segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CAPÍTULO 10

·          
- Você quer mesmo ir pra lua? - Seus olhos estavam brilhando de contentamento.
- Acho que... sim. Pensei que todo mundo quisesse. Ele discordou.
- Eu acho que não. Mas eu espero que você consiga ir um dia.
- Eu sempre quis ir pro acampamento espacial quando criança, mas sempre foi muito caro. - Coloquei o garfo sobre o prato, deixando de comer metade do tiramisu. Era inevitável que houvesse um estranho silêncio toda vez que o assunto dinheiro surgisse. Não tinha certeza qual de nós dois era mais culpado por isso, mas era bastante evidente sempre que acontecia. Balancei a cabeça e tentei pensar em algo apropriado para mudar de assunto. - Não tinha algo ridículo que você queria fazer quando era criança?
- Ser médico? – disse pensativo.
- Isso não é ridículo.
- Bom, ir pra lua também não é, se você quisesse ser astronauta. Mas pra mim era.
- Por quê? - Bebi um gole d’água. - Falando sério. O que te impediu?
- Acho que é porque eu fui ficando mais velho. Eu mudei as expectativas sobre mim.

O garçom veio para repor o que tinha acabado e Zac pediu uma garrafa de champanhe. Estava chegando a hora. Engoli em seco.

- Não consigo entender por que você não virou médico - falei. - Se você tinha colocado isso na cabeça. É óbvio que você é inteligente, então por que não? - Ele riu, dobrando cuidadosamente o guardanapo e colocando-o de volta à mesa.
- Acredite, foi melhor assim.

Pressionei os punhos no colo. Sabia que estava chegando à hora. Aliás, eu já sabia que isso aconteceria desde o momento que assinei o contrato, mas ainda não estava pronta. Muito longe disso. Sentia como se fosse rir histericamente, vomitar e chorar tudo de uma vez.
Zac levantou-se. Sua mão estava no bolso do paletó. Fechei bem os olhos. Quando os abri novamente, ele estava ajoelhado. Abriu a caixinha preta de veludo, exibindo uma delicada aliança de ouro com dois diamantes unidos em diagonal, completando o desenho ondulado do arco que continuava por baixo deles. Era surpreendente e sutil ao mesmo tempo. Imaginei se Emma o ajudou a escolher. Parecia o estilo dela.

- Vanessa Hudgens, você quer casar comigo?

Fiz que sim, entorpecida. Tive que fechar os olhos novamente. Lágrimas estavam se formando e eu não sabia se conseguiria segurá-las. Minhas costas doíam enquanto me ajeitava na cadeira, mantendo as pálpebras bem coladas, desejando que as lágrimas não caíssem e estragassem minha maquiagem.
Senti-o pegar minha mão e deslizar a aliança pelo meu dedo. Era do tamanho perfeito. É claro. Zac pegou minhas mãos, levantou-me, e beijou-me. Seus lábios estavam macios e quentes contra os meus.
Houve uma salva de palmas. Zac me soltou e eu sentei-me mecanicamente. O garçom nos serviu champanhe. Bebi toda a taça em um só gole e tentei passar o guardanapo delicadamente pelo rosto apenas o suficiente para secá-lo, sem borrar o rímel. Zac também se sentou novamente. Ele inclinou-se sobre a mesa e perguntou com uma voz baixa.

- Você quer ir pra casa? - Forcei um sorriso. Meus olhos, pelo menos, tinham parado de lacrimejar. Um pouco.
- Não - falei. - Eu estou bem. É que... É muita coisa, sabe?

Ele fez que sim, como se soubesse do que eu estava falando, mas eu não tinha certeza de que ele sabia. Do seu ponto de vista, era somente um relacionamento falso, um casamento falso. Era impossível compreender racionalmente o turbilhão de emoções dentro de mim. Só sabia que queria chorar.
Olhei para a aliança, brilhando no meu dedo. Era realmente perfeita. Era exatamente o que eu gostaria que meu noivo de verdade escolhesse, se eu não tivesse desistido dessa ideia há muito tempo. Era isso que estava me incomodando? Sério? Eu estava em paz com a ideia de ficar solteira há bastante tempo. Essa era a pior hora possível para perceber que eu queria encontrar o meu “felizes para sempre” algum dia. Respirei fundo. É só por um ano. É só por um ano. É só por um ano. Depois disso, eu poderia fazer o que quisesse.

