terça-feira, 20 de outubro de 2015

THE FINISH


Acordei devagar, com o sol espreitando pela cortina. Mexendo-me na cama, percebi que estava envolvida por um abraço apertado.

            - Bom dia - Zac sussurrou em meu ouvido. Sorri, lentamente.
            - Bom dia - consegui dizer, enquanto ele dava beijos suaves e persistentes na minha bochecha. Virei para olhá-lo e nem reclamei quando ele beijou-me na boca.

A corda cor de vinho ainda estava jogada no chão onde havíamos deixado, após as atividades da noite passada. Com o tempo, ela tinha ficado mais macia e maleável. Lembrei-me de como ela me havia feito sentir, apenas algumas horas antes e estremeci com o calor de sua pele. Seus dedos percorriam meu corpo com um leve toque, fazendo surgir um fogo bem devagar por dentro. Ainda estava ardida pela noite passada, mas aparentemente ainda não havia tido o suficiente. Achei que ele sabia exatamente como me tocar na primeira vez que ficamos juntos, mas ele ficava cada vez melhor em decifrar meu corpo e dar-me o que eu queria, geralmente antes de eu mesma saber o que era. Seus dedos escorregavam entre minhas dobras, provocando-me. Testando-me.
Deslizei as pernas até o quadril dele, ficando bem aberta. Ele sorriu, e senti algo duro cutucando-me.
Ainda estava sonolenta, mas meu corpo estava bem acordado e pronto. Inclinei a cabeça para trás, enquanto ele deslizava para dentro de mim, de forma agonizantemente devagar, mas tão perfeitamente satisfatória. Ele me preenchia da mesma forma como sempre fazia, mas a sensação da pele dele sobre a minha ainda era nova, ainda era intoxicante. Eu girava os quadris com os movimentos dele. Ele colocou as mãos para baixo, para me acariciar, seus dedos massageando devagar em círculos exatamente onde eu precisava. Emiti um som baixinho, minhas pálpebras começando a pesar. Ele tinha atingido o ponto certo, e sabia disso.
Às vezes fazíamos umas brincadeiras – com cordas e algemas, fingindo ser pessoas que não éramos. Às vezes ele levava-me até o limite e me puxava de volta, sem parar, apenas para se afirmar, para lembrar-me de que eu podia controlar meu próprio corpo se ele exigisse isso de mim. E eu passei a adorar essas brincadeiras. Por mais frustrantes que pudessem ser, elas eram reconfortantes. Confiáveis. Íntimas.
Mas às vezes, não fazíamos brincadeiras.  Às vezes éramos apenas nós dois, sem artifícios. Sem consolos ou desculpas. Eu não diria necessariamente que preferia um jeito ao outro, mas era muito bom ter os dois. Nesta manhã, éramos apenas nós dois. Ele era meu marido, não meu chefe bilionário que uma vez havia tentado comprar um ano da minha vida. Este era nosso passado. Até recentemente, nosso futuro era incerto. Mas agora estava claro que não havia mais necessidade de um contrato para manter-nos juntos.
Eu derretia ao seu toque, perdia o ar e estremecia em seus braços. Eu nunca tinha entendido como ele conseguia reduzir-me a isso apenas com o ritmo devagar, constante de sua mão, mas certamente eu não reclamaria.
Então, num piscar de olhos, derreti-me. Em algum momento em meio ao prazer, senti-o metendo bem fundo, uma última vez, sua boca aberta conectada ao meu ombro, os dentes afundando o suficiente para deixar uma marca vermelha.
Quando recobrei os sentidos, Zac estava sorrindo e acariciando meu cabelo. Ele beijou a ponta do meu nariz, e fez uma careta.

            - Feliz aniversário de casamento - ele disse, com a voz ainda rouca de sono. Sorri.
            - Já faz um ano?
            - Eu sei - ele respondeu, agarrando meu cabelo. - É uma pena, né? Eu não comando mais você.
            - Vamos pedir pra sua advogada inventar algo novo - brinquei. Ele riu.
            - Eu te amo, meu amor. – disse beijando minha testa.
            - Eu também te amo - sussurrei, contra seu peito. Fechei os olhos, e apenas respirei.


Fim.


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Chegou ao fim :/
Deixem as sua opiniões nos coments.
Mas agora, vamos para os esclarecimentos.
Bom, quero agradecer a todos que me acompanham deste " Believe In Zanessa" (minha obra prima rsrs). Aos que chegaram no percurso desta caminhada, o meu mais sincero obrigado.
Mas chegou o fim!
Isso mesmo galera. Não postarei mais. Não posso dizer nunca mais - vai que eu apareço com uma mini fic por aqui rsrs.
Enfim, obrigado a todos. 
Nossa caminhada se encerra aqui.
Beijos e abraços.
- L

  

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CAPÍTULO 22

·       
Brittany chegou sexta-feira à noite, cheia de sorrisos e brincadeiras, como sempre. Ela abraçou-me forte, então prontamente nos levou para jantar e pagou tantas bebidas para nós que conseguimos até agir como um casal de novo.
Zac foi para a cama mais cedo, deixando eu e Brittany sentadas no sofá, conversando baixinho sobre qualquer coisa que viesse à cabeça. Ela conseguiu arrumar outro cliente grande que era ainda mais insuportável que o último, então nós rimos das suas histórias por um tempo enquanto escutávamos o tique-taque do relógio baixinho ao fundo. Depois de um momento de silêncio, ela mudou de assunto.

