segunda-feira, 5 de outubro de 2015

CAPÍTULO 11

·         Na manhã seguinte, vi que Zac havia preparado café da manhã para mim de novo. Dessa vez, ele não precisou perguntar-me como eu queria os ovos. Comi mecanicamente e dei respostas monossilábicas quando ele me perguntou como estava me sentindo, se havia dormido bem, se tinha me divertido na noite passada. Percebi que ele queria fazer perguntas muito mais pessoais, mas manteve a boca fechada.
Por um tempo. Quando eu estava prestes a terminar minha segunda xícara de café, ele disse:

- Você atuou muito bem na noite passada. - Seus olhos examinavam meu rosto. Ele sabia que não foi atuação, ele queria que eu admitisse.
- Obrigada - respondi categoricamente, batendo a xícara tão forte na bancada que tinha certeza que a quebraria. Não quebrou, mas Zac assustou-se um pouco. - Eu vou me vestir. Pode chamar o John pra mim? Preciso ir pra casa e cuidar de algumas coisas.
- Absolutamente. É claro.

Podia senti-lo observando-me enquanto eu saía pelo corredor e desaparecia na sala.
Esta era uma péssima hora para que eu me isolasse no apartamento e não falasse com ele ou o visse. Mas eu precisava reconhecer que ele não estava me pressionando.
Meu apartamento parecia frio e estranho quando cheguei lá. Estranhamente desabitado. Eu nunca havia tirado qualquer tipo de férias ou folga desde que me mudei para cá, então era uma atmosfera estranha. Até que Zac aparecesse, eu nem mesmo havia passado a noite na casa de outra pessoa.
Nunca me senti confortável com isso. Os caras que eu geralmente escolhia tinham no máximo uma cama de casal e ter uma noite de sono decente estando entrelaçada a um ser humano todo suado, roncando e que se mexia demais era simplesmente impossível. Eu não sabia como os casais de longa data faziam. Precisava do meu próprio espaço, uma cama grande, de boa amplitude sobre a qual eu ficasse livre para esparramar-me como quisesse. Eu nunca me sentia solitária quando dormia. Muito longe disso. Durante o dia era diferente, claro. Às vezes aqui ficava quieto demais, parado demais, até mesmo para mim. Mas esse era o preço a pagar pela independência.
Ser uma mulher bancada durante um ano seria uma adaptação difícil. Zac não me ligou durante todo o fim de semana. Meu telefone tocou uma vez, mas era o mecânico, avisando-me que meu carro estava pronto e eles iriam mandar um traslado de cortesia para buscar-me quando eu estivesse pronta. Que esquisito; não sabia que eles abriam aos domingos.
O local onde o motorista parou estava estranhamente deserto e quando estiquei o pescoço para olhar ao redor do estacionamento, meu carro não estava à vista. O proprietário do lugar veio ao meu encontro.

- Aqui está, senhorita - ele disse, entregando-me uma chave desconhecida. Fiquei observando-a.
- Essa não é a minha - falei, começando a perceber o que estava acontecendo surgir na minha mente.
- Com os cumprimentos do Sr. Efron - o proprietário murmurou, apontando para um carro estacionado ali perto. Ele parecia tão desconfortável quanto eu. Era meu carro, tecnicamente, se ele fosse uns dez anos mais novos e pretos brilhante com detalhes em prata. - Mesma marca e modelo, apenas um pouco melhorado - disse o proprietário. - O Sr. Efron insistiu. Disse que era um presente de noivado. Ele deu seu carro como parte do pagamento. Abateu uns mil dólares do preço.
- Obrigada - falei, mais alto do que queria.

O proprietário afastou-se e eu apertei o botão automático para destravar o carro na chave. Isso era novo. Tudo bem, o carro todo era novo. Sentei-me no banco de couro e coloquei a chave na ignição. Era uma ação tão familiar e tão estranha ao mesmo tempo. Cheirava a carro novo. Abaixei os vidros após sair do estacionamento. Então não era o mais extravagante dos presentes. Para ele, não era quase dinheiro nenhum. Mas era mais do que eu algum dia poderia pagar. Comprei meu último carro pelos classificados com uma pilha de dinheiro amassado. Nunca havia tentado conseguir um financiamento em uma concessionária, mas tinha a sensação de que seria uma experiência desanimadora.
De alguma forma ele sabia que me comprar um carro esporte de cem mil dólares iria mexer com a minha cabeça, talvez afugentar-me para sempre. Escolheu um gesto mais sutil. Ele estava dizendo, você ainda pode ter sua vida antiga, só que... Melhorada. Ele pensava que era isso o que me preocupava?
Enquanto eu estacionava na vaga de sempre do meu condomínio, estava bem ciente de estar sendo observada. Se algum dos meus vizinhos intrometidos dissesse algo sobre meu carro novo, tenho certeza que eu teria um colapso nervoso. O que eu deveria dizer? “Ah, sim, é um presente do meu noivo.”
Tranqüila e calma, como se todo mundo ganhasse carros novinhos de presente de noivado?
Quando estava segura dentro do apartamento, comecei a sentir um pouco de culpa. Havia ganhado um presente realmente muito legal, mas não era justo com o Zac eu reagir assim. Ele não tinha feito nada errado. Era minha própria culpa se eu estava deixando-me levar.
Respirei fundo e peguei o telefone. Tocou uma vez antes que ele atendesse.