- Acho que é melhor irmos para casa - Zac sugeriu, aparentemente compreendendo que meu não na verdade significava sim.

Terminamos nosso champanhe. Minha cabeça estava zunindo e fiquei grata por Zac abraçar-me enquanto íamos até a calçada. John olhou-me pelo retrovisor quando entramos no carro.

- Está se sentindo bem, madame? – ele indagou. Meu Deus, eu devia estar uma bagunça completa.
- Estou sim - suspirei. - Obrigada.
- Você devia nos parabenizar John. - Zac pegou minha mão esquerda e levantou-a, mostrando a aliança para ele.
- Ai, meu Deus! - O rosto de John abriu-se em um sorriso. - Parabéns! Isso é tão... É uma notícia tão boa. Eu estou muito feliz por vocês.
- Obrigado - disse Zac, abraçando-me.

John quase chegou a dizer algo sobre como estávamos indo rápido, mas era seu trabalho não fazer nada além de concordar e sorrir e validar todas as escolhas de seu patrão. Assim como todos na vida de Zac. Eu sabia que Zac estava esperando que eu passasse a noite em seu apartamento e por mais que eu temesse isso, nada mais fazia sentido. Éramos um casal jovem, loucamente apaixonado, que havia acabado de noivar. Era esperado que passássemos o resto da noite nus nos braços um do outro. Precisávamos manter a encenação.
Quando chegamos, tirei os sapatos na entrada e fui ao banheiro do andar principal para tomar um banho, sem falar com o Zac ou nem mesmo olhar para ele. Quando saí, não o via em lugar algum. Fui ao quarto que havia escolhido antes, tirei dois ibuprofenos da bolsa, engoli-os a seco e fui para a cama.
Não chorei. Sentia-me completamente vazia e fustigada, exausta, mas incapaz de adormecer. Não esperava que isso fosse tão difícil, tão cedo. Zac estava certo. Era impossível fingir que não éramos humanos.
Pela primeira vez desde que havia assinado o contrato, arrependi-me de verdade do que tinha feito.
Sentia-me enjaulada. Mas mesmo se eu tivesse a oportunidade de voltar atrás agora, eu voltaria? A cenoura de dois milhões de dólares balançando na minha frente iria inspirar-me a seguir em frente, por mais doloroso que fosse. Bem, a boa notícia era que nada poderia ficar pior do que esta noite.

Poderia?

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Como prometido, aqui está!
Espero que tenham gostado.
5 coments para o próximo ;)
- L

CAPÍTULO 9

·        
O vestido azul meia-noite ainda estava no saco plástico da lavanderia, pendurado no fundo do meu armário. Não esperava precisar dele novamente tão cedo. Peguei-o assim que cheguei em casa, tomei um banho bem rápido, sequei o cabelo e o vesti. Eu não estava pronta para isso. Mas não era como se tivesse escolha. Coloquei o colar e os brincos, pensando o que deveria fazer com o cabelo. Simplesmente deixá-lo solto não parecia ser apropriado para a ocasião, mas ele era teimoso. Se eu tentasse dar um jeito de prendê-lo, precisaria ajeitá-lo a noite toda. A desvantagem de ter um cabelo naturalmente grosso e brilhante é que era pesado e escorregadio. Não conseguia encontrar um elástico ou presilha que pudesse segurá-lo e eu odiava laquê de todo meu coração.
Não faria nada com ele, então. Escovei-o todo e deixei-o cair pelos meus ombros, torcendo para não parecer terrivelmente inadequada em qualquer restaurante insanamente caro que ele fosse me levar.
O motorista era pontual como sempre, e desta vez, fiquei surpresa em ver Zac já no banco de trás esperando por mim.

