala dele, que estava com a porta entre aberta, entrei e encontrei conversando com Monique.

- Srta Hudgens, já está pensando em pedir o nosso almoço. – ele disse a me ver – Que tal pedirmos no Vivian’s?
- Parece ótimo! – eu disse. Vivian’s era simplesmente a churrascaria mais cara da cidade.
- Monique eu vou querer o filé de 340 gramas com purê de batatas e aspargos grelhados. Quase ao ponto. E você, Srta. Hudgens?
- Na verdade, eu não sei o que eles têm. - Zac e Monique estavam olhando para mim na expectativa e senti como se, de alguma forma, eu estivesse sendo testada.
- Eles fazem qualquer coisa. Do que você gosta, bife? Frango? Frutos do mar? Acho que eu já provei tudo de lá pelo menos uma vez, posso te recomendar algo.
- Eu não sou exigente - respondi, com sinceridade. - Eu ia comer uma barrinha de cereal, praticamente qualquer coisa seria melhor que isso. - Zac riu, mas Monique lançou-me um olhar arrogante.
- Você prefere comer alguma coisa mais leve, então? - perguntou Zac. - Talvez uma salada? A salada Ceaser com camarão grelhado deles é excelente; o molho é uma receita especial da casa.
- Isso parece fantástico. - Monique saiu apressada da sala - Você sempre almoça no Vivian’s?
- Só algumas vezes por semana.- Ele estava sorrindo para mim, intencionalmente. - Eu te prometo que a minha vida não é tão estranha assim. Você vai se acostumar. O que me leva ao próximo assunto. Acho que a gente deve sair pra jantar como nosso primeiro encontro oficial o quanto antes. Tenho certeza que as fofocas no escritório vão começar logo.
- Minha colega de cubículo me perguntou ontem por que eu estava passando tanto tempo no seu escritório - informei, tentando não parecer agitada em meu assento. Mas não conseguia parar de olhar para os lábios dele, tentando lembrar se a imagem do meu sonho parecia com o real. Eu podia sentir um arrepio quente subindo pelo meu peito enquanto meus olhos viajavam pela superfície brilhante e polida da mesa, lembrando como eu a “senti” embaixo do meu corpo.
- Vai ser em algum lugar chique? - indaguei sem pensar, tentando interromper minha linha de pensamento extremamente perigosa. - Quero dizer, o jantar do encontro. Acho que eu não tenho nada pra vestir.
- Sim, eu já ia perguntar. - ele pegou a carteira e tirou um cartão de visitas de cor creme novinho - Se você for nessa butique vai ver que os funcionários são bastante prestativos. Eles têm meu cartão de crédito registrado. Vou ligar antes pra avisar que você vai. Pode comprar qualquer coisa que você gostar.
Olhei para o cartão. - Obrigada.

Ficamos jogando conversa fora, ou melhor, ele ficou. Falou desde o calor fora de estação, até um artigo no jornal que ele leu de manhã. Não imaginei que ele era tão falante, ou nunca o imaginei dessa forma tão informal. Monique voltou com nossa comida em tempo recorde. Zac estava certo. A salada estava deliciosa, mas eu quase não consegui sentir o gosto. Meus olhos continuavam voltando-se para sua boca, observando o jeito como fechava a cada mordida, o jeito como sua língua lambia os lábios para limpá-los. Tudo bem, eu tinha um problema sério nas mãos. Eu só podia esperar que ele fosse sumindo, uma vez que a memória do sonho desvanecesse. Porque, se isso fosse permanente, o próximo ano da minha vida seria uma forma mais elaborada de tortura.

Fui à butique no sábado, vestindo o jeans mais novo que eu tinha e uma blusa bonita e decente, sem uma única mancha. Ainda assim, no momento em que o sininho soou acima da minha cabeça, quando entrei pela porta, senti-me completamente deslocada. Eu deveria ter usado salto alto, ido ao cabeleireiro, ou algo assim. Uma das vendedoras veio até mim e senti que o sorriso dela foi meio forçado.

