terça-feira, 13 de outubro de 2015

CAPÍTULO 15

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As semanas seguintes passaram num piscar de olhos, enquanto eu encaixotava todos os meus pertences e retornava as ligações dos vendedores. Finalmente tive um retorno de Emma, parecendo quase sem fôlego de tanta animação, contando-me que havia encontrado o vestido perfeito. Ela recusou-se a enviar-me uma foto, insistindo que eu precisaria vê-lo pessoalmente primeiro. Então fui encontrá-la o mais rápido possível, no carro que ainda não parecia ser meu, sentindo muita estranheza enquanto o estacionava na frente da butique. Não era bonito o suficiente para ser notado, mas estava tão longe de tudo que eu já tinha dirigido que não conseguia acostumar-me. Emma parecia que estava prestes a explodir de tanta felicidade.

            - Vamos, vamos! - Ela colocou o braço em volta dos meus ombros e guiou-me até os provadores assim que coloquei os pés lá dentro. - Escondi o vestido aqui atrás, não queria ninguém perguntando sobre ele. E imagina se o Zac tivesse chegado aqui e visto. Deus me livre!
            - Eu não sou supersticiosa - retruquei.
            - Ah, querida. - Ela balançou a cabeça. - Todo mundo é supersticioso quando se trata de casamentos. Você também pode se juntar a nós. - virei os olhos, mas ela estava alegre demais para perceber. - Olha!

O vestido estava pendurado na minha frente. Era bonito e elegante, sem todo o tafetá e as características usuais de um vestido de casamento típico. Ainda assim, ao mesmo tempo, senti que iria ser reconhecida como uma noiva quando o vestisse. Era de uma adorável cor creme, com saia em renda, incluindo uma faixa ao redor da cintura.

            - Eu achei que um modelo curto ia ser melhor pra um casamento no verão - Emma comentou. – E então? Gostou?
            - É lindo - respondi, tocando nele para sentir o material. - É que, nada disso parece real pra mim, sabe?
            - Eu sei - ela disse. - Vamos. Eu mal posso esperar pra ver você com ele.

Ela me ajudou a colocar o vestido, fazendo-me calçar um par de sapatos para complementar, após ter fechado o zíper. Olhei para mim mesma. Era assim que eu casaria. Emma perdeu o fôlego. Ela parecia mais emocionada com isso do que eu.

            - É muito bonito - comentei, com a voz embargada. - Obrigada, Emma. Eu não teria conseguido sem a sua ajuda.
            - Não precisa nem mesmo de uma única alteração - ela murmurou, andando ao meu redor e tocando e puxando várias partes do vestido. - Até eu não achava que ficaria tão perfeito assim.
            - Como você é modesta. - Alisei o vestido na cintura mais uma vez, como se fosse de alguma forma cimentar a ideia de que isso realmente estava acontecendo.
            - Não se mexa, eu vou encontrar alguns acessórios pra você.

Ela voltou com algumas adoráveis peças cor de prata que combinavam com o vestido e antes que percebesse estava lá fora e a caminho do cabeleireiro para definir um estilo para o “grande dia.” Eu odiava essa expressão, mas com todos ao meu redor usando-a ao menos três vezes por hora, era inevitável que se tornasse parte do meu vocabulário.
Eu não fazia chapinha no cabelo desde a formatura e quase engasguei com o cheiro do laquê. Mas no final, com o cabelo todo preso e uma tiara, eu realmente parecia uma noiva. Conforme o tempo passou, começava mesmo a parecer real.
No fim de semana antes do casamento, Zac veio ajudar-me a encaixotar as coisas, conforme havia insistido em fazer. A maioria já estava nas caixas, e eu daria tudo o que não precisaria mais para os próximos dias. Juntos, passamos boa parte da manhã carregando um caminhão do serviço de mudanças U-Haul, e me sentia mal por não o ter deixado contratar um serviço de mudanças toda vez que ele levantava uma caixa. Mas ele nem mesmo insinuou uma reclamação ou frustração com o processo, mesmo quando eu mesma demonstrava isso.
Pedi uma pizza para o almoço. Estava ficando muito menos constrangida com minhas escolhas de lugares para comer, o que era bom. Ele parecia gostar disso tanto quanto eu e enquanto estávamos sentados no chão vazio da sala segurando nossos pedaços de pizza, percebi que era um bom momento para falar sobre meus problemas financeiros. Era mais complicado do que eu pensava, mas normalmente tudo era desse jeito para mim. Fiquei enrolando por horas, até que ele acabou me cutucando para falar de uma vez o que estava na minha mente.