- Olá, Nessa! - ele disse, olhando-me com aprovação. Com certeza era fingimento. Nenhuma namorada dele usaria o mesmo vestido mais de uma vez. Mas como ele não disse uma palavra sobre isso, tentei não me preocupar.
- Desculpa - murmurei, enquanto ajeitava-me perto dele no assento. - É a única coisa chique que eu tenho.
- Não se preocupa - ele falou. - Você continua estonteante como sempre. - Virei os olhos. O motorista estava observando-nos - Essa aqui não consegue aceitar um elogio com elegância - brincou Zac. - É trágico.
- Você precisa dar um jeito nisso, senhor.
- Eu vou dar John. Não se preocupa.

Enterrei-me mais fundo no couro italiano e tentei não parecer desprezível. Havia algo diferente no tom de sua voz. Algo um pouco distante, talvez. Indiferente? Até mesmo frio. Estava começando a encaixar as peças, como ele deveria viver boa parte de sua vida, ou talvez toda sua vida, esforçando-se para atender às expectativas que eram colocadas nele. Pobre garoto rico. Sorri para mim mesma. Eu estava mesmo tentando sentir pena dele? Do homem que poderia comprar uma nave espacial? Cara, eu estava mesmo ficando obcecada por essas naves espaciais. Talvez fosse a lua de verão brilhando forte demais toda noite que me deixou obcecada por viagens espaciais.

- Você queria ir pra lua quando era criança? - deixei escapar, olhando para ele. Seu rosto abriu um sorriso.
- O quê?
- É uma pergunta simples. Você já quis ir pra lua? - Ele deu de ombros.
- É só uma rocha. Uma rocha gigante solta no meio do nada. O que tem lá pra ver?
- Agora você sabe disso. Mas quando você era criança. Você nunca olhou pra ela e ficou maravilhado de ver como ela estava próxima e pensou cara, eu queria muito ir até lá. Parece que está tão perto, como se a gente pudesse pular no carro e chegar até lá em alguns minutos. - Olhei pela janela; era quase lua cheia, ela estava grande, redonda e brilhava bem acima dos prédios mais altos. - Não parece?
- Pra falar a verdade... - ele apertou os olhos para vê-la. - Bom. Talvez.
- Viu? Eu costumava me imaginar subindo nas árvores mais altas em volta da minha casa pra tentar chegar lá. Sabia que não ia dar certo, mesmo quando eu era pequena, mas eu queria tanto ir lá. Só por ir mesmo. Não sei por que. Eu sei que não tem nada lá. É que eu só queria poder vivenciar isso, uma vez na vida.
- Bom, sabe, o turismo espacial está se desenvolvendo enquanto a gente conversa. Você ainda pode ter chance.

Droga, ele estava certo. Se eu soubesse cuidar dos lucros que ia ter com todo esse empreendimento, poderia mesmo conseguir pagar uma viagem para a lua algum dia. Que ideia louca.

- Eu com certeza vou colocar isso na minha lista de presentes pro Natal - brinquei, recostando-me em meu assento.

O passeio de carro foi curto, levando-nos a um lugar no centro da cidade por onde passei muitas vezes, nunca considerando a possibilidade que poderia comer ali algum dia. Era chique e elegante, muito mais parecido com o que eu esperava para o nosso primeiro encontro. Enquanto o restaurante do hotel era adorável e confortável, este parecia mais com o tipo de lugar onde um homem de negócios muito poderoso pediria em casamento sua esposa top model. Ou eu, como era o caso.
Quando paramos em frente ao local, Zac pulou para fora do carro e rapidamente correu até o meu lado, abrindo a porta antes que eu tivesse a chance de fazê-lo. Ele deu-me sua mão para me ajudar a sair. Enquanto subíamos as escadas que levava à entrada, podia sentir que me olhavam. Eu devia mesmo ter feito o cabelo. O recepcionista olhou-nos e sorriu quando entramos.

- Sr. Efron, sua mesa é por aqui. Por favor, venham comigo.