            - Está tudo bem entre vocês dois? - Hesitei. Obviamente, não estávamos fingindo tão bem quanto pensávamos.
            - Acho que sim - falei apesar de isso estar muito longe da verdade. - Só está um pouco difícil agora. Eu não sei bem o motivo.
            - O Z costuma trazer o estresse do trabalho pra casa junto com ele. - Brittany disse, esticando as pernas à sua frente. - Ele não consegue deixar isso pra trás. Eu sei que não deve ser fácil pra você.
            - É - concordei, vagamente, abraçando os joelhos contra o peito. A vontade de falar a verdade para ela estava quase acabando comigo. Estava entalada na minha garganta. Mas eu não podia.
            - Ei, você está com fome? - Brittany olhou para o relógio. - Meu Deus. Já faz muito tempo que a gente jantou. Não é de se admirar. Acho que eu vou pedir uma pizza, você quer?
            - Quero, eu acho. Qualquer uma. Eu não tenho preferência.

Fiquei brincando com um fio solto da minha camiseta enquanto Brittany fazia a ligação. Estava tentando pensar em um jeito de conseguir alguns conselhos dela sem ter que contar o que estava acontecendo de verdade. A oportunidade de obter sua perspectiva única sobre o comportamento do Zac era muito tentadora. Quando ela se sentou, eu já tinha algo preparado para dizer.

            - Você já sentiu como se o Zac fosse meio... Distante?
            - Ah, o tempo todo - Brittany respondeu. - Ele só está tentando se proteger, não sei por que, mas sempre achei que ele baixa a guarda perto de você.
            - Talvez não tanto quanto eu pensava - admiti. - Às vezes é como se eu não conseguisse decifrar o
Zac. Eu não faço ideia do que ele quer de mim. - Brittany fazia que sim, devagar.
            - Não é fácil - ela disse. - Eu queria ter uma resposta simples pra você, mas nem eu consigo fazer ele se abrir, na maioria das vezes. Ele precisa se resolver sozinho. A maioria das pessoas consegue, na verdade. Aquele lá é como uma noz dura de quebrar. - A campainha tocou. - Nossa, que rápido! - Brittany comentou, levantando-se. - Alguém vai ganhar uma ótima gorjeta.

Ela abriu a porta. Uma voz entrou na sala, vinda do corredor: - Onde ele está?
Meu coração quase saiu pela boca.  Ashley entrou como um raio, despenteada e encharcada pela chuva, pingando por toda a sala.
Devo ter olhado atônita para ela. Mesmo eu já sabendo sobre tudo, ainda não conseguia conciliar a imagem dela, assim enlouquecida, com a mulher que eu conhecia.

            - Porra, quem é você? - Brittany perguntou. Ashley já estava correndo até a escada. Brittany correu atrás dela, agarrando seu braço e arrastando-a de volta. - Ei, ei, ei, calma aí, sua maluca. Aonde exatamente você pensa que vai? - Ashley se contorceu, com os olhos perigosamente selvagens.
            - Eu preciso falar com ele - insistiu. - Eu preciso falar com o Zac. Ele vai querer falar comigo.
            - Nessa, chama a polícia. - Brittany estava mantendo o controle da situação. - Eu não acho que o Z precisa falar com você, querida.
            - ZAC!

Ashley gritou alto o suficiente para fazer-me recuar. A porta do quarto abriu-se alguns instantes depois. O olhar em seu rosto era inestimável.
Ele desceu correndo as escadas, usando apenas as calças do pijama, mas ainda assim conseguindo parecer incrivelmente ameaçador. Eu de fato até dei um passo para trás quando ele chegou ao andar de baixo, puxando o braço da Ashley das mãos de sua irmã e encarando-a.
           
            - O que você está fazendo aqui? - ele rosnou, com o peito subindo e descendo rapidamente a cada respiração.
            - Eu só precisava ver você – Ashley disse, com a voz bem suave. Sua atitude havia mudado completamente. - A sua amiga aqui me deixou entrar.
            - Eu sou irmã dele - disse Brittany, friamente. - E eu pensei que fosse a pizza.
            - Eu só quero falar com você, Z. Por favor. Não me faça fazer algo que eu vá me arrepender depois.
            A mandíbula de Zac contorceu-se. - Eu não tenho medo de você - ele afirmou.
            - Ah, é? - Os olhos da Ashley miraram Brittany. - Ela já sabe?
            - Não tem nada pra ela saber - respondeu Zac, por entre os dentes cerrados.
            - Claro, eu acho que você tem razão - Ashley respondeu, ainda olhando para Brittany – Presumindo que você já sabe que o casamento dele é uma farsa. - Brittany fechou os olhos por um instante, suspirando longa e profundamente.
            - É claro que eu sei - ela confirmou. - Eu sou a irmã mais velha dele, sua lunática. - todos na sala estavam olhando para ela. - A gente pode falar sobre tudo isso depois - Brittany comentou, com um gesto de desprezo. – O importante é: você vai dar o fora daqui e deixar ele em paz pro resto da sua vida? Por que se não, você vai arrumar um enorme problema.
            - Tá bom - Ashley esbravejou. Zac soltou-a, rudemente, e ela foi rebolando até a porta. – Eu espero que vocês sejam muito felizes juntos.

E então, ela se foi.
Brittany bateu e trancou a porta.

            - Inacreditável - ela disse.
            - Por que você não me disse? - Zac perguntou - Você teria nos poupado de muita coisa.
            - Eu não sei - Brittany respondeu, indignada. - Isso importa? Você é que tem uma porra de casamento falso, irmãozinho.
            - Eu não acredito nisso - disse Zac, mas não havia uma real hostilidade em sua voz.
            - Eu que não acredito nisso - ela rebateu. - Mentindo pra sua própria irmã. Você já devia saber que isso não funciona. Qualquer um que tenha metade do cérebro pode juntar as peças.
            - Bom, pra sua informação, eu consegui a minha cidadania.
            - Bom pra você. Você pode enganar o governo, mas não pode enganar a mim. Mantenha isso em mente, tá bom? - Ela começou a andar em direção ao quarto, mas parou no meio do caminho e virou-se para nos olhar – Ah, a propósito, vocês já perceberam que estão apaixonados de verdade um pelo outro?
           