            - Eu tenho algumas contas - comecei, e ele levantou a mão para indicar que eu já tinha dito o suficiente.
            - Apenas dê tudo pra mim - ele pediu. - Eu cuido disso.
            - É que algumas delas não são tão... Baratas – falei. - E quando eu liguei pra cancelar alguns serviços, eles ameaçaram cobrar se eu não cuidasse de tudo em de 30 dias.
            - Não precisa se preocupar - ele disse. - Vai dar tudo certo.

E, de repente, eu sabia que isso era verdade. Até aquele momento eu não havia percebido o quanto eu me importava com isso, embora fosse ridículo preocupar-me, estava aflita sobre como ele poderia reagir, como ele se sentiria com o fato de que eu estava sendo tão necessitada e exigente antes mesmo de estarmos tecnicamente casados. Sem mencionar quantas noites fiquei sem dormir antes de ele aparecer, pensando como raios iria conseguir pagar tudo sozinha. Podia até sentir os músculos dos meus ombros relaxando um pouco, após estarem tensos por só Deus sabe quanto tempo.

            - Obrigada - falei, talvez um pouco mais fervorosamente, a julgar pelo olhar surpreso no rosto dele.
            - Nessa. Isso era parte do nosso acordo. Eu vou cuidar das suas questões financeiras durante esse período. É o mínimo que eu posso fazer. Você não precisa me agradecer.
            - É que... eu fiquei preocupada por tanto tempo, pensando como eu ia quitar as dívidas. E agora passou. Eu não preciso mais me preocupar.
            - É isso mesmo - ele falou, sorrindo. - Sem mais preocupações.

Ainda não sei por que eu achei uma boa ideia inclinar-me e beijá-lo. Acredito que deveria ter sido apenas um beijinho de amigos, ou que no fundo da minha mente eu pensava que alguém estaria espiando pela janela. Ou pode ser que eu simplesmente não consegui controlar-me.
Por um momento, ele ficou parado; surpreso, eu acho, com minha iniciativa. Mas a hesitação durou apenas por uma fração de segundos antes de sentir a mão dele em minha nuca, puxando-me agressivamente, e a única reação apropriada parecia ser deixar meus lábios abrirem-se contra os dele. Ele aceitou imediatamente o convite, sua língua deslizando pela minha boca e explorando o território, e senti um arrepio de puro êxtase descer pela minha espinha. Em alguns instantes, entreguei-me completamente, esquecendo onde eu estava e o que fazia aqui. Meu coração palpitava. Precisava dele mais do que já havia precisado de qualquer coisa. Inclinei-me em sua direção, intensificando ainda mais o beijo. Quando paramos para recuperar o fôlego, esperava que ele dissesse algo, que contestasse, mesmo sem muita convicção, mas seus olhos estavam escuros e ferozes e decididos. Não havia mais nada em seu rosto além de puro desejo. Derreti-me.
Ele persuadiu-me a deitar no tapete com o movimento de seu corpo, esticando-se sobre o meu, até que estivesse sobre mim. Eu podia senti algo tenso e duro feito pedra em seu jeans. Ai, meu Deus. Isso vai mesmo acontecer. Estava ficando louca de excitação e nem conseguia acreditar no que estava acontecendo. Até hoje não sei o que deu em mim para olhá-lo diretamente nos olhos e dizer, com uma voz ofegante.
           