Nunca me havia sentido tão estranha na vida. Ao andar entre as cabines e mesas do restaurante mais chique da cidade, tentava manter os olhos focados na parede logo a minha frente, mas sabia que as pessoas estavam olhando-me. É claro que estavam. Quem não olharia?
Parecia uma menininha brincando de vestir as roupas chiques da mamãe. Era absurdo pensar que eu me adaptaria a um ambiente como este. Não importa quanto dinheiro Zac gastaria comigo, eu sempre me destacaria como alguém que estava apenas fingindo ser o que não é.

- Aqui está, senhor. Madame. - O recepcionista entregou-nos os cardápios. - O garçom logo vem atender vocês.
- Obrigado, Tom. - Zac colocou o cardápio na mesa, sem abri-lo. - Ante de você escolher qualquer coisa, eu recomendo esperar pra ouvir os especiais do dia. É sempre algo da época e o mais fresco possível.
- Obrigada - falei. - Eu não queria mesmo olhar o cardápio. Além disso, eu nem estava com vontade de comer.

O garçom veio logo em seguida, tagarelando sobre algo refogado e algo cultivado localmente. Pedi uma coisa que mal entendi o que era e ele logo voltou com uma garrafa de vinho branco. Enquanto ele servia-nos uma taça, forcei um sorriso para Zac, bem consciente de que estávamos sendo observados. Com sorte, se eu parecesse estranha, pensariam que era a ansiedade de uma mulher que estava esperando um pedido de casamento, mas ainda não tinha certeza se iria acontecer ou não.

- Belo lugar, não? - Zac perguntou e percebi que eu não falava nada há algum tempo.
- É - respondi. - É muito... Muito chique.
- Não é o tipo de lugar onde você come todos os dias. - Zac serviu-se de outra taça de vinho. - Mas é legal pra ocasiões especiais.
- Você poderia comer aqui todos os dias - falei. - Se você quisesse.

Ele olhou para o guardanapo, desdobrando-o e estendendo-o sobre o colo com uma lentidão exagerada para que não precisasse olhar-me nos olhos. Para alguém que estivesse escutando, provavelmente pareceria um comentário inocente, mas ambos sabíamos que tinha sido calculado para irritá-lo.

Ele não falou mais nada até nossos pratos chegarem. Eu pedi um tipo de peixe que estava perfeito, fresco e macio, com aspargos crocantes e risoto de acompanhamento. Comi o máximo que consegui, embora tudo parecesse virar areia em minha boca. Minha garganta estava muito seca. Terminei de beber o vinho e Zac fez um gesto pedindo outra garrafa. Após nossos pratos terem sido retirados e termos pedido a sobremesa, ele finalmente parecia ter relaxado um pouco. Começou a conversar de novo como se fôssemos realmente apenas um casal em um encontro.

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Desculpem a demora!
Tive alguns probleminhas com a net essa semana, mas agora está tudo resolvido!
Como pedido de desculpas, postarei o próximo capítulo a noite, com ou sem comentários ;)
- L

sábado, 12 de setembro de 2015

CAPÍTULO 8

·     
Eu poderia pressioná-lo sobre a roupa de cama macia, ridiculamente luxuosa e é aí que ele iria resistir. Mas não porque ele não me queria. Não, ele gostava de estar no controle. Sobre isso, eu tinha certeza. Ele iria virar-me e segurar-me pelos pulsos, rugindo em meus ouvidos, mas quando levantasse o corpo sobre mim, eu veria o sorriso malicioso em seu rosto. Ele me beijaria até esquecer que estava segurando meus braços e então os soltaria, suas mãos percorrendo todo o meu corpo, deslizando por baixo do leve tecido da minha blusa e pressionando meus seios. Eu então levantaria meus braços para ele, obedientemente, sentindo sua forte contração sobre minha coxa. Ele tiraria a blusa sobre minha cabeça e a jogaria para o lado. Eu morderia os lábios. Meus mamilos ficariam tão duros que ele seria capaz de dizer o quanto eu o queria, mesmo através do tecido do sutiã. Seus lábios desceriam pelo meu pescoço, sua respiração quente causando pequenos arrepios pela extensão da minha pele nua...
Voltei à realidade em um instante. Estava olhando para ele, com a boca levemente aberta. Por sorte ele parecia não estar prestando atenção. Ai, meu Deus. Eu tinha que parar de fazer isso. Eu ia ficar louca. Engoli com dificuldade; minha garganta tinha ficado completamente seca, e as batidas do meu coração pareciam ter se deslocado para algum lugar entre minhas pernas. Senti-me confusa e tonta, justamente como na noite passada, mas sem o vinho. Claramente, eu não precisava de álcool para tornar-me uma completa idiota por causa do Zac.