Depois que ela fechou a porta do quarto de hóspedes, Zac virou-se para mim.

            - Ignora o que ela disse - ele disse. - Ela só está tentando ser detestável. - Olhei para ele.
            - Foi isso o que você sentiu vontade de comentar? Sério?
            - O que é que tem mais pra dizer?

Na verdade, eu não tinha uma resposta para ele. A campainha tocou de novo.

            - Tem que ser a pizza dessa vez - falei.

Zac espiou pelo olho mágico cuidadosamente antes de abrir a porta.
Quando a pizza já estava paga, ele colocou-a na mesa e sentou-se, abrindo a caixa e pegando um pedaço.
            - A Brittany não vai ligar, contanto que a gente deixe um pouco para ela.
            - Você vai comer porque está nervoso? - provoquei, pegando um pedaço para mim.
            - Não - ele respondeu, indignado, com a boca cheia de queijo.
            - Da última vez que a gente comeu pizza juntos não acabou muito bem.
            - Eu me lembro - ele disse, secamente. Ambos mastigamos em silêncio por um momento. - “Eu sei que isso não significa muita coisa agora, mas se eu tivesse a chance de começar isso tudo de novo, faria as coisas de forma diferente - Zac comentou.
            - E casaria com outra pessoa? - sugeri. Ele não disse que não, mas também não disse que sim.
            - Eu deixei tudo subir pra minha cabeça. Eu realmente pensei que...
            - Você realmente pensou que? - instiguei. Ele balançou a cabeça.
            - Não, desculpa. Eu não devia ter dito nada. Eu já fiz você passar por situações indesejadas demais.
            - Ei - falei, gentilmente. - Eu me diverti muito sendo sua esposa. Bom... na maior parte do tempo.
            Ele riu um pouco. - É muito gentil dizer isso.
            - Eu só não quero terminar as coisas prematuramente - continuei. - Quero dizer, você sabe, caso aconteça mais alguma coisa. - Ele fechou os olhos por um instante, e então voltou a falar.
            - Desculpa por ter te chamado de egoísta - Zac falou. - Eu que sou egoísta. Desde o início. Você tem sido tão doce, e gentil, e tolerante diante das situações mais estranhas possíveis. Eu agradeço por tudo o que você tem feito. De verdade. Mas Nessa - ele hesitou, e respirou fundo. - Eu não posso mais ficar perto de você. - Minha pulsação palpitava ensurdecedoramente em meus ouvidos.
            - Por que não?
            - Eu preciso mesmo falar pra você? - Ele olhou para mim, um pouco incrédulo.
            - Eu gostaria muito que você falasse - respondi, com a voz parecendo bem distante.
            - Eu gosto de você! - ele disse, simplesmente. - Só isso. Mais do que qualquer pessoa que eu já namorei de verdade. No início eu pensei que não teria problema, dava um ar de autenticidade pra coisa toda. Não podia me fazer mal o fato de estar um pouco apaixonado, podia? -Belisquei-me.
            - Ah - murmurei. Ele olhou para mim.
            - Você acabou de se beliscar?
            - Não - respondi. - Você está falando sério agora?
            - Claro que eu estou - ele respondeu, gentilmente. - Desculpa, eu pensei que era óbvio.
            - Mas não era - retruquei. - Óbvio. De forma alguma.
            - Bom - ele disse. - Isso é estranho. - Eu ri. Tive que rir.
            - Então você pensou que eu sabia, e estava apenas brincando com as suas emoções pra ir pra cama com você?
            - Não parece muito sensato - ele disse devagar - quando você fala desse jeito.
            - Não parece muito sensato de qualquer jeito - rebati. - Por que raios você iria ficar tão paranóico?
            - Espera aí. Se você não estava brincando comigo, o que era, então? - ele indagou.
            - O que você quer dizer?
            - Você... Você... - Nunca o tinha visto completamente sem palavras.
            - Relaxa. Eu... Eu também gosto de você - admiti, tirando-o de sua aflição. Para ser sincera, a palavra “gostar” não era o suficiente. Mas eu não iria permitir-me falar a verdade. Ainda não.
            - Nessa - ele olhou para mim.
            - Ei, não vamos nos deixar levar desse jeito. A gente se conhece há o que, uns oito meses?
            - E ainda assim, você é minha esposa. - Palavras tão simples saindo de sua boca, mas de repente elas tinham um significado completamente novo.
            - Eu sei - falei. - Mas mesmo assim.
            - Mesmo assim - ele concordou, relaxando os ombros um pouco. Recostei-me no sofá e apoiei-me em Zac, deixando que ele me abraçasse. Igual a um casal de verdade. E pela primeira vez, esse pensamento não veio acompanhado de tristeza.
            - Nessa? - ele disse, depois de um longo silêncio. Mexi-me. - Não conta pra a minha irmã. Ela nunca vai parar de falar sobre como estava certa. - A porta do quarto de hóspedes se abriu.

            - Eu ouvi isso, seu idiota.