- Posso ajudá-la? - ela perguntou, olhando-me de cima a baixo.
- Preciso de um vestido - respondi. - Foi Zac Efron que me disse pra vir aqui, ele falou que...
- Ah, é claro.- A frieza dela quebrou-se instantaneamente. - Por aqui, Srta. Hudgens. É um prazer conhecê-la. Meu nome é Emma. Separei algumas peças pra você. Vamos ver o que você acha. O Sr. Efron não sabia qual era o seu tamanho, mas eu tenho certeza que a gente pode encontrar, caso você goste de alguma coisa.
- Pra ser bem sincera nem eu sei qual é o meu tamanho. - Olhei o que ela tinha escolhido para mim; havia um preto justinho e outro roxo bem escuro e mais alguns atrás que eu não conseguia ver.
- Tudo bem - ela disse. - Alguns desses devem servir direitinho em você, mas também podemos experimentar outros. Por que você não prova o preto primeiro?”

Tirei minhas roupas e o vesti por cima da cabeça, girando em frente ao espelho enquanto as dobras do tecido se ajustavam às curvas e contornos do meu corpo. Olhei para a Emma, pedindo uma opinião. Ela fez que não. Experimentei o roxo. Quase, mas ainda não havia ficado bom. Emma estava puxando a bainha. Ficou em lugar estranho, abaixo dos meus joelhos, o que estragava todo o estilo do vestido.

- Podemos fazer alguns ajustes - ela falou. - Mas vamos experimentar outra coisa. Acho que o Sr. Efron quer que você leve algo já pronto. Ele falou como se o tempo fosse um fator importante e tenho alguns clientes na sua frente para fazer alterações.

Concordei e ela ficou vasculhando as peças, até que puxou algo no tom mais escuro de azul que eu já tinha visto. Não sei explicar porque, mas algo naquela cor sempre fazia meu jovem coração inchar com sua beleza. Emma estava sorrindo.
Era leve e sedoso, vestindo-me como se fosse uma segunda pele, mas sem ficar muito apertado. Perdi até o fôlego quando vi meu reflexo no espelho. Quase que instintivamente, soltei o cabelo, deixando-o cair pelos meus ombros. Inclinei a cabeça. Agora sim eu parecia como alguém que pudesse estar com o Zac. O sorriso de Emma ficou mais largo, iluminando todo seu rosto com a satisfação de um trabalho bem feito. Senti algo arranhar minha axila e lembrei pela primeira vez que estes vestidos vinham com etiquetas de preço. Mas conforme eu levantei o braço e tentei pegar a etiqueta com a outra mão, Emma veio até mim e tirou minha mão.

- Desculpe, tenho instruções muito claras para não deixá-la ver o preço.
Olhei para ela. - Você está falando sério? - Ela sorriu.
- Venha. Vamos escolher alguns acessórios para você.

Meu telefone tocou assim que eu entrei pela porta do meu apartamento. Suspirando, deixei as compras no sofá e peguei o telefone na bolsa. Nome desconhecido, número desconhecido. Quase deixei cair na caixa postal, mas mudei e ideia no último minuto.

- Alô?
- Olá, Nessa. Tudo bem?
- Zac. - Parei no meio da sala, meu coração palpitando ao som da sua voz. Eu realmente estava esperando passar um fim de semana todo longe dele, evitando seu sorriso malicioso e seus olhos azuis penetrantes e todas as coisas que me faziam lembrar aquele bendito sonho. - Acabei de chegar da butique.
- Ah, a Emma te tratou bem?
- Sim, depois que eu falei seu nome. 
- Que bom. Sinto muito se ela foi fria com você no início. Eles tiveram problemas com ‘clientes’ que entravam sem ter a intenção de comprar nada, apenas para fazer um showzinho de moda para eles mesmos, armando, assim, uma enorme bagunça.
- Entendi. - Zac ficou quieto por um momento.
- Queria saber se você está livre para o jantar de hoje à noite? - ele disse, por fim.
- Mas já? Achei que você estava falando, semana que vem ou algo assim.
- Tenho pensado nisso e acho que seria melhor começar logo as coisas. Se você estiver livre, é claro.
- É claro.
- Vou mandar um carro para buscá-la às sete horas.
- Está bem - falei, desligando antes que ele pudesse despedir-se.