- Você quer ir para casa? - Ele finalmente falou, ainda sem olhar para mim.
- Sim - consegui dizer. Levantei-me rapidamente, descendo apressadamente as escadas e pegando meu vestido e minhas jóias. Zac desceu alguns minutos depois.
- O carro vai esperá-la aqui em frente, quando estiver pronta - ele falou. - Não precisa ter pressa.
- Obrigada pelo café da manhã - falei, sem conseguir olhá-lo nos olhos por mais do que alguns segundos. - E pela noite de ontem.
- Claro - ele respondeu. - Eu... Eu te ligo. - Ele parecia quase tão distraído quanto eu. Dei um pequeno aceno para ele e corri para a porta. - Nessa, espere um minuto. - Ele colocou a mão no bolso e tirou uma chave brilhante, parecendo ter acabado de sair do chaveiro. - Fiz isso para você.
- Tudo bem - falei, voltando até ele com os pés pesados e pegando-a.
- Acredite em mim - ele disse. - Vai parecer estranho se você não tiver. É melhor se acostumar a carregá-la agora.

A carona até em casa pareceu ter levado uma eternidade. Respondi superficialmente as perguntas do motorista; sim, o encontro foi muito legal, sim, a comida estava excelente. Sim, o restaurante tinha uma atmosfera agradável. Sim, o apartamento do Sr. Efron era maravilhoso.
Só estar de volta em casa, era alívio por si próprio, mas não relaxei de verdade até despir-me das roupas desconhecidas e passar um tempo de qualidade com meu chuveirinho massageador. Era um dos poucos luxos que eu me permitia na vida, e uma vez estando finalmente satisfeita, inclinando-me contra as paredes do banheiro com as bochechas coradas e as pernas moles como geléia. Rezei para que funcionasse como um tipo de exorcismo para meus desejos inconvenientes. Eu tinha medo de entregar-me, mesmo dessa pequena maneira, mas após esta manhã, tinha ficado claro que não havia volta.
Quando estava seca e vestindo minhas próprias roupas novamente, estendi o vestido na minha cama e o alisei onde estava amassado. Provavelmente precisaria ser lavado a seco. Coloquei o colar e os brincos perto dele, esticando cada tirinha até que parecessem prontos para uma sessão de fotos.
Eram muito bonitos, certamente, mas ainda não sentia como se fossem meus. Não tinha certeza se algum dia conseguiria mergulhar de verdade em um estilo de vida que comprar coisas como essas, fosse comum. Era incrivelmente estranho para mim. A ideia do dinheiro como um recurso constantemente renovável; tecnicamente finito, mas a ideia de gastá-lo todo era incompreensível.
Você teria que comprar uma frota de naves espaciais ou um planeta de verdade até mesmo para começar a gastá-lo todo. Tive que sorrir para mim mesma com a ideia do Zac indo para a NASA e escolhendo naves tão casualmente como se estivesse em um supermercado.
Apesar de que era estranho. Para alguém que era rico por tanto tempo assim, ele não parecia confortável com isso. Era bastante curioso, não?
Mas eu não podia preocupar-me com isso agora. Agora, eu tinha que me concentrar em como raios eu iria sobreviver convivendo 24 horas por dia com a tentação que seria a vida com o Zac.

Tornou-se algo normal almoçarmos juntos no trabalho. Chegou a um ponto em que ele nem precisava mais me chamar; eu já tinha o hábito de levantar-me e ir até o escritório dele todos os dias as onze e meia, e uma Monique sutilmente carrancuda anotava nossos pedidos. Ele deve ter comido em todos os lugares em um raio de quinze quilômetros. Ele sempre tinha recomendações e elas sempre eram boas.
Em pouco tempo, ele já me cumprimentava com um beijo na bochecha, bem na frente da Monique. Eu podia praticamente senti-la tentando estrangular-me com sua mente. Estranhamente, tudo o que eu sentia era triunfo.