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Passando só pra avisar que o próximo será o último, season finale, epílogo, the end, finish...
rsrsrs
Mas, só postarei se tiver 5 comentários aqui em baixo. 
Então vai. 
Escreva qualquer coisa, qualquer coisa mesmo rsrs
Quando atingir 5 comentários eu posto capítulo!
Até breve! 

domingo, 18 de outubro de 2015

CAPÍTULO 21

·        
             - A gente se - ele hesitou por um longo momento. – envolveu, anos atrás. O término foi feio. Nenhum de nós soube conduzir bem o relacionamento, eu acho. Quando ela veio até mim mais tarde procurando um emprego, fiquei na dúvida, é claro, mas eu me sentia mal pelo jeito que tinha tratado ela durante aquela época; como eu poderia rejeitar seu pedido de ajuda? - Ele fechou os olhos ainda tentando processar tudo. Seus olhos se abriram.  – Meu Deus. O French. Eu preciso ir até lá, preciso fazer ele queimar o contrato. Imediatamente.
            - Por favor, não vai matar o cara - falei meio em tom de brincadeira.
            - Você acha que eu quero acrescentar um assassinato à minha lista considerável de crimes? – Ele pegou a jaqueta e as chaves. - Não vá a lugar algum.
            - Por que eu iria?
            - Não sei. Só não vá.

Sozinha com meus pensamentos depois que ele bateu a porta, tentei imaginar que tipo de ressentimento levaria alguém a fazer o que Ashley fez. Eu nem mesmo a contaria entre meus amigos próximos, mas ainda assim estava chocada por ela ter a capacidade de fazer algo desse tipo.
Deitei-me no sofá, olhando para o teto, até que Zac chegou. Ele parecia exausto. Jogou as chaves na mesa e veio até o sofá, desabando próximo aos meus pés.

            - Desculpa por nunca ter te contado - ele se lamentou. - Sobre eu e a Ashley. Eu não achava que tinha importância.
            - Você não tinha como saber - falei.

Eu não estava brava com ele. Por que eu deveria esperar que ele me contasse que já havia namorado com ela? Que diferença fazia? Não era como se estivéssemos em um relacionamento ou qualquer loucura desse tipo. Senti-me meio dopada e vazia por dentro.
Toda a minha vida, eu havia encontrado pequenos obstáculos, coisas pequenas que pareciam muito maiores à época, mas que acabavam sendo resolvidas, de certa forma. Mas isso era diferente. Eu nunca havia me confrontado com um problema que era verdadeiramente maior do que eu.
Isso não era uma conta atrasada ou um carro quebrado. Isso era uma potencial acusação de um crime grave, o que significava cinco anos de prisão. Isso era a minha vida, transformada para sempre. E não do jeito que eu havia concordado em assinar.
Em retrospecto, é claro, parecia loucura eu ter concordado com este acordo. Mesmo sendo cuidadosos como estávamos sendo. Todo o esforço que fizemos, tentando garantir que parecíamos um casal legítimo, tudo o que precisou para colocar isso em risco foi uma imprudente escorregada do advogado dele e de uma ex vingativa. Algo que nenhum de nós poderia prever, de forma alguma.
Fomos para a cama tarde aquela noite, e acho que nenhum de nós conseguiu dormir de verdade.

Passei o dia de forma mecânica, sem prestar muita atenção no que estava fazendo, e Zac voltou mais cedo do trabalho apenas para sentar-se no sofá e olhar para o nada, com uma leve expressão triste no rosto.
As coisas continuaram desse jeito por dias. Nós mal nos falávamos, exceto para ter as mesmas conversas sem parar, como isso pôde ter acontecido, você consegue acreditar, o que aconteceria se...
Zac estava com olheiras, que ficavam mais fundas a cada dia. Tinha certeza que eu não estava muito melhor que isso, mas eu quase não saía de casa, então não importava.
Não conseguia lembrar-me da última vez que havia me sentido tão mal assim. Era o tipo de estresse que te vai corroendo aos poucos. Você não quer nada além de ignorá-lo, mas não consegue.

Numa manhã, após semanas assim, fui buscar a correspondência como sempre fazia. Apesar de tudo, ainda sentia uma mistura de medo e ansiedade cada vez que abria a caixa do correio, não sei o que esperava encontrar. Mas hoje, encontrei algo. Havia um envelope do INS.
Abri-o com as mãos tremendo e minha visão escurecendo enquanto eu lutava para concentrar-me nas palavras.

Caro Sr. Efron,
Seu pedido de residência permanente foi avaliado e aprovado...

Atrapalhei-me com o telefone, mal conseguindo ter a tranquilidade de voltar ao apartamento para ligar em vez de ficar gaguejando sobre o INS e o pedido de residência na frente de Deus e o mundo. Ele atendeu assim que eu fechei a porta.

            - Chegou uma carta - falei de maneira impulsiva - ela diz que aceitaram seu pedido. Isso significa...?
            Ele ficou em silêncio por um momento. - Acho que sim - ele disse. - Acho... acho que sim.
            - Parabéns - falei.
            - Eu vou pra casa mais cedo. Preciso acertar algumas coisas. E eu gostaria de ver a carta.
            - Claro - assenti.
            - Certo. Vejo você em um minuto.

Joguei-me no sofá. Então era isso. Era para isso que tudo tinha sido feito. Por que será que eu sentia vontade de abrir um buraco na porcaria da parede com um soco?
Quando Zac entrou pela porta, não me disse uma palavra, nem mesmo largou a maleta do laptop e o casaco. Ele apenas foi direto até mim com a mão estendida, e eu entreguei a carta obedientemente.
Seus olhos examinaram-na toda, rapidamente, de cima a baixo e então mais uma vez.

            - Que bom - ele disse, colocando-a sobre a mesa.
            - Que bom - concordei.

Ele finalmente levantou a alça da maleta por cima da cabeça, colocou-a no chão e tirou o casaco.
Sentou-se perto de mim e olhou para suas mãos por um momento.

