domingo, 11 de outubro de 2015

CAPÍTULO 13

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Zac estava sentado atrás da mesa, como de costume, mas havia um casal sentado nas cadeiras a sua frente. Eles estavam cercados por bagagens no chão. Mal a mulher olhou para mim, sorriu e correu em minha direção.

            - Nessa! - exclamou, jogando os braços ao meu redor. Abracei-a de volta, dando-me conta que se tratava da irmã do Zac, mas por que raios ele não tinha pelo menos me avisado antes de me chamar para essa emboscada? Ela estava rindo. - Eu sou a Brittany, irmã do Zac. Este é meu marido, Ryan. – O mesmo acenou, sorrindo educadamente. Ele também parecia não estar muito animado com a emboscada. – Desculpa - disse Brittany, sem parecer tão arrependida. - Nosso voo chegou mais cedo e a gente ainda não podia se registrar no hotel, então decidimos fazer uma surpresa pro Zac. Eu não deixei ele te avisar.
            - Esse prazer em surpreender as pessoas é de família, né? - sorri para Zac, que parecia realmente constrangido? Ah, isso seria divertido.
            - Por quê? - Brittany olhava para nós dois, com um sorriso conspiratório no rosto.
            - Bom, outro dia... eu pensei que ia buscar meu carro na oficina mecânica, e ele me comprou um novinho em folha! - expliquei. Brittany começou a rir.
            - Sério? O Z nunca foi de fazer surpresas pras pessoas quando a gente era mais novo, que bom que ele está vendo como é divertido. - Z? Isso estava ficando cada vez melhor. - A gente ainda precisa se acomodar, óbvio, mas eu espero que vocês estejam livres pro jantar essa noite. Vamos levar vocês no melhor lugar da cidade. - Zac limpou a garganta.
            - A gente foi lá há pouco tempo - ele disse. - Acho melhor variar um pouco.
            - No segundo melhor lugar, então. - Brittany acenou com um gesto de desprezo.  - Ou numa espelunca com os hambúrgueres mais gordurosos, não importa. Eu só quero conhecer a minha nova cunhada.
            - Pra falar a verdade, hambúrgueres gordurosos parecem ótimos - falei. - Eu ia adorar comer em algum lugar onde eu posso usar jeans.
            - Perfeito! - Brittany aproximou-se de Zac, apertando seus ombros e dando um leve empurrão. Ele se encolheu um pouco e então sorriu. - O que você acha, Z? Jerry’s Grill? Aposto que é igualzinho ao que tinha lá perto de casa. - Zac riu.
            - Sério? Não vamos a um lugar desses em... meu Deus. Quanto tempo faz?
            - Acho melhor a gente nem pensar nisso - brincou Brittany. - Só lembro que você sempre fazia pirraça quando o papai não deixava você tomar um milkshake. - Ela olhou para mim e, por alguma razão, eu não sabia o que deveria dizer.
            - Muito açúcar? - falei, tentando imaginar Zac quando criança pulando sem parar porque alguém o deixou comer muito doce. Brittany franziu um pouco as sobrancelhas. Um silêncio constrangedor reinou por alguns momentos.
            - Hambúrguer está ótimo - Ryan levantou-se da cadeira.  - Às seis horas? - Zac abriu a boca para contestar, mas Brittany balançou a cabeça, silenciando-o instantaneamente.
            - Cala a boca, Z. Ninguém mais gosta de esperar dar meia-noite para jantar. Você pode pedir pra levar se tiver mesmo que esperar até a hora mais moderna pra comer.

Eu ri. Não pude evitar. Sempre odiei o horário tão tarde que ele gostava de me levar para jantar, mas pensei que com ele seria dessa forma. Ele tinha uma autoridade tão silenciosa. Mas parecia que não era assim quando sua irmã estava por perto. Uma música conhecida, baixinha, mas clara, ecoou pela sala.