Mantive-me ocupada no apartamento pelo resto do dia, passando o aspirador e limpando os cantinhos que eu nem tinha tocado desde que me mudei. Meus olhos continuavam mirando a sacola da butique e não conseguia parar de pensar no que ela simbolizava. Anos de liberdade financeira. Mais dinheiro do que eu jamais havia sonhado. Um novo estilo de vida. Uma nova vida. Quando o carro chegou, eu estava esperando lá fora, segurando minha clutch preta e tentando não parecer estranha.

- Perdoe-me, senhora, mas você está adorável! - disse o motorista enquanto eu entrava no carro.
Tive que sorrir. – Obrigada! - respondi. - Vamos torcer para que o Zac concorde.
O motorista limpou a garganta e eu percebi que ele queria dizer algo.
- O que foi? - finalmente o incitei.
- Bom, eu não devia falar nada, mas... - Ele olhou nos meus olhos pelo retrovisor.  - Eu estava suspeitando que tinha algo entre vocês dois. - Estava suspeitando?  Senti um frio na espinha.
- Bom, você percebe bem as coisas - falei. - Aliás, aonde estamos indo?
- Ao restaurante do Hotel Grenarnia - ele respondeu. Senti vontade de gritar. Eu conhecia o lugar, eles já tinham sido destaque no jornal antes, com palavras de elogio pelos seus deliciosos cardápios de
$250 o prato. Como era possível que eu me comportasse naturalmente em um lugar como esse?
- Uau - consegui falar, depois do silêncio. - Que chique.
- Bom, o Zac é assim quando gosta mesmo de alguém. Não poupa gastos. Ele deve realmente querer impressioná-la.

Ou me intimidar. - Acho que sim - respondi.

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Um mega capítulo pra vocês!
Espero que gostem...
Próximo é outra mega capítulo, 5 páginas de word rsrsrs
5 coments pro próximo!

PS: Me perdoem se eu demorar pra postar ;) 

domingo, 16 de agosto de 2015

CAPÍTULO 3

· 
O Sr. Efron havia me dado o número de seu celular pessoal, o que acho que ele raramente passava para alguém. Quando cheguei a casa, peguei o papel amassado do meu bolso e disquei o número.

- Alô? - Sua voz estava profunda e suave.
- Alô, Sr. Efron? É... Hum... É a Vanessa Hudgens.
- Acho que talvez... Você deva se acostumar a me chamar de Zac.  
- Tudo bem, Zac. - falei. - Deixa o contrato pronto pra mim na segunda-feira.
- Claro - ele respondeu.
- Sei que é um acordo puramente verbal neste momento, mas você pode fazer uma coisa pra mim?
- Qualquer coisa.
- Vou precisar de uma carona pro trabalho - falei. - Meu carro quebrou e vai ficar na oficina por pelo menos uma semana.
- Claro. Vou mandar um carro buscar você na segunda-feira de manhã. E não se preocupe em pagar pelo conserto do carro, eu vou ver o que eu posso fazer. Você levou no Fellman’s?
- Como você sabe?
- Palpite de sorte. - eu podia ouvi-lo folheando alguns papéis. - Vejo você na segunda-feira, Vanessa.
- Tudo bem, até mais.

De fato, na segunda havia um carro, um carro de luxo estava lá às sete horas da manhã em ponto. Eu estava esperando na calçada, para não ser mal-educada e deixar o motorista esperando. Ele pareceu surpreso quando me viu.

- Bom dia - ele disse. - Eu ia chamá-la, não precisava ficar esperando.
- Ah, desculpa. - eu já estava estragando as coisas. - Eu não estou acostumada com... Essa coisa toda.
- Não, não, tudo bem - ele insistiu. - Só achei que deveria saber, pra amanhã.
- Amanhã? - Olhei para seu rosto refletido no retrovisor. - Eu só pedi carona pra hoje.
- O Sr. Efron disse que você vai precisar dos meus serviços até pelo menos sexta-feira – ele respondeu. - Não é isso?
- Ah... Está bem.

Esqueci completamente que iria precisar de carona o resto da semana. Zac já estava cumprindo com as minhas necessidades. Muito gentil da parte dele.
Rapidamente cheguei à agência, e segui para meu cubículo apenas para deixar meus pertences antes de seguir para o escritório dele. Mas quando me virei encontrei Megan, minha colega do cubículo.
               