            - Eu estive consultando algumas pessoas - ele afirmou. - A minha nova advogada, escolhida muito cuidadosamente, eu prometo. Acho que ela não vai ter uma queda pela Ashley como o French teve. E falei com algumas outras pessoas lá de dentro que estão torcendo por mim. Todos concordaram que já passamos pelo pior agora. Não vão ter mais entrevistas ou visitas surpresas. A decisão já foi tomada, o arquivo já foi fechado. Então, de verdade, não tem motivo pra gente continuar fazendo isso.
            - O quê? – o encarei.
            - Eu sei o que diz o contrato. - Ele finalmente olhou nos meus olhos. Eu não conseguia muito bem interpretar sua expressão. - Mais seis meses. Mas eu estou disposto a quebrar o acordo, se você estiver. Eu posso arrumar o seu dinheiro até amanhã. - Apertei os dedos bem forte no meu colo.
            - Eu acho que isso é um pouco prematuro. Prometo parar de jogar coisas na sua cabeça. - Ele riu.
            - Independente disso - ele falou. - Eu acho que vai ser melhor pra nós dois. Você não acha?
            - Eu sempre pensei que... Eu acho que eu só pensei que a gente ia manter os termos do acordo.
            - Eu também. Mas você não prefere ir pra casa?
            - Eu não sei o que você quer que eu diga.
            - Desculpa - ele falou, após um momento de hesitação. - Eu pensei que essa ia ser uma decisão fácil pra você. Caso contrário, eu não teria nem tocado no assunto.
            - Eu só não acho que seja uma boa ideia presumir que a gente já passou pelo pior. Você acha?
            - Por favor, não me entenda mal - ele disse - Mas eu realmente acho que vai ser melhor se a gente não tiver mais que se ver. - Minha garganta estava muito seca.
            - Melhor pra quem? - questionei.

Ele não respondeu, apenas levantou-se e saiu, subiu as escadas em direção ao quarto e fechou a porta. Parecia que nossa briga não havia terminado.
Ele tinha razão. Eu precisava lembrar-me disso, forçadamente, porque parecia que eu havia levado um soco no estômago. Estávamos nos envolvendo de uma forma que simplesmente não era benéfica. A proximidade nos havia feito acreditar que estávamos se não apaixonados, pelo menos algo próximo disso.
Sentada ali sozinha no sofá, lembrei-me de uma aula de psicologia que tive na faculdade, que fiz só porque parecia o jeito mais fácil de cumprir a exigência de ciências. O professor havia andado por toda a sala pedindo para cada dizer o lugar onde haviam encontrado sua última paixão, um coro de escola, trabalho, escola, trabalho, escola, escola, e trabalho seguiu-se. O professor explicou que as pessoas sentiam-se mais afeiçoadas e emocionalmente envolvidas com pessoas de quem são próximas.
Não namoramos colegas de classe e de trabalho somente porque é conveniente, mas porque estamos literalmente próximos a eles.
Eu tinha sido tão, tão estúpida em pensar que eu poderia viver com um homem que fosse como Zac e não ficar loucamente apaixonada por ele em poucos meses. Não importa o que eu “soubesse,” as partes mais profundas do meu cérebro, as que eu não conseguia controlar, sussurrariam palavras doces até que eu me perdesse em sentimentos que não faziam nenhum sentido lógico.
Um homem como Zac não tinha tempo para alguém como eu. Ele deixou isso completamente claro.
Consegui sair do sofá e arrastar-me até meu ateliê, no quarto extra. Dobrei meu cavalete e empacotei todos os meus carvões e gizes, deixando tudo pronto para eu me mudar para... Para onde eu iria?
Durante esse tempo todo, imaginava-me voltando para meu antigo apartamento. Mas é claro, não era mais o “meu apartamento”. Outra pessoa morava lá agora. Não esperava confrontar-me com essa questão tão cedo, e agora estava completamente perdida. Para que lugar desse mundo eu iria? E eu precisava considerar isso literalmente. Com dois milhões de dólares, eu poderia ir para qualquer lugar que eu quisesse e começar uma vida completamente nova.
Zac havia deixado a maleta do seu laptop na sala de estar, então peguei o computador e comecei a pesquisar. Após alguns minutos, sem perceber, peguei-me pesquisando apartamentos que ficavam a dez minutos de distância. Não gostava muito desta cidade, mas pelo menos era familiar. A familiaridade tinha suas vantagens.
Quando Zac finalmente saiu do quarto, eu meio que esperava que ele tivesse encaixotado todas as minhas roupas. Ele não havia feito isso, claro. Imaginei se ele esperava que eu fizesse. O que me fazia lembrar que eu precisaria de algumas caixas.
Enquanto ele estava em frente à geladeira aberta, olhando como se esperasse que os alimentos tivessem surgido ali nas últimas horas, ouvi o telefone tocar em seu bolso. Fiz o maior esforço para fingir que eu não estava ouvindo, mas é claro que estava.

            - Brittany - ele disse, virando-se para me olhar. - Oi. - Fiquei prestando atenção. - Você vem pra cá esse fim de semana? Que ótima notícia. Só você? - Observei seu rosto cuidadosamente, mas ele não entregava quase nada. - É claro que você pode ficar aqui - ele continuou. - A Nessa pode tirar o material de arte do quarto grande... Não, não, não se preocupa, não tem problema.

Após terem terminado seus planos e se despedido, levantei-me e fui até a cozinha. Zac colocou o telefone de volta no bolso.