- Oi, Nessa. - Ele parecia cansado.
- Obrigada pelo carro. - Ai, meu Deus. Isso soou tão ridículo.
- Não precisa me agradecer - ele respondeu, parecendo estar sorrindo um pouco. - Mas não há de que. Quando eu liguei pra saber do seu carro, eles me passaram uma lista tão grande de problemas que seria mais fácil e barato comprar um novo. Eu não queria te incomodar, então eu mesmo resolvi.
- Tudo bem - falei. - Mas você poderia... não fazer mais surpresas? Foi um pouco estranho.
- Desculpa - ele falou. - Você não gosta de surpresas?
- Geralmente eu não me importo. Mas elas costumam são algo do tipo, ‘ei, trouxe esse café do outro lado da rua pra você, porque eu já estava lá mesmo. ’ Não tipo ‘ei, aqui está um carro novo’. - Ele suspirou.
- Eu não queria te deixar desconfortável. Sinto muito mesmo. Eu só queria fazer algo bacana. Sei que não é uma transição fácil pra você.
- Tudo bem. É... É um carro bonito.
- Que bom que você gostou. - ouvi um ruído, como se ele estivesse trocando o telefone de orelha. - Eu queria falar com você sobre uma coisa, se tiver um minuto.
- Claro.
- No próximo fim de semana, alguns familiares meus vão estar na cidade. Eu falei pra eles de você. Eu ia te contar antes, mas não achei que a minha irmã e o marido iam conseguir uma folga no trabalho tão cedo.
- Ah - falei. Não tinha certeza de como me sentia com isso.
- Eles vão querer te conhecer - ele disse. - Mas a gente não precisa exagerar. Vou falar pra eles que você está muito ocupada com as suas coisas e com os preparativos pro casamento.
- Está certo - respondi. E de uma forma estranha, estava mesmo. A ideia de conhecer a família dele não era tão horripilante para mim como deveria ser. Acho que eu havia aumentado muito o nível de estresse que era capaz de processar, mas eu me sentia muito calma. - Eu vou adorar conhecer os dois. - Houve um momento de silêncio.
- Que bom - ele disse, soando um pouco desconfiado. - Bom, eu vou tentar limitar essa visita a um almoço e talvez uma ou duas saídas pra fazer compras. Eu não sei exatamente quanto tempo eles vão ficar.
- Não se preocupa - falei. - De verdade. Estou falando sério. Não é nada demais.
- Bom, está certo. - Ele suspirou. - A gente se vê amanhã na hora do almoço, então.
- Tá bom. Tchau.
- Te amo - Ele realmente pensava que alguém poderia estar monitorando seu telefone? Acho que não.
- Também te amo - respondi, e desliguei rapidamente.

Bem, as coisas estavam desenvolvendo-se de forma interessante. Conhecer a família de alguém era a melhor maneira de saber o que as próprias pessoas nem sempre contavam. Na verdade, eu estava ansiosa para conversar com a irmã dele. Talvez eu pudesse mesmo aprender algo sobre o homem com quem iria casar.

------------------------------------

Em respeito a quem comentou, estou postando o capítulo!
Como será esse encontro com a "cunhada" hein?
Deixe as opiniões nos comentários.
5 coments para o próximo ;)

5 comentários:

  1. Ai Senhor, ansiedade a mil.
    Quero ver como será esse encontro entre as duas.
    O capítulo ficou incrível como sempre.
    Adorei esse eu te amo de despedida, mesmo que seja fake. Ou não.
    Hehe.
    Posta loguinho
    Bjos

    ResponderExcluir
  2. Primeiro: capítulo maravilhoso!! Esse "te amo" no final foi lindo...
    Segundo: estou super ansiosa pra esse encontro da Vanessa com a família do Zac.
    Que venha logo esse casamento que não estou aguentando de ansiedade...
    Posta mais loguinho...
    Xoxo

    ResponderExcluir
  3. Capitulo como sempre estava perfeitooo e esta cada dia mais fofo essa relação dos dois, acho que o fake ta começando a deixar de ser fake. Bjosss posta mais e não demore vai estou muito ansiosa.

    ResponderExcluir
  4. Capitulo Maravilhoso, algo me diz que o zac está se encantando pela V e ela a mesma coisa !!
    Beijos, posta logo !!

    ResponderExcluir
  5. Apaixonada por essa fic, posta mais, Bj !

    ResponderExcluir

Expresse sua opinião e deixe sugestões ;)