- Pra onde você vai tão cedo? - ela perguntou.
- Ah, eu preciso falar com o Sr. Efron - respondi, tentando manter uma expressão neutra.
- Você ultimamente tem passado bastante tempo no escritório dele - observou Megan, com os olhos grudados na tela do computador.
- Até mais - falei enquanto me apressava, interpretando de forma convincente o papel de uma mulher constrangida por estar envolvendo-se com o chefe. E eu nem precisava fazer muito esforço.

Zac estava sorrindo quando entrei em seu escritório. Bem, isso no início. O advogado dele estava no canto, parecendo contrariado, como sempre. Eu não tinha dúvidas de que ele opunha-se a todas as partes deste plano, mas parecia que ele também teria algo a receber.

- Bom dia, Nessa. Por favor, sente-se - ele gesticulou para a cadeira em frente à mesa. Havia uma caneta-tinteiro bem bonita esperando por mim. Sentei-me e peguei-a. Poderia ser uma caneta de cinquenta ou de cinco mil dólares, qual era a diferença, na verdade?
- Você gostou? - Zac quis saber, percebendo que eu estava analisando a caneta. Olhei para ele surpresa.
- Ah, sim - respondi. - Eu... Gostei sim. - eu não pensando propriamente na caneta, mas é claro que era bonita.
- Fique com ela - ele falou. - É sua.
- Ah, não, eu não posso. Eu vou acabar perdendo.
- O que é meu é seu, Nessa. É melhor você se acostumar com a ideia.

Engoli em seco. Forcei-me a respirar fundo enquanto ele entregava diversos papéis para mim e apontava onde eu deveria assinar. Ele assinou em seguida, com uma letra elegante e bonita e entregou tudo para o advogado.

- Obrigado - ele disse me estendendo a minha mão. O que pareceu um gesto estranho, considerando a intimidade do nosso acordo, mas eu retribuí. - Você não vai se arrepender da sua decisão. Eu prometo.
- Isso é algo que você não pode prometer - respondi, sorrindo. - Mas não há de quê.
               
Não consegui fazer mais nada o resto do dia, pulando de projeto em projeto sem concluir nenhum. Vi que Megan percebeu.  Tentei imaginar seu sorriso quando a notícia do nosso relacionamento se espalhasse. Eu vou ter que aguentar as felicitações de todos do escritório, das quais pelo menos a metade, seria falsa. Todas as mulheres tinham no mínimo uma queda pelo Zac, mesmo que fosse só por causa de sua conta bancária. Ai, meu Deus, e se quisessem fazer uma festa de noivado? Não acho que conseguiria aguentar horas de olhares fulminantes encarando-me e seus rostos contorcendo-se em sorrisos forçados toda vez que eu olhasse para elas. Havia tanto sobre o acordo que eu ainda não tinha pensado. Como eu contaria para os meus pais? Eu iria contar para os meus pais? Suspirei.
Minha mente flutuava quando eu entrei no carro de luxo ao final do dia. Eu sabia que Zac iria ajudar-me a lidar com qualquer questão que surgisse. Ele estava bastante motivado para garantir o sucesso do nosso pequeno esquema. Mas, ainda assim, eu ficaria preocupada.
               
Estava no escritório de Zac, estávamos conversando sobre algo que nem se quer me lembro.  Mas de repente aconteceu uma mudança quase imperceptível na atmosfera do ambiente. Ele levantou-se e saiu de trás da mesa, vindo em minha direção. Acho que ele estava falando algo sobre meus “deveres conjugais”, com um sorriso malicioso no rosto. Cada nervo do meu corpo estava formigando de expectativa quando ele me tocou. Seus dedos passaram queimando pelo meu rosto, meu pescoço, meus seios e, de repente eu estava deitada em cima da mesa com a blusa desabotoada e a saia subindo pelas pernas. Eu suspirava e afastava as pernas para ele que sabia exatamente como me tocar, sabia todos os lugares secretos que me faziam estremecer e morder os lábios. Podia sentir meus mamilos enrugando e endurecendo enquanto seus dedos percorriam o vale entre os meus seios, fazendo uma pausa para mergulhar em meu umbigo antes de escorregar para baixo do meu abdômen e parar, provocativamente, logo acima do meu púbis. Ele sorriu. Inclinou-se sobre mim, apoiando o cotovelo na mesa e passando seus lábios contra os meus, estava quase, mais ainda não era um beijo. Eu podia sentir meu rosto queimando, meu peito pesando a cada respiração; eu me derreti toda e ele quase nem me tinha tocado. Ainda. Eu curvei-me em sua direção, sinalizando que estava mais do que pronta para ele. Então, e só então, ele pegou-me pelo quadril e puxou-me para a borda da mesa, afastando ainda mais as minhas pernas até que minha saia se enrolasse em minha cintura. Ele abaixou-se e deu um beijo ardente na parte de dentro da minha coxa...
                Bzzt! Bzzt! Bzzt! Bzzt!