            - Bom - ele disse. - Acho melhor a gente adiar as coisas até que ela tenha ido embora, pelo menos.
            - Está vendo? - indaguei. - É disso que eu estou falando. - Ele deu de ombros.
            - Se você já tivesse se mudado, eu ia falar pra ela que você tinha ido pra uma conferência de arte. -Ele pegou uma cerveja da geladeira. - Isso existe, né?
            - Com todas as minhas roupas e pertences pessoais? - contestei.
            - Ia falar que aqui está sendo dedetizado, então ela não ia poder vir.
            - Claro, não tem jeito de ela desconfiar.

            - A gente pode falar sobre isso depois que ela for embora - ele disse, significativamente, abrindo a cerveja e jogando a tampinha no lixo. Pelo seu tom de voz, ficou claro que ele não estava aberto a negociações. Bem. Veremos.

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Parabéns para o nosso Príncipe!
Que ele continua nos trazendo cada vez mais felicidades.
E que Deus o ilumine e o proteja dos males do mundo afora ♥
FELIZ ANIVERSÁRIO ZAC EFRON!!!


CAPÍTULO 20

·        
Na manhã seguinte, desci até a cozinha com um sorriso no rosto. Zac retribuiu meu “bom dia” meio Distraído.

            - A noite passada - ele falou. - Nós não podemos deixar isso acontecer de novo.
            - O que você quer dizer? - Eu sabia exatamente o que ele queria dizer, mas não queria acreditar.
            - A gente não pode embaralhar os limites. Isso é um acordo de negócios. É uma má ideia deixar as coisas ficarem confusas desse jeito.
            - Eu pensei que você tinha concordado que isso não importava. - Seus olhos pareciam tristes, mas determinados. Eu sabia que não conseguiria convencê-lo, mas não iria perdoar-me se eu não tentasse.
            - Nessa. Desculpa. Eu sei que tem sido divertido. Não é nada pessoal. Você é muito linda. Eu me diverti quando a gente estava... Junto. Mas isso não pode continuar. A gente tem que se controlar.

Queria gritar. Queria brigar com ele, mordê-lo e chutá-lo, jogar coisas nele, queria fazer todas as coisas irracionais que me vinham à cabeça, mas em vez disso fiquei apenas ali, bem parada, olhando para ele.
Concordando. Ele observou-me por um instante, esperando pelo pior. Mas eu não daria esse gostinho a ele.

            - Tudo bem - falei, com a voz mais neutra que consegui. Saí e desapareci no meu ateliê, onde comecei a rabiscar tão forte em um bloco de papel que rasguei cinco folhas antes de parar.

Depois disso, as coisas ficaram bem silenciosas. Mal nos falamos, ficávamos nos evitando pela casa e dormindo bem longe um do outro. Ainda bem que a cama era enorme. Eu estava começando a pensar que as coisas ficariam assim para sempre, bem, não para sempre. Pelo resto do ano, de qualquer maneira.
Passei a temer os fins de semana. As coisas não eram tão ruins quando eu estava sozinha, mas eu não conseguia nem me concentrar na minha arte quando ele estava no apartamento.
Felizmente, ele começou a passar cada vez mais tempo fora de casa, mesmo quando não estava trabalhando. Nunca perguntei onde ele andava. Às vezes, ele nem havia chegado quando eu ia para a cama.
Em uma segunda-feira de manhã, desci e vi que ele ainda estava na cozinha. Merda. Era feriado.
Tinha esquecido completamente. Tentei desviar o olhar e ir direto para a geladeira, mas conseguia senti-lo olhando para mim e sabia que ele estava prestes a dizer algo. Ele então perguntou deliberadamente:

            - Será que é muito difícil pra você lavar a louça que você usa? - Bati a porta da geladeira.
            - Você está falando da única tigela que eu deixei na pia a noite passada?
            - E dos copos na noite anterior, e dos pratos antes disso - Ele bateu a xícara de café na mesa. - Tem sempre alguma coisa. Eu não acho que é insensato da minha parte esperar...
            - Eu tinha deixado de molho! - encarei-o.
            - Não precisava deixar - ele rebateu - se você lavasse assim que terminasse de usar.
            - Ai, meu Deus. Não acredito que a gente está tendo essa conversa. - Ele suspirou.
            - Eu estou apenas tentando facilitar a nossa convivência.
            - Não, você está tentando facilitar pra você conviver comigo.
            - Fique à vontade pra me falar se tem alguma coisa que eu possa fazer pra facilitar a sua vida – ele disse, no tom mais neutro possível.
            - Ah, é? - Cheguei mais perto dele. - Eu fico feliz que você tenha tocado no assunto. Que tal me tratar como um ser humano? E não ficar agindo como se nunca tivesse acontecido nada entre nós?
            - Você quer mesmo ter essa conversa de novo? - Ele olhou para mim malignamente.
            - Quero - respondi. - Quero mesmo. Porque eu quero saber que raios há de errado com você.
            - Que raios há de errado com você? - ele retrucou. Ele levantou-se, com um músculo em sua mandíbula contraindo-se. - Você não entende o que está acontecendo aqui? Você não vê como isso é difícil? - Por um momento, ele parecia louco, com os olhos girando de um lado para o outro como se estivesse procurando as palavras certas. - Estar perto de você, o tempo todo, ver você o tempo todo, dormir ao seu lado... Pelo amor de Deus, Nessa. Será que você só pensa em si mesma? Você é assim tão egoísta? - Recuei. Suas palavras machucaram. Quis insistir que eu não sabia do que ele estava falando, mas é claro que eu sabia.
            - Sinto muito - falei, por fim, bem baixinho. Podia ouvir minha voz tremendo. - Eu não percebi que estava te pressionando desse jeito. - Sentia-me furiosa, mas para minha completa humilhação, isso estava expressando-se em lágrimas quentes saindo pelos cantos dos meus olhos e escorrendo pelo meu rosto.
            - Não foi isso o que eu disse. - Zac parecia completamente derrotado, desmoronando em um dos bancos. - Você sabe que não foi isso o que eu disse.
            - Não, você acabou de dizer que eu era egoísta. E que só pensava em mim mesma. - Minha voz estava abafada pelo choro, e eu odiava como ela soava. - Isso é muito melhor.
            - Desculpa - ele disse, não parecendo estar mesmo se desculpando. - Mas você sabe o que eu quero dizer.
            - Tudo bem. - Já estava cheia de toda essa conversa, eu não ia ficar ali olhando sua estúpida expressão indecifrável enquanto chorava como um bebê. Era humilhante. Virei-me para ir ao andar de cima, e para meu tormento, ele me seguiu. - Será que você pode me deixar sozinha?
            - Não até que você concorde em parar de brincar comigo - ele disse, com a voz neutra. Eu estava brincando com ele? Ah tá, essa é boa.
            - Claro - falei, cheia de sarcasmo. - Garanto que eu vou parar com isso. - Abri a gaveta de cima da cômoda, procurando por algo, qualquer coisa, só para parecer ocupada e não ter que olhar para ele.
            - Eu estou falando sério, Nessa - ele disse. - A gente não pode continuar fazendo isso. Eu não posso continuar fazendo isso. - olhei em sua direção, com um punhado de jóias na mão. Não fazia nem ideia porque estava mexendo em minha caixa de jóias, para começar.
            - Tá, tudo bem! Que se dane! - gritei. - Vou deixar você em paz! Juro por Deus, que eu nunca mais vou rebolar a bunda na sua frente de novo! - Ele recuou, um pouco. Que bom.
            - Desculpa - ele disse, novamente. Dessa vez parecia que ele estava mesmo querendo desculpar-se, um pouco. - Se eu te iludi. - Ah, ótimo, a clássica desculpa do “se”. Mal era uma desculpa de verdade. Eu podia sentir meu lábio curvando-se para uma rosnada; não me lembrava de já ter ficado tão brava assim em toda a minha vida.
            - Você está falando da incrivelmente adorável lua de mel? - Meu tom estava venenoso. Mal reconhecia minha própria voz. - De todos aqueles presentinhos? O carro, as roupas, aquela merda toda?
Tudo o que você daria pra uma mulher que amasse de verdade? Bom, pode ficar com tudo, Z. Eu estou pouco me lixando!

Arremessei tudo o que estava na minha mão em sua direção. Ele esquivou-se, e algo voou em sua orelha; quando as coisas atingiram a parede oposta percebi que eram algumas das primeiras coisas que ele havia comprado para mim – o colar e os brincos para combinar com meu vestido azul, aqueles que eu tinha gostado tanto, agora jogados em um amontoado no tapete. A campainha tocou lá embaixo.

            - Meu Deus - Zac murmurou, descendo as escadas, massageando a orelha. Segui-o, irresoluta. A mudança repentina havia acabado com todo meu ímpeto, e eu quase nem sentia mais vontade de brigar. Fiquei ao lado, no entanto, não querendo ser vista em meu estado atual. Zac abriu a porta.
            - Sr. Efron? - A voz parecia vagamente familiar e por alguma razão, meu coração quase saiu pela boca. Houve um silêncio.
            - Sim - ele disse, impacientemente.
            - É o Jordan Camry - disse a voz. - Do INS. Posso entrar?

Queria virar-me e sair correndo, mas senti como se meus pés estivessem colados ao chão. Então apenas fiquei ali, olhando em silêncio, enquanto o mesmo homem que me questionou sobre nosso relacionamento entrava pelo corredor, como se tivesse algum direito de fazer isso.  Ele olhou para mim, cumprimentando-me educadamente. “Srta. Efron,” ele disse para minha cara de quem havia acabado de chorar.

            - É sobre a entrevista? - Zac questionou, finalmente recuperando a voz. Sr. Camry olhou para ele. - Não - ele disse, por fim. - Mas foram levantadas algumas questões sobre a validade do seu casamento. Nesses casos, uma visita não agendada é de costume. Claro, você tem o direito de recusar. Mas se fizer isso, outras medidas serão tomadas.
            - Não - disse Zac. - Você pode... Fazer o que precisa.
            - Um de vocês pode me mostrar os cômodos da casa? - ele perguntou.

Zac fez que sim, indo adiante. Eles entraram nos quartos de hóspedes primeiro, inclusive no meu ateliê – ainda bem que eu estava dormindo na cama do Zac – enquanto meu marido tagarelava mecanicamente em cada parada. Sr. Camry concordava, fazendo anotações. Eles desapareceram lá em cima por um tempo, e então voltaram.

            - Obrigado - Sr. Camry disse, apertando a mão de Zac. - Agradeço a sua cooperação. Eu certamente vou incluir isso no relatório. - Ele saiu pela porta e eu respirei. Percebi que ele deveria ter ficado lá apenas por alguns minutos, mas pareceram horas.
            - Que porra foi essa - falei, enquanto Zac virava em minha direção, com os olhos furiosos. Mas não comigo, dessa vez.
            - Alguém deve ter dito alguma coisa. Alguém deve ter contatado. Eles não fazem isso com qualquer um. - Fomos até a sala de estar, pensando sobre aquilo, ambos sentados no sofá com a mente a milhão.
            - A Lisa? - Ele balançou a cabeça.
            - Ela nunca faria isso! - afirmou categoricamente.