- Sabe - falei para ele um dia, enquanto comíamos um prato de falafel e shawarma - todas as mulheres do escritório absolutamente me odeiam agora. - Ele olhou-me. - E alguns homens também. - Ele apenas riu.
- Isso não é nada legal da parte deles.
- Eu mal posso esperar as reações quando nós ficarmos... Noivos. - eu ainda tinha dificuldades em pronunciar a palavra. - Eu vou precisar de escolta policial só pra chegar até a máquina copiadora.
- Olhares furiosos não são letais de verdade, sabia? - Ele partiu um pedaço de pão pita e mergulhou em um pouquinho de húmus. - Mesmo se forem fulminantes.
- Eu acho que não.
- Você vai contar pros seus pais? - Aí estava. Eu ficava tentando ignorar essa pergunta, mas precisaria confrontá-la alguma hora.
- Não tenho certeza - admiti, empurrando algumas alfaces ao redor do meu prato. - Na verdade, a gente não conversa faz um tempo. Se eu ligar pra eles de repente, e disser que eu estou noiva...
- Uma hora eles vão descobrir, não vão? De um jeito ou de outro. Não é melhor ficarem sabendo direto de você?

Ele tinha razão. O contrato estipulava mesmo que eu precisava mudar meu status de relacionamento em qualquer rede social, o que era algo até razoável, e eu era “amiga” virtual de várias pessoas que conheciam meus pais. Não tinha chance alguma de fugir disso. A verdade era que eu havia mantido a maioria dos meus relacionamentos em segredo dos meus pais. Eles ficavam sondando e criticando a maioria das coisas que eu fazia e eu nunca queria passar por todo o transtorno de tentar apresentá-los a alguém, somente para mais tarde informá-los que havíamos terminado. “Mas por quê? O que aconteceu? O que você fez? Você disse algo que afugentou o rapaz? Talvez se você perdesse um pouco de peso... Quer dizer, você é uma garota atraente, mas a competição está feroz por aí...” Estremeci um pouco. A ideia de informá-los de que eu iria casar com um bilionário só para avisá-los em um ano que estávamos divorciando-nos, era horripilante. Mas eu não tinha escolha, se eu quisesse continuar com isso. Certamente valia a pena aturar alguns telefonemas desagradáveis por dois milhões de dólares.
Terminamos de almoçar em silêncio naquele dia. Zac sabia que tinha cutucado uma ferida e não falou mais sobre o assunto. Ao final do expediente na sexta-feira, ele foi ao meu cubículo bem quando eu estava arrumando minhas coisas. Ainda bem que Ashley já havia ido embora.

- Gostaria de te levar pra jantar essa noite - ele falou, e havia algo muito significativo em seus olhos. Ai, meu Deus. Era agora, não era? Ele iria pedir-me em casamento. Em público, certamente. Ele precisava chamar a atenção.
- Tudo bem - falei, com o coração já palpitando no peito.

- Esteja pronta às sete horas.

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Cheguei!!! rsrsrs
Desculpem a demora, mas prometo postar o próximo em breve!
Lembre-se: 5 coments.