Meus braços agitaram-se rapidamente na direção da mesa de cabeceira, agarrando o telefone que vibrava e meus espasmos jogaram-no longe pelo quarto. Ele caiu no carpete, ainda zunindo, até que me arrastei para fora das cobertas para desligar o alarme. Eu sonhei com ele. Ai, meu Deus. Como eu olharia o Zac nos olhos agora?

Adaptação do livro "Casei com um milionário" de Melanie Marchande.
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Olá!!!!!!!!!
Como vocês estão rápidas, hein?!
Espero que gostem do capítulo!
5 coments para o próximo!
;)


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

CAPÍTULO 2

·
Passei a noite em claro. Não é todo dia que você recebe uma proposta como essa. Dois milhões de dólares! Eu poderia viver o resto da minha vida sem ter que trabalhar, mas antes teria que contratar ajuda financeira para isso acontecer. Vamos devagar Nessa! Nem assinei nada ainda.
- Preciso falar com o Sr. Efron. Sobre um projeto especial. Ele disse que eu poderia vir a qualquer hora. – disse a Monique que estreitou os lábios, enquanto pressionava o botão do interfone.
- Sr. Efron, a Srta. Hudgens está aqui pra ver o senhor.
- Obrigado. Peça pra ela entrar, por favor.

Entrei devagar, fechando a porta atrás de mim. Tinha certeza que ele olharia para cima, mas sua cabeça permaneceu abaixada, enquanto folheava uma papelada. Limpei a garganta.

- Srta. Hudgens. Bom dia. Você está bem... Adiantada. - franzi levemente as sobrancelhas.
- Eu chego essa hora todos os dias.
- É claro! - ele disse - Por favor, sente-se.
- Eu só tenho algumas perguntas sobre o acordo proposto – falei segurando meu broquinho contra o peito enquanto me sentava - Posso voltar depois, se não for uma boa hora.
- Não, de forma alguma - ele rebateu. - Por favor, continue.

Olhei para o papel. As perguntas pareciam todas estúpidas agora que eu estava na frente dele, sob seu olhar azul penetrante.
- Só há uma cópia do contrato, quem vai ficar com ela?
- É uma excelente pergunta. – ele sorriu - Meu advogado é responsável por manter o documento confidencial e seguro. Eu entendo que isso pode parecer um conflito de interesses, já que sou eu que o pago, mas garanto a você que ele vai representar nós dois igualmente nesse acordo.
- Durante o nosso casamento, enquanto eu estiver morando com você - hesitei. - Entendo que eu devo agir como se fosse sua esposa. Tem outras restrições ou expectativas quanto ao meu comportamento que eu deva saber?
- Não, nenhuma - disse Sr. Efron.
- Você disse que vai me sustentar. Eu vou receber uma quantia diária ou...?
- Meu cartão de crédito - ele respondeu com facilidade. - Não tem limite. Você vai ser incluída como segunda titular da conta e vai ter seu próprio cartão. Você vai poder usá-lo para qualquer coisa que quiser. Olha, Srta. Hudgens, todo este acordo inclui uma confiança mútua. Mas durante o tempo que você trabalha aqui, nunca vi nenhum motivo pra acreditar que você é desonesta ou que tira vantagens indevidas das situações. Essa é outra razão pela qual eu escolhi você. - Olhei para ele.
- Pensei que tinha me escolhido porque eu não acredito em casamento.
- Esse foi o fator decisivo, mas eu já tinha avaliado o seu caráter.
Ele entrelaçou os dedos, pensativo. Ficamos em um silêncio constrangedor, um encarando o outro.
- Podemos continuar? – ele perguntou.
- Claro – eu respondi.
- Devemos ser profissionais. Com um acordo deste, os limites podem ficar meio confusos. Mas espero que possamos agir de forma controlada e equilibrada um com o outro pra garantir que as coisas se mantenham apropriadas. Você claramente é uma pessoa sensata, então não acho que isso vai ser um problema. Mas seria ingênuo fingir que não somos humanos. - ele lançou-me um olhar penetrante, fiquei apreensiva. - Se você sentir que as coisas estão ficando pessoais demais, por favor, não hesite em me falar. E eu farei o mesmo com você.
Concordei, tentando ignorar o arrepio em minha nuca. Parecia que ele podia ler meus pensamentos. Ele ficou quieto por um instante e percebi que estava esperando algum tipo de confirmação verbal.

