segunda-feira, 21 de setembro de 2015

CAPÍTULO 9

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O vestido azul meia-noite ainda estava no saco plástico da lavanderia, pendurado no fundo do meu armário. Não esperava precisar dele novamente tão cedo. Peguei-o assim que cheguei em casa, tomei um banho bem rápido, sequei o cabelo e o vesti. Eu não estava pronta para isso. Mas não era como se tivesse escolha. Coloquei o colar e os brincos, pensando o que deveria fazer com o cabelo. Simplesmente deixá-lo solto não parecia ser apropriado para a ocasião, mas ele era teimoso. Se eu tentasse dar um jeito de prendê-lo, precisaria ajeitá-lo a noite toda. A desvantagem de ter um cabelo naturalmente grosso e brilhante é que era pesado e escorregadio. Não conseguia encontrar um elástico ou presilha que pudesse segurá-lo e eu odiava laquê de todo meu coração.
Não faria nada com ele, então. Escovei-o todo e deixei-o cair pelos meus ombros, torcendo para não parecer terrivelmente inadequada em qualquer restaurante insanamente caro que ele fosse me levar.
O motorista era pontual como sempre, e desta vez, fiquei surpresa em ver Zac já no banco de trás esperando por mim.

- Olá, Nessa! - ele disse, olhando-me com aprovação. Com certeza era fingimento. Nenhuma namorada dele usaria o mesmo vestido mais de uma vez. Mas como ele não disse uma palavra sobre isso, tentei não me preocupar.
- Desculpa - murmurei, enquanto ajeitava-me perto dele no assento. - É a única coisa chique que eu tenho.
- Não se preocupa - ele falou. - Você continua estonteante como sempre. - Virei os olhos. O motorista estava observando-nos - Essa aqui não consegue aceitar um elogio com elegância - brincou Zac. - É trágico.
- Você precisa dar um jeito nisso, senhor.
- Eu vou dar John. Não se preocupa.

Enterrei-me mais fundo no couro italiano e tentei não parecer desprezível. Havia algo diferente no tom de sua voz. Algo um pouco distante, talvez. Indiferente? Até mesmo frio. Estava começando a encaixar as peças, como ele deveria viver boa parte de sua vida, ou talvez toda sua vida, esforçando-se para atender às expectativas que eram colocadas nele. Pobre garoto rico. Sorri para mim mesma. Eu estava mesmo tentando sentir pena dele? Do homem que poderia comprar uma nave espacial? Cara, eu estava mesmo ficando obcecada por essas naves espaciais. Talvez fosse a lua de verão brilhando forte demais toda noite que me deixou obcecada por viagens espaciais.

- Você queria ir pra lua quando era criança? - deixei escapar, olhando para ele. Seu rosto abriu um sorriso.
- O quê?
- É uma pergunta simples. Você já quis ir pra lua? - Ele deu de ombros.
- É só uma rocha. Uma rocha gigante solta no meio do nada. O que tem lá pra ver?
- Agora você sabe disso. Mas quando você era criança. Você nunca olhou pra ela e ficou maravilhado de ver como ela estava próxima e pensou cara, eu queria muito ir até lá. Parece que está tão perto, como se a gente pudesse pular no carro e chegar até lá em alguns minutos. - Olhei pela janela; era quase lua cheia, ela estava grande, redonda e brilhava bem acima dos prédios mais altos. - Não parece?
- Pra falar a verdade... - ele apertou os olhos para vê-la. - Bom. Talvez.
- Viu? Eu costumava me imaginar subindo nas árvores mais altas em volta da minha casa pra tentar chegar lá. Sabia que não ia dar certo, mesmo quando eu era pequena, mas eu queria tanto ir lá. Só por ir mesmo. Não sei por que. Eu sei que não tem nada lá. É que eu só queria poder vivenciar isso, uma vez na vida.
- Bom, sabe, o turismo espacial está se desenvolvendo enquanto a gente conversa. Você ainda pode ter chance.

Droga, ele estava certo. Se eu soubesse cuidar dos lucros que ia ter com todo esse empreendimento, poderia mesmo conseguir pagar uma viagem para a lua algum dia. Que ideia louca.

- Eu com certeza vou colocar isso na minha lista de presentes pro Natal - brinquei, recostando-me em meu assento.