terça-feira, 1 de setembro de 2015

CAPÍTULO 7


 - Isso foi um comentário ou uma pergunta? – O encarei.
- Apenas escolha uma - ele disse, ainda olhando para o papel.
- Ah, tá bom - falei. - De quatro? Tem tipo, um termo científico pra isso? Ou com mais classe?
- Acho que não! - ele murmurou, rabiscando alguma coisa.
- Espero que você esteja realmente escrevendo ‘de quatro’ então - falei, desejando parar de ficar extremamente vermelha, mesmo que não parecesse haver qualquer perigo iminente de que ele fosse olhar para cima. Eu estava errada, ele então olhou para mim, franzindo as sobrancelhas.
- Eu não estou escrevendo nada disso - ele disse, rispidamente. - E você também não vai.
- Jesus. - Levantei as mãos. - Você está me vendo anotar alguma coisa?
- Desculpe. - Ele brincou com a própria caneta por um momento. - É que eu não consigo nem enfatizar como é importante que não tenhamos qualquer registro anotado de nada disso. Estou anotando coisas que me irão ajudar a lembrar o que decidimos aqui, mas ninguém mais seria capaz de interpretá-las. Mesmo assim, não deixarei que este caderno saia da minha vista.
- Eu sei - respondi. - Acredite, eu não quero terminar na cadeia por conspiração criminosa. - Ele riu.
- Alguém andou pesquisando.
- Só queria saber qual era a pior coisa que poderia acontecer.
- Não vai chegar a esse ponto se formos cuidadosos. - Ele limpou a garganta. - Tudo bem. Eles costumam perguntar bastante sobre o tipo de contraceptivo que usamos. Você usa alguma coisa que eu deveria saber? - Fiz que não.
- Camisinha, então - ele falou. - De que tipo? - Achei engraçado.
- Que tipo de camisinha? – Perguntei rindo.
- É exatamente este tipo de detalhe que eles vão perguntar - ele disse, pacientemente. - Simples de responder se você estiver sendo honesto, mas muito difícil se você estiver mentindo.
- Tudo bem. Não me importo. Pode ser do tipo que você normalmente usa. - Ele hesitou.
- Talvez fosse melhor dizer que estamos planejando em ter filhos o quanto antes.
- Você não acha que já está exagerando? - Ele estava roendo unha.
- Melhor eles pensarem que estamos melosamente apaixonados, e que somos perigosamente irresponsáveis, do que pensarem que estamos fingindo.
- Tá bom. - ele folheou as páginas anteriores do bloquinho.
- Acho que isso era tudo que precisávamos verificar. Vamos rever de tempos em tempos. Não devemos ser intimados para uma entrevista até que eu apresente a papelada, mas é melhor estarmos preparados.
- Claro! - falei. Ele levantou, colocando o bloquinho no bolso.
- Você prefere esperar até que estejamos casados para se mudar?
- Ah, sim. Por favor. - Nem mesmo considerei que ele poderia sugerir o contrário, e a ideia de compartilharmos tamanha proximidade deixava-me arrepiada. Era um apartamento grande. Mas ainda era um apartamento. Um apartamento onde em breve eu estaria morando com ele, por um ano inteiro.
Ele pareceu um pouco surpreso. - Eu só preciso de um pouco mais de tempo - falei, rapidamente. - Para ajeitar as coisas. Você sabe. Meu aluguel e tudo mais. - Ele franziu as sobrancelhas.
- Eu pago o que falta - ele disse. - Se é esse o problema.
- Eu não estou pronta! Se eu tiver outro problema que pode ser resolvido com dinheiro, você será o primeiro, a saber. - Zac recuou.
- Claro - ele disse, calmamente. - Desculpe.

Observei enquanto ele desaparecia pelas escadas até seu quarto, deixando-me sozinha no sofá com meus pensamentos. Senti-me um pouco enjoada, triste e inquieta. Eu não gostava de magoá-lo, mas ele precisava fazer um esforço para entender como essa situação seria estranha para mim. Tudo o que importava para ele era o objetivo final; com os olhos fixos no prêmio, ele parecia não perceber que estava pedindo-me para desistir de toda a minha vida.
Os minutos foram passando, marcados pelo relógio ultramoderno sobre a lareira. Levantei e fui em direção à escada, porque não sabia mais o que fazer. O percurso pareceu ter durado uma eternidade, e eu estava extremamente consciente do som de cada passo. Quando finalmente cheguei ao topo, olhei para uma pequena sala de estar na parte aberta do apartamento, onde havia dois pequenos sofás um de frente para o outro com uma mesinha de centro entre eles. Finalmente olhei para a porta do quarto dele, que estava aberta.
Ele estava sentado na beira de uma enorme cama, tão alta que seus pés balançavam. Ele levantou a cabeça quando entrei, e pela primeira vez, notei o estresse e a exaustão que estavam gravados em seu rosto. Ou talvez esta fosse a primeira vez que ele tinha me deixado perceber.