- Sim - eu disse. - Isso parece bom.  Quer dizer, se eu decidir ir em frente com isso.
- Claro - ele falou - Nada é oficial até que nós dois assinemos o contrato na presença do meu advogado.
- Desculpa - respondi. - Só queria ter certeza de que você não estava me entendendo errado. - ele sorriu.
- Sou um homem muito cuidadoso, Srta. Hudgens.
- Bom, fico feliz em saber disso. - levantei-me. - Obrigada pelo seu tempo, Sr. Efron.
- Eu que agradeço - ele disse, levantando-se e estendendo a mão para cumprimentar-me. - Leve o tempo que precisar. Eu tenho alguns meses antes que eles soltem os cães de caça atrás de mim, então não é assim tão urgente. – eu ri e ele me acompanhou.
- Obrigada, mas acho que eu não vou conseguir dormir direito até tomar uma decisão.
- Eu nunca quis causar qualquer angústia a você - afirmou – Eu estava falando sério quando disse que se você recusar, isso não vai afetar sua carreira. Você pode continuar trabalhando aqui por quanto tempo quiser. Você vai ser tratada como qualquer outro funcionário e se quiser sair do emprego, eu sempre vou dar boas recomendações suas. Você tem a minha palavra.
- Eu sei. Eu só... Acho que não consigo decidir se o risco vale a recompensa. - ele pensou por um momento.
- Não vou fingir que não existe um risco - ele finalmente admitiu. - Mas... Não é um risco tão grande quanto você pode imaginar. Eu estou em... Uma posição vantajosa. - apertei os olhos.
- O que isso significa exatamente?
- Como você sabe, o dinheiro abre muitas portas, Srta. Hudgens.
- Se é uma questão de dinheiro, por que você precisa de mim?”
- Eu disse ‘muitas’ portas. Não todas as portas.

Saí de seu escritório. E agradeci por ser sexta, expediente até as quatro. Segui com meu ritmo de trabalho normal, mas quando tinha um segundo livre pensava no acordo proposto, assim no final do dia eu já havia roído cada pedacinho de minhas unhas.
Ao dirigir para casa, estava completamente esgotada. E só fui perceber que meu carro estava no mesmo estado quando ele começou a alavancar para frente, e morreu após atravessar o semáforo a quatro quadras de minha casa. Sim. Perfeito para uma sexta feira.

Minhas costas estão doendo, já são seis da tarde e ainda estou na oficina mecânica, em uma sala de azulejos que fede a óleo e borracha. E ao meu lado, só há revistas de dez anos atrás. Fiquei aliviada quando ouvi meu nome ser chamado pelo senhor no balcão, ele começou a dizer algo sobre “degradado”, “grande conserto”, “plano de pagamento”. Todas aquelas palavras não soaram bem ao meu ouvido. Não posso arcar com mais essa despensa.  Sem saída, pequei meu único cartão de crédito que ainda não tinha estourado e entreguei para fazer o primeiro deposito. Se eu viver a base de macarrão instantâneo, talvez eu consiga pagar até a minha aposentadoria. Mas, há outra opção. 
Enquanto ia para casa caminhando, me perdi nos meus pensamentos. Na fantasia de ser noiva de um bilionário. Mesmo que somente por um ano. Seria como um sonho realizado, uma vida sem problemas financeiros. Isso seria maravilhoso, muito além do que eu poderia imaginar. Eu ficaria preocupada em onde investi-la, como poupá-la – passaria todo o meu tempo livre pensando em como fazê-la durar. Mas enquanto estivesse fazendo o papel de esposa do Sr. Efron, eu ficaria despreocupada. Se eu precisasse de qualquer coisa – qualquer coisa mesmo – eu poderia ter.

