segunda-feira, 31 de agosto de 2015

CAPÍTULO 6


 Não sei bem o que me fez acordar, se foi à luz vinda pela janela ou os barulhos na cozinha. Demorei a dormir na noite passada, passei horas encarando o teto no escuro, e quando consegui dormir, não consegui descansar. Segui para o banheiro e tomei um banho rápido, me enrolei em um robe grosso e macio e segui para cozinha. Zac virou ao ouvir um dos bancos do elegante balcão sendo arrastado.
Ele estava vestindo jeans e uma camiseta branca. Ele sabia mesmo se vestir como uma pessoa normal. Era encorajador. Só queria que isso não tivesse me dado água na boca. Talvez eu só estivesse com fome.

- Bom dia - ele falou, sorrindo para mim. Os olhos dele subiram e desceram algumas vezes, como se ele não esperasse que eu fosse tomar café da manhã de roupão. Mas e daí, nós iríamos nos casar logo, certo?
- Oi! - respondi. - Gostei da sua... Camiseta. - Quase falei “calças.” Estava claro que eu só precisava ficar de boca fechada.
- Obrigado- ele disse, agradecendo gentilmente – Como gosta dos seus ovos?
- Ao ponto, eu acho.

Não conseguia lembrar-me da última vez que comi ovos que não fui eu mesma que fiz. Ele acabou fazendo-os justamente como eu gostava – nem tão duro nem tão mole. Enquanto eu passava a torrada na gema, fiquei olhando-o comer a fritada que tinha feito para ele mesmo. Havia um verdadeiro arco-íris de verduras picadas no meio, quase mais do que a quantidade de ovos. Sem torrada. Então era assim que ele mantinha a forma. Por alguma razão, sempre o imaginei como uma daquelas pessoas que pode comer absolutamente qualquer coisa e nunca ganhar sequer um grama. Era reconfortante saber que ele tinha um lado humano, afinal de contas.
Após o café da manhã, vesti-me com roupas casuais que ele havia escolhido para mim e nos acomodamos na sala. Zac pegou um pequeno bloquinho e uma caneta.

- Precisamos acertar a história do nosso relacionamento - ele disse. -Já que vamos morar juntos, e fingir ser um casal devemos conseguir dar respostas verdadeiras para a maioria das perguntas. Mas haverá perguntas sobre o começo do nosso relacionamento, sobre coisas muito pessoais que podemos não saber um sobre o outro. Será o tipo de pergunta difícil de fingir. Na hora da entrevista, se eles lhe fizerem uma pergunta difícil sobre algo que não nos preparamos, diga simplesmente que não sabe ou que não consegue se lembrar dos detalhes do que eles estão perguntando. Nunca tente adivinhar ou inventar uma resposta.

Fiz que sim. Só de pensar sobre a entrevista já estava ficando nervosa, mesmo que ainda faltasse alguns meses para ela acontecer.