            - Ah - disse Brittany colocando a mão no bolso. - É o carro do hotel. É melhor a gente pegar nossa carona.
            - Vou ajudar vocês com as malas. - Zac levantou-se, mas Brittany o impediu apenas com o olhar.
            - Pelo amor de Deus, Z. Meus braços funcionam. - ela riu. - Vejo vocês no Jerry’s, às seis!

Quando eles estavam seguramente no corredor, olhei para Zac. Ele estava com o olhar distante, como o sobrevivente de um bombardeio.
           
            - Ela tem uma personalidade forte - comentei.
            - Desculpa! - ele respondeu baixinho, sem olhar para mim.
            - Não, eu gosto disso. - puxei uma das cadeiras e sentei perto da mesa dele. - Eu gostei dela. Parece que ela não leva desaforo pra casa, né? - ele finalmente abriu um sorriso.
            - Não - confirmou. - Ela não leva mesmo. Ainda mais de mim.
            - Mal posso esperar por hoje à noite - afirmei. - Sério. - Zac pareceu aliviado.
            - Brittany cultiva uma certa personalidade. Pra se virar. Pra prosperar, na verdade. Ela administra a maior firma de arquitetura de Boston. Não se chega onde ela chegou sendo boazinha com homens como eu. Acho que agora já virou um reflexo. - ele balançou a cabeça. – De qualquer forma, ela é minha irmã mais velha. Ela pode ter certas liberdades.
            - É, eu acho que sim.

Fazia sentido agora. Alguém com a ambição do Zac, mas sem a vantagem do seu cromossomo XY, naturalmente desenvolveria a personalidade de Brittany. Podia perceber pelo seu tom de voz que ele admirava a irmã, talvez com um pequeno toque daquele tipo de admiração que irmãos mais novos tendem a ter pelos irmãos e irmãs mais velhos, mesmo quando deveriam, por direito, ser iguais.
           
            - Vai ser mesmo divertido jantar em um lugar casual - falei. - Você não acha?
            - Acho que sim. - Zac estava folheando alguns papeis em sua mesa. - Como estão as coisas lá fora? Você já está com quase tudo pronto?
            - Acho que já - respondo. - Sabe, você nunca vai achar outro designer como eu. - eu estava brincando, mas acho que uma parte de mim queria ganhar um elogio. Ele sorriu ironicamente.
            - Volte ao trabalho, Srta. Hudgens. Eu passo pra te pegar às cinco e meia.
            - Eu vou precisar sair mais cedo se você quiser que eu tenha tempo de ir pra casa e me aprontar, senhor. - Respondi, sendo exageradamente educada.
            - Claro. Vá pra casa às quatro e relaxe.
            - Ah, obrigada, senhor. - Ele balançou a cabeça.
            - Você já está pegando um pouco do atrevimento da minha irmã. Não sei se gosto disso. – mas, ele estava sorrindo.
            - Desculpa, Sr. Efron. Eu garanto que vou tentar melhorar. -E então saí rebolando do escritório dele.

***

Chegamos ao Jerry’'s Grill bem na hora e Brittany e Ryan estavam nos esperando em um banco do lado de fora. Brittany acenou entusiasticamente com ambas as mãos, puxando-me para outro meio-abraço como se ela não me visse há semanas.

            - Você vai adorar esse lugar - afirmou.

Eu já tinha gostado do cheiro, 100% autêntica carne de boi e óleo de fritura. Estava barulhento e agitado lá dentro, mas nossos recepcionistas sorridentes nos levaram por um longo e sinuoso caminho até uma cabine vazia perto dos fundos do restaurante. Ao contrário de muitas imitações das lanchonetes americanas que haviam surgido tomando como modelo lugares como este, as fotografias em branco e preto e as lembranças nas paredes eram todas autênticas.
Após nos sentarmos e pedirmos uma rodada de bebidas alcoólicas açucaradas, precisei me conter para não morrer de rir quando o Zac concordou em pedir uma jarra de margaritas de morango, comecei a sentir-me realmente relaxada e à vontade pela primeira vez desde que Zac tinha me “pedido em casamento”. Brittany logo começou a contar a épica saga de seu cliente mais absurdamente difícil e estávamos todos rindo estrondosamente antes mesmo de as margaritas começarem a fazer efeito.