Estava exausta de viver de salário em salário, tentando juntar dinheiro suficiente para adiar as faturas do meu cartão de crédito por mais um mês. Entre os pagamentos do meu empréstimo para os estudos e algumas antigas contas médicas, a maioria dos meus salários acabava antes mesmo que eu tivesse a chance de pensar em como gastá-los. Mas não precisava mais ser assim.

Adaptação do livro "Casei com um milionário" de Melanie Marchande.
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Oie  girls!
Primeiramente, desculpas pelo atraso. 
Mas, está aí! Capítulo postado... espero que tenham gostado!
5 coments para o próximo.
;)




domingo, 9 de agosto de 2015

CAPÍTULO 1


- O chefe quer te ver Vanessa!
Saltei na cadeira quando ouvi Ashley, minha supervisora chamar a minha atenção. Como assim o chefe quer me ver? Ai Meu Deus! Eu vou ser despedida. Só pode ser isso! O senhor Efron não fala com ninguém na agência. Ninguém mesmo. Apenas com o advogado e os supervisores, mas nunca com os designers. Que é onde eu me encaixo.
- Ele não tem todo o tempo do mundo. – Ashley disse novamente me tirando do meu transe, me levantei na mesma hora – Chris vai te acompanhar até o escritório.
Ashley sorriu para Chris, o advogado, e saiu deixando eu a sós com aquele homem que nada dizia. Começamos a caminhar pelo corretor que levava até o escritório do todo poderoso chefão.  Monique, secretária do patrão, deu um meio sorriso, enquanto o advogado abria a porta e me dava espaço para adentrar a sala ampla e luxuosa. Um dos atrativos de liderar a melhor agência de publicidade da América.
- Sente- se – Chris disse – ele já está a caminho.
E saiu. Simplesmente saiu me deixando sozinha naquela sala. Naquela sala. Nunca sequer tinha falado com o chefe, nem mesmo na minha entrevista para a vaga há dois anos.

- Desculpe a demora. – ele disse entrando na sala. Que homem! – Tive uma reunião de emergência via internet. Perdoe-me! – ele sentou na cadeira a minha frente, atrás de sua oponente mesa.
- Sem problemas!
- Senhorita Hudgens, a senhora tem um belo currículo!
- O senhor não vai me demitir né? Sei que não tenho família pra sustentar, até imaginei dizer que tinha uns cinco filhos, pra tentar fazer o senhor trocar de opinião em meu respeito. Eu não posso perder esse emprego, senhor...
- Senhorita Hudgens! – ele diz com uma voz que me arrepiou. – Eu não a demitirei.
- Não? – perguntei receosa.
- Não. Tenho uma proposta para você!
- Pra mim?
- Sim.

Ele sorria cautelosamente. Ou talvez esse seja o jeito dele sorrir. Ninguém na agência já o viu sorrindo. Também acho que ninguém reparou o quanto ele é bonito. Ele é jovem. Bem jovem. No máximo tem uns 30 anos, veste terno completo, gel no cabelo com toda certeza.

- Quer algo pra beber? Café, água ou suco? – neguei com a cabeça – Antes de irmos pro ponto central de nossa conversa, quero deixar bem claro, que independente de sua resposta, seu emprego está seguro.  – eu sorri agradecida – A proposta que tenho pra fazer a você, é benéfica para nós dois. Meu advogado está aqui para supervisionar nossas negociações e garantir que façamos um acordo justo. Está entendendo?

Fiz que sim. E ele relaxou os ombros, e abriu seu blazer. Chris, estava no canto da sala girando uma caneta entre os dedos, claramente sendo contra os planos do patrão.