- Você provavelmente terá que descrever as características, a planta e a decoração deste lugar. Mas isso não deve ser tão difícil após um tempo. Quando se trata deste tipo de perguntas, certifique-se de ser precisa, mas não detalhista demais, para não parecer uma coisa ensaiada.
- Jesus - falei mais para mim mesma do que para ele, que me olhou, um pouco assustado.
- Você não está querendo desistir, está?
- Não, não. - Disse, mexendo na barra da minha camiseta nova. - É só que... É muita coisa, só isso.
- Você vai se sair bem. - Ele tocou no meu ombro, deixando a mão lá por um momento e então a tirou abruptamente. Sua atenção voltou para o bloquinho. - Sua data de nascimento... 14 de dezembro de 1988. Certo? - Fiz que sim. - A minha é 18 de outubro de 1987. Decore. - Ele virou a página. - Quais foram as primeiras coisas que conversamos, quando nosso relacionamento ficou mais pessoal? O que tínhamos em comum?
- Você está pedindo para eu inventor algo agora? – Perguntei com as sobrancelhas erguidas.
- Se discutirmos essas coisas, é mais provável que nos lembremos delas depois.
- Tudo bem, então... Filmes do Woody Allen? - Ele piscou...
- O quê?
- Era isso que tínhamos em comum. Nós dois gostávamos dos filmes do Woody Allen e começamos a conversar sobre isso. - Ele franziu um pouco a testa. Suspirei. - Tudo bem, qual é sua ideia, então?
- Não sei.
- Mas você não gostou da minha.
- É que... Parece inventada.
- Essas são palavras muito críticas vindas de alguém que não tem nenhuma ideia. – eu o encarei.
- Está bem. - Ele rabiscou no bloquinho. - Vamos deixar como uma resposta temporária e podemos revisar depois se pensarmos em algo melhor.
- Não acho que seja uma boa ideia. Se ficarmos mudando as coisas, vamos acabar nos confundindo. Precisamos escolher alguma coisa e mantê-la. Você não acha? - Ele bufou.
- Tá bom. Nós dois gostávamos do Woody Allen. E nosso primeiro encontro? Você consegue descrevê-lo?
- Na vida real, ou vamos inventar uma realidade alternativa para isso também?
- Na vida real. Todo mundo sabe que você trabalha para mim, então obviamente foi assim que nos conhecemos. - Cruzei os braços, pensando.
- Não tenho certeza que nós de fato nos ‘conhecemos’.  Eu o via, mas não sei se alguma vez fomos formalmente apresentados até você me chamar ao seu escritório para discutir sobre o projeto especial.
- Sobre isso. - Ele limpou a garganta. - Você descobriu depois que, na verdade, não havia nenhum projeto especial. Eu só a chamei ao meu escritório porque queria falar com você. Apaixonei-me à distância. Queria uma desculpa para conversarmos e conhecê-la melhor. Ou algo assim. Foi quando descobrimos que nós dois gostávamos do Woody Allen. Nos próximos dias, continuei chamando-a ao meu escritório para mais ‘reuniões’. As coisas tornaram-se... Físicas, muito rapidamente. Mantivemos segredo, por conta do conflito de interesses. Mas aí, eu finalmente decidi que não queria mais manter nosso amor escondido. Então a convidei para jantar comigo. Pouco tempo depois, você saiu do emprego e mudou-se para meu apartamento. - Ele olhou-me, sorrindo levemente. - Então, esta é a nossa história!
- Seu universo alternativo é muito agressivo - falei. - Será que eu poderia decidir alguma? - Ele pareceu um pouco ofendido.
- Claro - respondeu. - Que tipo de homem fictício você acha que eu sou? - Tive que rir.
- Está certo, tudo bem. E se me perguntarem se eu sabia sobre seu, seu problema?
- Claro que eu te contei, porque não queria que pensasse que eu somente iria casar com você por causa disso. Você primeiro ficou um pouco cética, claro, mas conforme o tempo foi passando, você percebeu que eu te amava de verdade.
- Muito comovente. Você acha que eles vão cair nessa?
- Não existe lei contra casar com alguém se você corre o risco de ser deportado. O que é ilegal é casar com alguém porque você corre o risco de ser deportado. Tudo bem eles suspeitarem que talvez apressássemos as coisas por causa da minha situação, contando que não possam provar que essa foi a única razão pela qual nos casamos.
- Isso parece muito suspeito, só pra você saber. Se trabalhasse para o INS, eu mesma levaria você para o seu país de origem.
- Aprecio muito seu voto de confiança – ele disse secamente, virando a página do bloquinho. – Mas como falei, tenho ajuda interna. Tenho que passar pelas formalidades, e não posso tropeçar enquanto faço isso. Eles ainda vão abrir uma exceção especial para mim. Normalmente, precisaria ter dois anos de casado antes de poder solicitar um visto permanente, mas eles reduziram para um só.
- Ainda bem - falei em voz alta, sem pensar. Ele levantou uma sobrancelha para mim.
- Sei que você não tem como saber disso, mas prometo que se casar comigo não vai ser um verdadeiro pesadelo. - Podia sentir meu rosto ficando muito vermelho.
- Eu sei - falei, rapidamente. - Não quis dizer isso, só que, você sabe, é um ano da minha vida. Isso é assustador o suficiente de se pensar.

- Relaxa. Estou só te provocando. - Ele olhou de volta para o bloquinho. - Precisamos escolher uma posição sexual favorita.


----------------------------------------------

Desculpa a demora! 
Espero que gostem do capítulo.
E obrigado pelos comentários ;)
- L

6 comentários:

  1. Uau eu amei o capituloo.
    Menina eata cada dia melhor a sua fic viu?!
    bjosss ansiosa por mais um

    ResponderExcluir
  2. Amei amei!!!
    Quero só ver a reação da Vanessa depois dessa ultima frase do Zac hehehe
    Posta mais!!
    Xoxo

    ResponderExcluir
  3. E essa frase do zac em ?! O que será que vai desenrolar depois disso!!
    Amei!!
    Posta mais !!
    Bj

    ResponderExcluir
  4. Amei !! Posta mais , Bj

    ResponderExcluir
  5. Kkkkkk.....como não rir com esse final.
    Já estou curiosa para saber qual será a resposta deles.
    Essa fic está incrível.
    Não demore a postar. Pleasee?
    Estou viciada.
    Bjos

    ResponderExcluir

Expresse sua opinião e deixe sugestões ;)