            - E aí ele falou, ‘bom, você deveria ser a especialista no assunto!

Brittany enxugava lágrimas do canto dos olhos, assim como eu. Antes de acabar nesse emprego, eu costumava fazer muitos trabalhos extras para pessoas absolutamente impossíveis, porque eu simplesmente não conseguia dizer não. Era reconfortante saber que mesmo pessoas do nível de Brittany ainda lutavam contra esse tipo de coisa. Claro, eu nunca mais precisaria fazer algo desse tipo de novo, se soubesse jogar o jogo.

            - Bom, você não precisará se preocupar com isso por muito mais tempo - Brittany comentou após alguns minutos, como se estivesse lendo meus pensamentos. - Sortuda.
            - É - falei, olhando para minha bebida.
            - Bom, eu nunca ia querer largar o trabalho mesmo - Brittany afirmou tranquila, empurrando a bebida para o lado enquanto o garçom voltava com nossos pedidos. - Eu ficaria louca. Eu sou tipo um cão pastor que sempre precisa de alguma coisa pra ocupar o tempo, senão ia destruir a casa toda. Oh, quem foi que pediu o X-burguer medalhão? Parece fantástico.

Devoramos a comida e a conversa caiu no silêncio por um instante. Fiquei olhando Zac de relance. Era estranho vê-lo em um lugar como este e mais estranho ainda que ele não parecia nem um pouco desconfortável. Mesmo com molho barbecue escorrendo pelo queixo, de alguma forma ele ainda era o homem que eu conhecia, e ao mesmo tempo, não o era de jeito nenhum.
Estava morrendo de curiosidade para saber mais sobre suas lembranças de infância deste restaurante. Obviamente era uma mistura de lembranças boas e ruins, talvez mais ruins do que qualquer outra coisa, mas isso não diminuiu nem um pouco minha curiosidade. Sentia que se eu conseguisse ficar sozinha com Brittany, poderia aprender um pouco.

            - Hum - Brittany colocou o hambúrguer no cestinho para limpar as mãos e o rosto. – Os hambúrgueres daqui não mudaram nem um pouco. Eu adoro.
            - É porque eles nunca limparam a grelha - Zac comentou friamente.
            - Que nojo. – respondeu Ryan olhando para o hambúrguer em suas mãos.
            - Todas as melhores lanchonetes não limpam - completei. Tinha certeza que me lembrava de ter visto algo sobre isso em um programa de tevê sobre as melhores lanchonetes do mundo. - Ela fica tão quente que nada estraga, então todo o sabor fica lá por anos e anos.
            - É melhor você estar brincando - Ryan falou, virando o resto da margarita.
            - É sério mesmo - confirmou Zac. - Ela tem razão. Não tem nada pra se preocupar. Você não acha que a vigilância sanitária já teria feito alguma coisa se tivesse? - Ryan fez que não, observando o hambúrguer meio indeciso por um momento, mas então deu de ombros e o levou à boca novamente.
            - E o hambúrguer acaba vencendo! - Brittany riu. - O hambúrguer sempre vence, né?
            - Se for o hambúrguer certo? Com certeza. - Parti ao meio um pedaço de bife e o mergulhei no ketchup.
            - Nessa. - Brittany inclinou-se sobre a mesa. - Sei que você está ocupada, finalizando as coisas no trabalho, planejando o casamento e tudo mais, mas eu posso te levar pra fazer compras amanhã? Só nós, meninas. Esses dois aí podem sair juntos pra jogar futebol em algum estacionamento, ou sei lá que raios eles fazem. Andei fazendo umas pesquisas por conta própria e já sei quais são as melhores lojas e butiques. Eu ia adorar ir com você. O que é que você acha?
             - Eu também ia adorar! - Sorri para ela.