            - Obrigada. - Seu olhar me preocupou. Ele afastou-se, com uma expressão como se estivesse com nojo. De mim? Dele? Eu não sabia. E não tinha certeza se queria saber. Sentei-me rapidamente. - Qual é o problema? - sentia-me furiosa. Estava tão perto de ter o que eu queria e ele arrancou isso de mim. Por quê? O que eu tinha feito? Ele balançou a cabeça, olhando para o chão.
            - Isso não é uma boa ideia - respondeu, categoricamente. Bem, é óbvio que não era.
            - Você não parecia se importar alguns minutos atrás - falei, começando a sentir-me desesperada.
            - Eu perdi a cabeça por um segundo - explicou. - Sinto muito. Sinto muito mesmo. Mas a gente não pode fazer isso.

Estava triste e imóvel, sentada no chão enquanto ele juntava suas coisas. Ele planejava levar o primeiro carregamento de caixas para o apartamento dele após o almoço, de qualquer forma, mas algo me dizia que ele não voltaria mais hoje.
Depois que ele fechou a porta, meu chuveirinho trabalhou mais do que nunca na vida. Quando minha cabeça estava mais tranquila, estava determinada a não deixar isso acontecer novamente. Se ele ficaria com a consciência pesada só porque eu falei algo bobo, bem, era problema dele. Ele achava mesmo que eu era o tipo de pessoa que faria sexo com alguém somente por gratidão? Ele não conseguiu perceber como eu estava excitada? Como eu o queria muito? Ele foi um idiota por ter ido embora daquele jeito, não importa o quanto aquilo pudesse tornar nosso acordo complicado.
Na manhã seguinte, bem cedo, meu telefone começou a tocar. Esperei um pouco ates de atender.

            - Eu vou chegar aí em meia hora com o caminhão - ele disse, sem me cumprimentar. - Se estiver tudo bem pra você.
            - Claro - respondi, friamente.

A caixa de pizza ainda estava no chão quando fui até a sala. Amassei-a com raiva e enfiei no lixo. Quando abri a porta, ele parecia mesmo um pouco envergonhado.

            - Sobre a noite passada - ele começou, e eu o interrompi, levantando a mão.
            - Não se preocupa - falei. - Eu perdi a linha. Não precisa de explicação.

Ele pareceu aceitar o que eu disse, mas enquanto empacotávamos o resto de meus pertences, podia senti-lo olhando-me cuidadosamente.
Depois que ele me deixou de volta em meu apartamento quase vazio andei em silêncio pelos cômodos, que já não pareciam mais tão familiares assim e então desabei na cama. Era uma das poucas coisas que não precisaria levar comigo, é claro.
Mas se ele pensava que eu dormiria na cama dele depois do que aconteceu ontem, ele estava louco.
Não tinha nem certeza se isso alguma vez tinha sido uma opção. Eu já tinha pensado sobre isso, diversas vezes e muito detalhadamente, mas a não ser que eu quisesse que as coisas acabassem como ontem, obviamente era melhor nunca mais ficarmos tão próximos. Quando atendi a porta, ele nem olhou para mim. Entrou em silêncio, pegou uma caixa, e saiu de novo. Tudo bem. Então é assim que vai ser.
Na última viagem, segui-o até o caminhão da U-Haul e sentei-me no banco do passageiro. Ele olhou para mim rapidamente, mas não disse uma palavra. Imaginei que deveria começar a arrumar as coisas e estabelecer-me assim que chegássemos.
Foi um pouco impactante ver o apartamento com minhas caixas espalhadas por todo o lugar. Não parecia mais um candidato a uma revista de decoração de interiores. Ele deixou a maior parte das coisas no andar principal, mas notei que algumas das caixas estavam lá em cima. Podia chutar o balde agora mesmo.

            - Por que as minhas coisas estão lá em cima? – apontei e ele olhou para mim como se tivesse brotado uma segunda cabeça em mim. - Você não está pensando que eu vou dormir no seu quarto, né?
            - Você leu mesmo o contrato? Você já viu a cama - ele disse subindo as  escadas. - É uma king size. A gente mal vai ter que olhar um pro outro.

