terça-feira, 1 de setembro de 2015

CAPÍTULO 7


 - Isso foi um comentário ou uma pergunta? – O encarei.
- Apenas escolha uma - ele disse, ainda olhando para o papel.
- Ah, tá bom - falei. - De quatro? Tem tipo, um termo científico pra isso? Ou com mais classe?
- Acho que não! - ele murmurou, rabiscando alguma coisa.
- Espero que você esteja realmente escrevendo ‘de quatro’ então - falei, desejando parar de ficar extremamente vermelha, mesmo que não parecesse haver qualquer perigo iminente de que ele fosse olhar para cima. Eu estava errada, ele então olhou para mim, franzindo as sobrancelhas.
- Eu não estou escrevendo nada disso - ele disse, rispidamente. - E você também não vai.
- Jesus. - Levantei as mãos. - Você está me vendo anotar alguma coisa?
- Desculpe. - Ele brincou com a própria caneta por um momento. - É que eu não consigo nem enfatizar como é importante que não tenhamos qualquer registro anotado de nada disso. Estou anotando coisas que me irão ajudar a lembrar o que decidimos aqui, mas ninguém mais seria capaz de interpretá-las. Mesmo assim, não deixarei que este caderno saia da minha vista.
- Eu sei - respondi. - Acredite, eu não quero terminar na cadeia por conspiração criminosa. - Ele riu.
- Alguém andou pesquisando.
- Só queria saber qual era a pior coisa que poderia acontecer.
- Não vai chegar a esse ponto se formos cuidadosos. - Ele limpou a garganta. - Tudo bem. Eles costumam perguntar bastante sobre o tipo de contraceptivo que usamos. Você usa alguma coisa que eu deveria saber? - Fiz que não.
- Camisinha, então - ele falou. - De que tipo? - Achei engraçado.
- Que tipo de camisinha? – Perguntei rindo.
- É exatamente este tipo de detalhe que eles vão perguntar - ele disse, pacientemente. - Simples de responder se você estiver sendo honesto, mas muito difícil se você estiver mentindo.
- Tudo bem. Não me importo. Pode ser do tipo que você normalmente usa. - Ele hesitou.
- Talvez fosse melhor dizer que estamos planejando em ter filhos o quanto antes.
- Você não acha que já está exagerando? - Ele estava roendo unha.
- Melhor eles pensarem que estamos melosamente apaixonados, e que somos perigosamente irresponsáveis, do que pensarem que estamos fingindo.
- Tá bom. - ele folheou as páginas anteriores do bloquinho.
- Acho que isso era tudo que precisávamos verificar. Vamos rever de tempos em tempos. Não devemos ser intimados para uma entrevista até que eu apresente a papelada, mas é melhor estarmos preparados.
- Claro! - falei. Ele levantou, colocando o bloquinho no bolso.
- Você prefere esperar até que estejamos casados para se mudar?
- Ah, sim. Por favor. - Nem mesmo considerei que ele poderia sugerir o contrário, e a ideia de compartilharmos tamanha proximidade deixava-me arrepiada. Era um apartamento grande. Mas ainda era um apartamento. Um apartamento onde em breve eu estaria morando com ele, por um ano inteiro.
Ele pareceu um pouco surpreso. - Eu só preciso de um pouco mais de tempo - falei, rapidamente. - Para ajeitar as coisas. Você sabe. Meu aluguel e tudo mais. - Ele franziu as sobrancelhas.
- Eu pago o que falta - ele disse. - Se é esse o problema.
- Eu não estou pronta! Se eu tiver outro problema que pode ser resolvido com dinheiro, você será o primeiro, a saber. - Zac recuou.
- Claro - ele disse, calmamente. - Desculpe.

Observei enquanto ele desaparecia pelas escadas até seu quarto, deixando-me sozinha no sofá com meus pensamentos. Senti-me um pouco enjoada, triste e inquieta. Eu não gostava de magoá-lo, mas ele precisava fazer um esforço para entender como essa situação seria estranha para mim. Tudo o que importava para ele era o objetivo final; com os olhos fixos no prêmio, ele parecia não perceber que estava pedindo-me para desistir de toda a minha vida.
Os minutos foram passando, marcados pelo relógio ultramoderno sobre a lareira. Levantei e fui em direção à escada, porque não sabia mais o que fazer. O percurso pareceu ter durado uma eternidade, e eu estava extremamente consciente do som de cada passo. Quando finalmente cheguei ao topo, olhei para uma pequena sala de estar na parte aberta do apartamento, onde havia dois pequenos sofás um de frente para o outro com uma mesinha de centro entre eles. Finalmente olhei para a porta do quarto dele, que estava aberta.
Ele estava sentado na beira de uma enorme cama, tão alta que seus pés balançavam. Ele levantou a cabeça quando entrei, e pela primeira vez, notei o estresse e a exaustão que estavam gravados em seu rosto. Ou talvez esta fosse a primeira vez que ele tinha me deixado perceber.

