sábado, 10 de outubro de 2015

CAPÍTULO 12

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Cheguei ao trabalho na manhã seguinte estranhamente de bom humor. Poderia até mesmo dizer que eu estava... Radiante. Ainda bem que isso se encaixaria perfeitamente na minha história.

            - Ai, meu DEUS! - Ashley pulou da cadeira e envolveu-me em um abraço bem apertado assim que entrei em nosso cubículo. - Parabéns! Nem posso acreditar!
            - É, nem eu! – Disse, soltando-me de seu agarro com certa dificuldade. - A gente estava mantendo as coisas em segredo por um tempo.
            - Então provavelmente você não vai mais trabalhar aqui por muito tempo. Certo?
            - A gente não tem falado sobre isso, mas eu vou tentar fechar todos os meus projetos nas próximas semanas pra eu poder me concentrar em planejar o grande dia. - Argh. Grande dia? Eu tinha mesmo dito isso?
            - Estou tão feliz por você! - Ashley recostou-se na cadeira, graças a Deus. - Alguém vai te fazer uma despedida de solteira? Porque o meu primo é um dos donos de um clube de strip-tease pra mulheres lá na avenida e provavelmente eu consigo arrumar um desconto.
            - Ah, eu não... - Qual seria minha desculpa? Não tenho amigas? Isso soaria horrível, além do que ela poderia acabar oferecendo-se para organizar tudo. Obviamente isso era inaceitável. - Eu não curto muito esse tipo de coisa - fiquei um pouco inquieta, tentando parecer o mais puritana possível. Na verdade, eu não era, mas a ideia de um bando de cabeças-ocas girando a pélvis suada no meu rosto enquanto eu virava bebidas de quinze dólares não era muito atraente. Ashley olhou para mim, estreitando os olhos. Eu precisava de uma desculpa melhor. Inclinei-me em sua direção, baixando um pouco a voz. - É que eu não acho que o Zac ia gostar muito disso.  - a compreensão apareceu em seu rosto.
            - Ah! Tudo bem. Entendi. Ele é do tipo ciumento, né? – ela disse.
            - Não sei se eu diria isso.
            - Ei, não há nada de errado com isso! Pessoalmente, eu acho ciúme muito atraente.

Felizmente, a fofoca parou quando ela teve que dar conta do interminável turbilhão de e-mails que havia recebido. Consegui chegar até a hora do almoço com apenas mais três ataques de abraços e conversas estranhas e evitar contato visual enquanto ia encontrar Zac para o almoço.
Pedimos comida chinesa, do único restaurante chinês quatro estrelas da cidade, é claro. Para falar a verdade, a comida estava mesmo muito boa. E pelo menos ainda vinha naquelas famosas embalagens bonitinhas.

            - Como está o seu dia? - Zac quis saber.
            - Bom, a Ashley tentou me oferecer um desconto pra um clube de strip-tease pra mulheres, então nada mal! - parti um rolinho primavera ao meio.
            - Fantástico - disse Zac. Pensei ter visto um semblante triste em seu rosto como resposta a algo que eu disse, mas não, devo ter apenas imaginado. - Ninguém falou comigo ainda. Não sei por que.
            - Um medo terrível? - enrolei um pouco de macarrão no garfo.
            - Bom, sinceramente eu espero que alguém te ofereça mesmo um desconto pro clube de strip antes que o dia acabe. Eu não ia querer que você perdesse essa experiência. – ele mastigou em silêncio por um momento. - Falei com a minha irmã mais cedo. Ela quer levar a gente pra jantar com o marido quando eles chegarem.
            - Ótimo! - falei, com um sorriso que não era nem um pouco forçado. - Mal posso esperar pra conhecer sua irmã.
            - Sério? - ele olhou para mim.
            - Sério - respondi, calmamente. - Acho que vai ser divertido.

****
Era hora de fazer a alteração do status de relacionamento. Por um lado, eu ainda não tinha contado para os meus pais. Por outro, eu iria contar? Eu estava enrolando assim há décadas. Precisava tomar logo uma decisão. Por mais que eu quisesse simplesmente mudar meu status e seguir em frente, eu sabia que precisava primeiro contar para eles. Precisei de cinco tentativas para discar o número inteiro. Quando começou a chamar, quase me apavorei e desliguei, mas em vez disso, esperei.