Considerei pegar o vaso da mesinha de entrada e jogar na cabeça dele.
Comecei a vasculhar as caixas no andar principal. Minhas coisas pareciam desleixadas e deslocadas. Eu deveria pelo menos colocar tudo num depósito. Não tinha nada que estar aqui. Clipes de papel? Três caixas de clipes de papel? Por que eu tinha isso? E uma dúzia de notas adesivas. O que será que eu estava pensando que era? Uma loja de material de escritório com um funcionário só?
Quando Zac voltou lá para baixo, eu estava sentada com as pernas cruzadas no meio da sala, cercada por jornais amassados. Eu tinha manchas de tinta nas mãos e estava examinando um pacote fechado de marcadores multicoloridos. Ele sentou-se perto de mim e, por um milagre dos milagres, realmente falou comigo.

            - Você tem uma coleção bacana de materiais de escritório aí - comentou. Fiz que sim. - Eu sinto muito, por tudo o que aconteceu ontem.
            - Eu também - menti. Ele pegou uma caneta e tirou a tampa, examinando a ponta como se fosse a coisa mais interessante que ele já havia visto.
            - Eu não queria que as coisas saíssem do controle. Não é um começo muito bom pra nós, né?
            - O nosso relacionamento ainda nem começou, oficialmente.
            - Eu sei. Desculpa por ter ido embora. Eu só achei que ia ser melhor se eu... - ele respirou fundo - Talvez fosse melhor a gente não falar sobre isso. Apenas saiba que eu sinto muito e eu não vou deixar isso acontecer de novo.
            - Claro. Mudando de assunto, o que você acha da gente jogar todas as minhas coisas em uma fogueira gigante?
            - Parece um desperdício de esforço - ele respondeu, sorrindo. - A gente devia ter feito isso antes de ter todo o trabalho de trazer tudo isso pra cá.
            - Antes de você ter todo o trabalho, você quer dizer.
            - Eu fiquei feliz em ajudar - ele disse. - É sério.
            - Tudo bem. - Ele olhou para toda a bagunça mais uma vez.
            - Sabe, se você quiser uma sala de escritório, pode usar um dos quartos de hóspedes.
            - O que eu faria aqui?
            - Não sei. O que você quiser. – ele disse sorrindo.
            - Talvez não um escritório, mas um ateliê. Algum lugar onde eu possa trabalhar na minha arte.
            - Claro - Zac concordou. - O que você quiser.

Tive que sorrir para ele. Ainda estava um pouco irritada com todo o incidente pós-pizza, mas ele estava sendo terrivelmente bonzinho. Claro, era do interesse dele manter-me feliz. Eu tinha que me lembrar disso.
Não deixe as coisas ficarem muito pessoais. Bem, isso já estava indo longe demais.
Suspirei, colocando todos os meus materiais de escritório de volta nas caixas.

            - Então isso pode ficar no quarto vazio, eu acho. Eu não sei o que fazer com o resto dessa porcaria.
            - Bom, você não precisa decidir isso agora - disse Zac - Quando a gente voltar da nossa lua de mel você vai ter o tempo que for preciso para arrumar suas coisas.
            - É, acho melhor eu focar apenas nas roupas agora. É isso que está lá em cima? - questionei.
            - A maioria é - ele respondeu. - Vamos dar uma olhada.

Passamos as próximas horas organizando minhas roupas. Ele até ajudou-me a decidir do que me livrar e com o que ficar, prometendo que eu poderia comprar coisas novas pela internet assim que tivéssemos terminado, para poder chegar a tempo da nossa lua de mel. Ele nem mesmo levantou a sobrancelha ao ver quantas roupas esfarrapadas e esburacadas eu ainda tinha, coisas que comprei antes da faculdade, o tipo de coisa que a esposa de um bilionário nunca deveria ser vista usando. É, preciso mesmo fazer compras.
Ele fez-me sentar no sofá com seu laptop e deu-me seu cartão de crédito.


            - Divirta-se - ele brincou, piscando para mim. - Não tem limite de crédito.

3 comentários:

  1. Ai meu Deus eu acho que o Zac esta com medo de se apaixonar pela Vane. Bjoss posta mais amore sua fic ta ótima.

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  2. Amando essa fic! cada vez mais apaixonada!
    que mancada do Zac.. kkk
    posta logo
    bjos

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  3. ahhhhh nao acredito que ele entendeu tudo errado!!! eles tem que se acertar logo!!!! kkkkk, bjs posta mais

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