- Desculpe - falei. - Mas isso é estranho. - Ele concordou, suspirando, enquanto passava os dedos pelo cabelo. Neste exato momento, ele estava há milhas de distância do homem de negócios perfeitamente arrumado que conhecia no trabalho, aquele cuja mão eu havia apertado para selar nosso estranho acordo.
- Não quero pressioná-la a fazer nada que a deixe desconfortável - ele finalmente disse. - Você sabe disso, não sabe? Só porque estou te pagando... O que estou tentando dizer é que você não deveria sentir-se obrigada.
- Tudo bem - falei, rindo um pouco. Não consegui evitar.
- O que foi?
- Você sabe que isso é impossível, certo? - Olhei nos olhos dele. Ele realmente não parecia entender onde eu queria chegar. - Com a quantidade de dinheiro que você está me dando, como eu possivelmente posso não me sentir obrigada? - ele balançou a cabeça.
- Você precisa parar de pensar nesses termos. Sei que é, sei que é difícil. A natureza do que estamos fazendo é tão, tão ahn... Se eu achasse que tinha outro jeito, acredite, eu faria. Mas não conseguiremos nos passar por um verdadeiro casal se não vivermos com um. E por causa disso, acho que as coisas tendem a ficar confusas. - ele estava esforçando-se para encontrar as palavras certas.
- É como conversamos anteriormente, sobre não deixarmos as coisas muito pessoais. – falei e ele me lançou um sorriso cansado.
- O que não é possível. Acho que estamos aprendendo isso.
- Ei, eu acredito em nós dois. - coloquei minha mão em seu ombro, e senti seus músculos sob ela. O gesto surpreendeu até a mim, mas pareceu certo. - Conseguiremos ser tão impessoais e robóticos possíveis enquanto fingimos estar loucamente apaixonados. - Zac riu e tirei minha mão devagar. - Tenho certeza que sairemos disso intactos. Provavelmente não vamos nos matar. E talvez até continuemos amigos. - ele desviou o olhar, um sorriso surgindo em seus lábios.
- Por que raios você iria querer ser minha amiga? - a pergunta foi dirigida mais a ele mesmo do que a mim, mas eu não poderia ignorá-la.
- O que você quer dizer com isso? -cutuquei-o, empurrando-o gentilmente com o ombro, já que estávamos sentados um ao lado do outro na cama. Normalmente eu não tinha todo esse contato físico com pessoas quase estranhas, mas a essa altura, percebi que poderia muito bem acostumar-me a tocá-lo. Ele ainda estava olhando para o tapete.
- Nessa, se você algum dia precisar de um favor, claro que eu vou ajudá-la. Eu não espero que você me ligue no meu aniversário por causa disso. - Não sabia o que dizer. Este era um lado dele que eu jamais esperava ver. Não é à toa que ele ficou tão chateado com o que eu falei na sala de estar. Havia realmente uma parte dele que via a conta bancária como sua única vantagem como pessoa.
- Não seja ridículo! - foi o que finalmente consegui dizer. Não era o ideal, mas tinha que servir. De repente, fiquei extremamente consciente da eletricidade que crepitava no espaço entre nós. Estávamos sentados numa cama. Seria fácil simplesmente inclinar-me sobre ele e pressionar meus lábios sobre os dele, e eu tinha quase certeza de que ele não iria resistir a mim. Eu poderia ter o que quisesse se tivesse coragem de ir atrás. Mas e se ele resistisse?

E se ele se afastasse, dizendo não, não, Nessa. Não acho que isso seja uma boa ideia. Porque não era. Mas uma parte de mim sempre acreditaria que tinha sido porque eu não era boa o suficiente para ele. Meu ego era muito frágil. Eu não poderia arriscá-lo. Mas e se ele não resistisse?

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Data especial, capítulo especial!
Espero que vocês tenham gostado do capítulo!
Até breve!


5 comentários:

  1. Ai que lindo o capitulo e tenho certeza que o Zac não vai resistir a Vane.
    Posta mais e não demore a fic ta perfeita

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  2. Ai eu amei muito esse capítulo.
    Parte logo pra cima dele, Vanessa.
    Kkkk...certeza que o Zac não vai recuar.
    Data especial e triste hoje em dia. ;-(
    Não demore a postar. Pleaseee.
    Bjos

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  3. Perfeito. Posta maisss

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