- Srta. Hudgens – ele começou – como sabe, eu moro e trabalho neste país há muito tempo. Este lugar é meu lar. Aqui foi onde eu construí tudo o que é importante pra mim. Mas eu nasci em Londres, na Inglaterra.  

Ele fez uma pausa dramática e me encarou. O que ele está pretendendo como essa introdução à autobiografia.

- Infelizmente, confiei na pessoa errada pra cuidar da papelada que me permitiria morar e trabalhar legalmente em território americano. Ele me roubou muito dinheiro, mas, pior que isso, ele não preencheu direito os papéis. Eu não estava ciente até receber uma notificação do Serviço de Imigração e Naturalização, o INS, dizendo que eu não era mais bem-vindo no país. - ele fez uma pausa, mexendo nas abotoaduras. - Você é uma mulher inteligente e tenho certeza que pode ver onde isso vai dar.
- O Senhor quer que eu... – não consegui terminar a frase.
- Quero que se case comigo, para eu conseguir a cidadania americana.

Vamos pensar em uma forma lógica, o que não é possível. Não seria nada mal se casar com ele. É muito bonito, até para o mais alto padrão da beleza masculina, mas enganar o governo? Isso é crime, contra a lei. E porque eu?

- Porque eu? – disse sem pensar.
- Conversei com Ashley, sua supervisora. Ela disse que você não é tão fã de casamentos, e que está desiludida com a raça masculina. Não há pessoa melhor do que você para entrar nesse acordo comigo.
- Isso não diz nada a respeito de eu me interessar a casar com alguém para conseguir um visto vitalício.
- Se eu ofendi você - ele disse, levantando-se. - Peço desculpas.
- Espera! - eu disse. - É sério isso que você está falando?
- Sim - ele respondeu. - É claro.
- Você não está pregando uma peça muito bem elaborada em mim? - O sorriso dele reapareceu.
- Que tipo de pessoa você acha que eu sou?
- Presumo que eu vou ser recompensada de alguma forma? - falei, tentando parecer calma.
- Claro! – disse Sr. Efron sorrindo – Você terá que cumprir algumas tarefas, como morar comigo pelo próximo ano, para manter as aparências. Você não terá nenhuma despensa, eu a sustentarei durante o período. Quando chegar o término do contrato, você será recompensada com dois milhões de dólares.  Contanto que faça um esforço razoável pra manter a fachada intacta.

Dois milhões de dólares?! Ai Meu Deus!

- O que seria um esforço razoável? - eu quis saber, e ele pegou algumas folhas de sua mesa e virou algumas páginas.
- Isso está esclarecido aqui. – ele mostrou a página. É claro que havia um contrato escrito. - Você está concordando em passar no mínimo dez horas examinando os detalhes de nosso relacionamento fictício como preparação para a entrevista com o INS. Quando estivermos em público você vai se comportar o tempo todo como se fôssemos um casal. Isso pode incluir algum tipo de interação física. Eu espero que você... Concorde!
- Eu me sinto na obrigação de ressaltar que um contrato para um acordo ilegal não será válido no tribunal.  – o advogado disse após suspirar alto. Eu nem tinha pensado nisso, mas é claro que ele estava certo.
- O contrato é uma formalidade. Apenas pra esclarecer as nossas obrigações. – Sr Efron explicou.
- Pode me dar um tempo pra pensar?
- Você pode examinar o contrato da forma mais minuciosa que quiser, mas receio que eu não posso permitir que ele saia dessa sala. Por razões óbvias.
- É claro!- falei. Folheei as páginas.
- Você pode levar alguns dias, se quiser venha ao meu escritório sempre que quiser dar uma olhada no contrato. Ele vai ficar na minha mesa. - disse Sr. Efron.
- Obrigada - respondi. - Acho que eu vou voltar amanhã. - ele concordou, pegando os papeis que estavam comigo e endireitando-os.

- Até amanhã então!

Adaptação do livro "Casei com um milionário" de Melanie Marchande.

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1° Capítulo postado! Ebaaaa!!!!
Espero que tenham gostado, vou tentar resumir o máximo o livro, pra ficar sem delongas rsrsrsrs
Comentem e deixem suas sugestões!!
5 comentários para o próximo ;)