O passeio de carro foi curto, levando-nos a um lugar no centro da cidade por onde passei muitas vezes, nunca considerando a possibilidade que poderia comer ali algum dia. Era chique e elegante, muito mais parecido com o que eu esperava para o nosso primeiro encontro. Enquanto o restaurante do hotel era adorável e confortável, este parecia mais com o tipo de lugar onde um homem de negócios muito poderoso pediria em casamento sua esposa top model. Ou eu, como era o caso.
Quando paramos em frente ao local, Zac pulou para fora do carro e rapidamente correu até o meu lado, abrindo a porta antes que eu tivesse a chance de fazê-lo. Ele deu-me sua mão para me ajudar a sair. Enquanto subíamos as escadas que levava à entrada, podia sentir que me olhavam. Eu devia mesmo ter feito o cabelo. O recepcionista olhou-nos e sorriu quando entramos.

- Sr. Efron, sua mesa é por aqui. Por favor, venham comigo.

Nunca me havia sentido tão estranha na vida. Ao andar entre as cabines e mesas do restaurante mais chique da cidade, tentava manter os olhos focados na parede logo a minha frente, mas sabia que as pessoas estavam olhando-me. É claro que estavam. Quem não olharia?
Parecia uma menininha brincando de vestir as roupas chiques da mamãe. Era absurdo pensar que eu me adaptaria a um ambiente como este. Não importa quanto dinheiro Zac gastaria comigo, eu sempre me destacaria como alguém que estava apenas fingindo ser o que não é.

- Aqui está, senhor. Madame. - O recepcionista entregou-nos os cardápios. - O garçom logo vem atender vocês.
- Obrigado, Tom. - Zac colocou o cardápio na mesa, sem abri-lo. - Ante de você escolher qualquer coisa, eu recomendo esperar pra ouvir os especiais do dia. É sempre algo da época e o mais fresco possível.
- Obrigada - falei. - Eu não queria mesmo olhar o cardápio. Além disso, eu nem estava com vontade de comer.

O garçom veio logo em seguida, tagarelando sobre algo refogado e algo cultivado localmente. Pedi uma coisa que mal entendi o que era e ele logo voltou com uma garrafa de vinho branco. Enquanto ele servia-nos uma taça, forcei um sorriso para Zac, bem consciente de que estávamos sendo observados. Com sorte, se eu parecesse estranha, pensariam que era a ansiedade de uma mulher que estava esperando um pedido de casamento, mas ainda não tinha certeza se iria acontecer ou não.

- Belo lugar, não? - Zac perguntou e percebi que eu não falava nada há algum tempo.
- É - respondi. - É muito... Muito chique.
- Não é o tipo de lugar onde você come todos os dias. - Zac serviu-se de outra taça de vinho. - Mas é legal pra ocasiões especiais.
- Você poderia comer aqui todos os dias - falei. - Se você quisesse.

Ele olhou para o guardanapo, desdobrando-o e estendendo-o sobre o colo com uma lentidão exagerada para que não precisasse olhar-me nos olhos. Para alguém que estivesse escutando, provavelmente pareceria um comentário inocente, mas ambos sabíamos que tinha sido calculado para irritá-lo.

Ele não falou mais nada até nossos pratos chegarem. Eu pedi um tipo de peixe que estava perfeito, fresco e macio, com aspargos crocantes e risoto de acompanhamento. Comi o máximo que consegui, embora tudo parecesse virar areia em minha boca. Minha garganta estava muito seca. Terminei de beber o vinho e Zac fez um gesto pedindo outra garrafa. Após nossos pratos terem sido retirados e termos pedido a sobremesa, ele finalmente parecia ter relaxado um pouco. Começou a conversar de novo como se fôssemos realmente apenas um casal em um encontro.

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Desculpem a demora!
Tive alguns probleminhas com a net essa semana, mas agora está tudo resolvido!
Como pedido de desculpas, postarei o próximo capítulo a noite, com ou sem comentários ;)
- L

2 comentários:

  1. Mega ansiosa pra saber o que vai rolar nesse jantar... Esses dois estão muito distantes um do outro, não vejo a hora deles ficarem mais íntimos e carinhosos um com o outro...
    Já estou contando as horas pra mais tarde Hahaha
    Beijoos

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  2. Ahhhh será que e hj que ele vai pedir ela em casamento?? E o primeiro beijo rola quando????? Aaaaaa posta maissss

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