- Desculpe - falei. - Mas isso é estranho. - Ele concordou, suspirando, enquanto passava os dedos pelo cabelo. Neste exato momento, ele estava há milhas de distância do homem de negócios perfeitamente arrumado que conhecia no trabalho, aquele cuja mão eu havia apertado para selar nosso estranho acordo.
- Não quero pressioná-la a fazer nada que a deixe desconfortável - ele finalmente disse. - Você sabe disso, não sabe? Só porque estou te pagando... O que estou tentando dizer é que você não deveria sentir-se obrigada.
- Tudo bem - falei, rindo um pouco. Não consegui evitar.
- O que foi?
- Você sabe que isso é impossível, certo? - Olhei nos olhos dele. Ele realmente não parecia entender onde eu queria chegar. - Com a quantidade de dinheiro que você está me dando, como eu possivelmente posso não me sentir obrigada? - ele balançou a cabeça.
- Você precisa parar de pensar nesses termos. Sei que é, sei que é difícil. A natureza do que estamos fazendo é tão, tão ahn... Se eu achasse que tinha outro jeito, acredite, eu faria. Mas não conseguiremos nos passar por um verdadeiro casal se não vivermos com um. E por causa disso, acho que as coisas tendem a ficar confusas. - ele estava esforçando-se para encontrar as palavras certas.
- É como conversamos anteriormente, sobre não deixarmos as coisas muito pessoais. – falei e ele me lançou um sorriso cansado.
- O que não é possível. Acho que estamos aprendendo isso.
- Ei, eu acredito em nós dois. - coloquei minha mão em seu ombro, e senti seus músculos sob ela. O gesto surpreendeu até a mim, mas pareceu certo. - Conseguiremos ser tão impessoais e robóticos possíveis enquanto fingimos estar loucamente apaixonados. - Zac riu e tirei minha mão devagar. - Tenho certeza que sairemos disso intactos. Provavelmente não vamos nos matar. E talvez até continuemos amigos. - ele desviou o olhar, um sorriso surgindo em seus lábios.
- Por que raios você iria querer ser minha amiga? - a pergunta foi dirigida mais a ele mesmo do que a mim, mas eu não poderia ignorá-la.
- O que você quer dizer com isso? -cutuquei-o, empurrando-o gentilmente com o ombro, já que estávamos sentados um ao lado do outro na cama. Normalmente eu não tinha todo esse contato físico com pessoas quase estranhas, mas a essa altura, percebi que poderia muito bem acostumar-me a tocá-lo. Ele ainda estava olhando para o tapete.
- Nessa, se você algum dia precisar de um favor, claro que eu vou ajudá-la. Eu não espero que você me ligue no meu aniversário por causa disso. - Não sabia o que dizer. Este era um lado dele que eu jamais esperava ver. Não é à toa que ele ficou tão chateado com o que eu falei na sala de estar. Havia realmente uma parte dele que via a conta bancária como sua única vantagem como pessoa.
- Não seja ridículo! - foi o que finalmente consegui dizer. Não era o ideal, mas tinha que servir. De repente, fiquei extremamente consciente da eletricidade que crepitava no espaço entre nós. Estávamos sentados numa cama. Seria fácil simplesmente inclinar-me sobre ele e pressionar meus lábios sobre os dele, e eu tinha quase certeza de que ele não iria resistir a mim. Eu poderia ter o que quisesse se tivesse coragem de ir atrás. Mas e se ele resistisse?

E se ele se afastasse, dizendo não, não, Nessa. Não acho que isso seja uma boa ideia. Porque não era. Mas uma parte de mim sempre acreditaria que tinha sido porque eu não era boa o suficiente para ele. Meu ego era muito frágil. Eu não poderia arriscá-lo. Mas e se ele não resistisse?

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Data especial, capítulo especial!
Espero que vocês tenham gostado do capítulo!
Até breve!