Estava claro que isso era o fim da discussão. Ah, tudo bem. Se ele não queria considerar essa possibilidade, eu certamente não o faria mudar de ideia. Minha mente continuava a milhão, pensando em todas as pessoas do escritório que poderiam ter uma razão para suspeitar. Quanto ao motivo, eu não tinha certeza. A INS oferecia algum tipo de incentivo? Ou teriam nos entregado por razões puramente pessoais? Espere um minuto. Sua secretária, a do olhar fulminante.

            - A Monique - falei. Ele virou para me olhar, franzindo a sobrancelha.
            - A Monique é profissional. Além do que, ela não sabe.
            - Ela pode suspeitar - falei. - Ela pode ter ouvido alguma coisa, certo?
            - Mesmo se tivesse. Por que ela teria o trabalho de denunciar a gente?
            - Você viu o jeito como ela olha pra mim? Ela me odeia.
            - Ela não te odeia - Zac insistiu. - Não seja ridícula.
            - Não estou sendo ridícula! - insisti, levantando num pulo quase sem perceber e andando de um lado para o outro na sala. - Ela parece que quer me matar.
            - Ela nunca faria isso - ele rebateu. - Você precisa confiar no meu julgamento, Nessa.
            - Por quê? Quem disse que você é infalível?
            - Ninguém. Mas eu escolho as pessoas próximas a mim muito cuidadosamente. Nenhuma dessas pessoas ia trair minha confiança. Tenho certeza disso. – o encarei.
            - Então você está dizendo que deve ser alguém que eu conheço?
            - Eu não disse isso. - Ele levantou os braços, mostrando as mãos. - Disse?
            - Nem precisa. - Fiquei na frente dele, com os braços cruzados. - Só pra você saber, eu nunca disse uma palavra pra ninguém. Eu sou a pessoa mais solitária que eu conheço, porque eu não posso ser honesta com ninguém.
            - Você acha que eu gosto de mentir pra minha irmã? - Zac estourou. - Para de bancar a santinha. Você já não tinha nenhum amigo antes da gente se casar. Não pode colocar isso na minha conta. - enfureci em silêncio por um instante. – Desculpa - ele disse, por fim. - Nessa, desculpa. Eu não devia ter dito isso. Mas a gente precisa se acalmar. Isso não vai levar a nada.
            - Tudo bem - murmurei, sentando-me novamente. - Apesar de que a Monique parece uma idiota, desculpa.
            - Confia em mim - ele pediu - ela trabalha pra mim há bastante tempo. Sei que ela é meio rude, mas também sei do que ela não é capaz de fazer. E uma traição tão grande como essa não é coisa dela, mesmo se ela descobriu sobre a gente.
            - Então está certo. Tudo bem. - Respirei, devagar. - Quem mais pode ter desconfiado? Se a gente está eliminando todas as pessoas que realmente sabem.
            - Pode ter sido qualquer um, na verdade - ele disse. - Qualquer um do escritório pode ter olhado pra nós e decidido que a gente parecia suspeito, não temos como saber. Eu não faço ideia de como as coisas pode ter parecido pra alguém de fora da situação. Meu Deus, que pesadelo.

Ele parou, apoiando a cabeça nas mãos e passando os dedos pelo cabelo. Eu sabia como ele se sentia. Eu estava com os nervos à flor da pele.
Não havia absolutamente nada que eu pudesse dizer ou fazer para consolá-lo, ou a mim. Passamos o resto da tarde distraídos, procurando no Google várias coisas relacionadas ao nosso dilema e perambulando pelo apartamento, pegando coisas e deixando-as em locais aleatórios. Sentei-me em frente a uma folha de papel em branco por um tempo, com o carvão na mão, mas não consegui desenhar nada.
No final da tarde, a campainha tocou de novo. Não sei por que, mas meu coração quase saiu pela boca. Zac correu para atender. Estavam entregando um tipo de pacote. Fui até lá, lentamente, com os punhos cerrados. De alguma forma, eu sabia, mesmo antes de ele olhar para mim e eu ver o olhar assombrado em seus olhos.

            - O que é? - Estiquei a mão para pegar, e apesar de ele não ter entregado para mim, não tentou puxar para trás. Tinha vindo em um envelope de carta registrada. Era uma única folha de papel, digitada.
Peguei-a.

            “Desculpe-me.
            Fiz o que fiz num momento de raiva, e não devia ter feito isso, mas agora não pode ser desfeito.
            Contei ao pessoal da imigração o que vocês fizeram.
            Você pode imaginar como eu me senti quando ouvi dizer que você estava saindo com ela, dentre todas as pessoas. Eu não pensei direito, só queria extravasar, e queria não ter feito isso. Quando descobri que era uma farsa, não consegui acreditar na minha sorte, no início, e agi por instinto. Foi uma ideia terrível. Sinto muito.
            Não sei se eles já terão contatado vocês a essa altura, então não tenho certeza se isso é um aviso, ou apenas um pedido de desculpas. Espero que consigam convencê-los que menti sobre os dois. Não deve ser tão difícil. Sei que estarei encrencada, mas acho que nem ligo mais.
            Se estiver imaginando como eu sabia, você deve querer perguntar ao Sr. French. Ele tem uma queda por loiras e não guarda seus papeis com muito cuidado à noite, depois de ter bebido. Se eu fosse você, encontraria um novo advogado.
            Sinto muito, querido. Não pude evitar.
            Com todo o meu amor,
            Ashley


            - Ashley? - perguntei incrédula. Olhei para ele. Seu rosto disse tudo o que eu realmente precisava saber.

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Data especial, postagem especial!
O aniversário é dele, mas vocês recebem o presente!
2 capítulos pra vocês! Logo mais o próximo!!!