            - Alô?
            - Oi, pai - falei.
            - Ah! - ele exclamou, parecendo um pouco chocado. - Nessa. Oi. Como você tá?
            - Eu... Eu estou bem. - Respirei fundo. - A mamãe está por aí?
            - Está sim, quer que eu a chame?
            - Podem ficar os dois na linha? Eu quero contar uma coisa.
            - Tá bom. - ele soou desconfiado, mas, apesar disso, fez o que eu pedi. Em alguns instantes, ouvi a voz da minha mãe.
            - Oi, querida - ela disse. - Como estão as coisas?
            - Tudo ótimo - falei. - Eu acabei de ficar noiva. – o silêncio reinou por alguns segundos. Então, os dois começaram a falar de uma só vez.
            - Com quem você...
            - Você não contou nada...
            - Aconteceu muito rápido - respondi, rapidamente. - É com o meu chefe. O nome dele é Zac.
            - Naquele lugar de material de escritório?
            - Não, mãe. Isso foi há anos. Agora eu trabalho num lugar de produtos eletrônicos pra consumo.
            - Bom, pelo menos ele vai poder te sustentar - essa foi a contribuição do meu pai.
            - Sim - ajudou minha mãe. - Eu sempre esperei que você pudesse encontrar alguém capaz de te sustentar pra você poder seguir sua... Arte. - fechei os olhos bem apertados.
            - Obrigada, mãe. Escuta, eu preciso ir. Tenho muita coisa pra fazer. Mas eu vou mandar o convite do casamento, se vocês quiserem vir. Não vai ser nada demais, nada muito chique, mas o Zac pode pagar a viagem de vocês.
            - Ah... - meu pai estava claramente procurando as palavras certas. - Não, querida, acho que não vamos conseguir escapar do trabalho. E a sua mãe não pode viajar. Você sabe, por causa do quadril.
            - Sei - respondi. - Eu só pensei que talvez... Bom, eu mando umas fotos.
            - Isso seria ótimo - disse minha mãe.

Depois que desliguei, tive a nítida sensação de que não deveria nem ter me incomodado.
A semana seguinte passou num piscar de olhos. Estava tentando amarrar o máximo de pontas soltas que podia, terminando projetos, ou pelo menos os deixando num ponto em que meu substituto não iria querer me matar. O departamento de RH já estava fazendo entrevistas. Eu tentei não ficar pensando na minha saída. Por mais frustrante que meu trabalho às vezes fosse ainda seria esquisito não vir para cá todos os dias. Na sexta-feira, o telefone da minha mesa começou a tocar. O que era estranho. Atendi.

            - Alô?
            - Oi, Nessa. - Zac limpou a garganta. - Você poderia ahn, vir ao meu escritório, por favor? - Eu podia jurar que ouvi alguém falando no fundo. Franzi levemente as sobrancelhas.
            - Algum problema?
            - Não, não, nenhum problema, é que... Você pode vir aqui?
            - Tá bom, então.

Quando cheguei ao escritório dele, a porta estava fechada. Dessa vez eu tinha certeza que podia ouvir vozes lá dentro.
            - Pode entrar! - Monique falou de sua mesa - Eles estão esperando por você.


Eles? Abri a porta e entrei.

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Pessoal, capítulo novo pra vocês!
Bom, acho que vocês já perceberam que eu desanimei com a fic, e a demora pra postar vem sendo recorrente. Então decidi postar um capítulo por dia, é claro, que será programada a postagem, já que não fico no pc todos os dias. 
Vou dar uma corrida com os capítulos, e isso pode deixar os capítulos enormeeeeeessss! rsrs
Me perdoem se não agradei vocês! ;)


Um comentário:

  1. Eu estou amando a sua fic e a cada capitulo fico mais ansiosa para saber o que vai acontecer no próximo. Quem será que esta a espera da Vane??será a irmã e o cunhado do Zac??bjosss posta mais logo por favorr

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