Quando saímos do Jerrys, estávamos todos de bom humor. Zac e Ryan estavam fazendo piadas um com o outro, e Brittany estava me contando sobre todos os contratempos ridículos do processo de planejamento e da cerimônia de casamento dela. Na verdade, eu ainda não havia pensado sobre a coisa toda, supunha que Zac concordaria com qualquer coisa que eu quisesse, mas eu não sabia o que eu queria.

            - Não importa o que aconteça, tudo vai dar certo. A gente pode conversar mais sobre isso amanhã. Eu sei que é estressante demais, a indústria de casamentos coloca toda essa pressão sobre nós, mas não tem motivo nenhum pra ser a toda aquela grande e velha confusão. Especialmente comigo te ajudando.

Ela me deu um abraço de boa noite e cada uma seguiu seu caminho. Vi-me entrando no carro de luxo com Zac sem nem mesmo questionar onde estávamos indo; eu passaria a noite na casa dele, claro, e por mim estava tudo bem.
Na manhã seguinte, Brittany chegou às dez horas em ponto. Começamos o dia com um café da manhã em uma lanchonete vegetariana da moda – “Eu não sou vegetariana, é óbvio, mas às vezes gosto de fingir que eu sou” – e depois disso fomos para a chique região de compras.

            - Então, você já escolheu um vestido? - Brittany quis saber. - Tenho a impressão que o Zac quer que o casamento seja o quanto antes. Ele odeia ficar na expectativa e também os planejamentos a longo prazo. Sempre odiou. – fiz que não.
            - Achei que eu pudesse escolher algo já pronto. Não precisa ser um ‘vestido de noiva’, sabe? Só algo bonito.
            - É, assim é melhor. Alguns desses lugares aumentam mais uns oitocentos dólares no preço de qualquer coisa que seja ‘pra casamento.’ Sei que na verdade não importa, mas por meus princípios, eu sou contra isso.
            - Eu só quero que as coisas sejam bem casuais. Quero casar porque eu amo o Zac, não porque eu quero ter um Grande Dia. Sabe? - caramba, eu estava quase convencendo a mim mesma. Muito bem.
            - Eu posso entender porque vocês ficaram juntos. Ele nunca foi muito romântico – ou tradicionalista, eu acho. Você sabe o que eu quero dizer. - ela hesitou. - O que seus pais acham disso tudo?
            - Na verdade eles não... - Pensei por um instante. - eu ainda não contei pra eles.
            - Ah - surgiu um ar compreensivo em seu rosto. - Desculpa. Eu não quis abordar um assunto complicado. A gente não precisa falar sobre isso.
            - Obrigada.

Por mais que eu gostasse cada vez mais de Brittany, não tinha vontade de conversar com ninguém sobre minha situação constrangedora com meus pais, ainda mais com alguém que havia acabado de conhecer.
Fomos a algumas padarias, papelarias e lojas de vestidos, só para experimentar algumas coisas.

Olhando-me nos enormes espelhos, não senti quase nada. Era somente eu mesma em um grande vestido branco e macio. Eu não era uma noiva. Só estava fingindo ser uma.

3 comentários:

  1. Aaaahhh eu amei o capitulo e tenho certeza que a Vane e a brittany vão se dar super bem. Bjosss postaa maisss logoo

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  2. OMG
    Eu amei o encontro da Vanessa com a Britt.
    Espero que o Zac mostre um outro lado para a Vane.
    Os capítulos ficaram incríveis.
    Posta loguinho
    Bjos

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  3. Ah amei! Sou nova aqui mas já li todas!
    Posta rapidinho! Você escreve muito bem, parabéns!
    Beijos

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