quarta-feira, 14 de outubro de 2015

CAPÍTULO 16

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A manhã do casamento surgiu quente e clara, acordei cedo demais e não consegui voltar a dormir. As únicas coisas que havia deixado em meu apartamento eram algumas roupas e outros artigos básicos, a maioria dos quais eu já havia colocado na mala para a misteriosa lua de mel. Eu queria que ele apenas me dissesse para onde iríamos. Todo esse segredo fazia parecer quase que... Romântico.
No dia do meu casamento não tinha mais nada para fazer, a não ser sentar e pensar. Sentia um frio na barriga. Fiz uma xícara de chá de menta e sentei-me ao lado da janela, olhando as calçadas vazias enchendo-se lentamente de pessoas. Eu tinha um horário no salão de beleza em algumas horas, onde encontraria a Brittany. Ela ficará ao lado de Zac como sua madrinha de casamento. Eu não teria nenhuma. Não teria nem mesmo meu pai, para entrar comigo pelo corredor. Mas tudo bem. Eu entraria sozinha mesmo. Tinha dois milhões de dólares esperando por mim no final.
Eu precisava parar de deixar-me envolver por um sentimentalismo estúpido e sem sentido. Era um casamento de mentira, pelo amor de Deus. Não havia absolutamente nenhuma razão para ficar emotiva por causa dele. Para início de conversa, está claro que os casamentos são uma farsa. A taxa exorbitante de divórcio comprovava isso. Eu só estava ajudando Zac a tirar vantagem de uma brecha muito conveniente nas leis de imigração dos Estados Unidos, que permitiam casais ficarem juntos, se estivessem dispostos a assinar um pedaço de papel. Era simples assim. As pessoas faziam isso o tempo todo.
Fui até o salão de cabeça em pé. Se eu parecesse distante, as pessoas simplesmente pensariam ser por causa do nervoso. Brittany conversou comigo o tempo todo enquanto eu estava fazendo o cabelo. Eu concordava e sorria, mas não ouvia uma palavra do que ela falava. Nada disso significava coisa alguma. Nada disso importava.
Andando pelo arco de mármore da galeria de arte, fiquei novamente impressionada com aquele lugar de tirar o fôlego. Eles haviam providenciado bancos estilo de igreja e um tapete longo e vermelho para eu passar. Vaguei sem rumo pela galeria até Brittany ir atrás de mim, insistindo que era hora de colocar o vestido. Eu havia perdido completamente a noção da hora. Percebi que não tinha visto Zac o dia todo e comentei isso com ela.

            - Não se preocupa - ela disse. - Ele está vindo.

Como se ele não fosse vir.
Fui mantida isolada, mas Brittany não parava de oferecer-me coisas. Quer água? Champanhe? Comida? Suco? Mais comida? Eu odiava ficar dizendo não a ela, mas eu realmente sentia que se comesse alguma coisa poderia vomitar.
Quando ouvi que já tinha começado a tocar música, meu estômago de fato embrulhou. Brittany veio correndo.

            - Temos cerca de dez minutos até a hora de entrar. Como você está se sentindo?
            - Enjoada - falei, sinceramente.
            - Tenho que ir pro meu lugar - Brittany falou - Apenas respire fundo. A banda vai trocar a música quando ver você entrando.

Sentei ali sozinha, esperando até que o relógio marcasse a próxima hora e então me levantei e andei até o corredor. Meus sapatos faziam barulho pelo chão de mármore enquanto eu me aproximava do tapete e todos se viraram para olhar. Eu estava agarrando meu buquê como um escudo. Forcei-me a olhar direto para frente, na direção do oficiante que estava atrás do púlpito, focando apenas em colocar um pé em frente ao outro. Não ousei olhar para Zac. Não ousei. Mas olhei.
Ele encontrou meu olhar e sorriu de forma um pouco hesitante, mas sua intenção era obviamente encorajar-me a seguir em frente. Brittany estava radiante ao seu lado.
Forcei um sorriso quando cheguei à frente do salão. Zac pegou minhas mãos e segurou-as gentilmente enquanto o oficiante falava. Felizmente, não faríamos votos complicados. Eu só precisava dizer “sim” quando fosse a hora. Tinha certeza de que conseguiria fazer isso.
           
            - na saúde e na doença... Até que a morte os separe?

Droga, eu não estava prestando atenção. Com qual de nós dois ele estava falando? Esperei um segundo. Zac estava olhando-me esperançosamente. Era comigo, então. Tudo bem.

            - Sim - falei num impulso.
            - Pode beijar a noiva.

Eu mal senti quanto os lábios dele encostaram-se aos. Demos as mãos e corremos, enquanto punhados de pétalas de flores jogadas pelos convidados caíam sobre nós, foi muito bonito. Zac puxou-me para o lado, na direção do quarto onde me vesti, e fechou a porta.
Não sei por que eu estava esperando que ele me segurasse pelos ombros e jogasse-me na parede, beijando-me apaixonadamente e dizendo o quanto ele me queria. Eu sabia que isso não aconteceria.
Em vez disso, ele puxou uma cadeira e sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos.

            - Bom, sobrevivemos a isso tudo- comentei.
            - É - ele disse, aborrecido. - Mas ainda tem a recepção.
            - Com comes e bebes - lembrei-o. - Vamos ver pelo lado bom, né? - Ele soltou uma gargalhada.    - Acho que eu não conseguiria comer agora mesmo se eu tentasse.
            - É, nem eu - admiti. -E... então? Você acha que a gente deve ir embora e deixar todo mundo pensando que queríamos começar a lua de mel mais cedo?
            - Eles já estão pensando isso. Todos me viram arrastando você para cá. Deixa eles pensarem isso mesmo. Eu só preciso de um minuto pra esfriar a cabeça.
            - Só um minuto? - sorri. - Acho que você deve esperar um pouco mais do que isso, pra manter as aparências. - Ele lançou-me um olhar fulminante. - Desculpa, desculpa, - sussurrei. - Eu estava apenas tentando deixar a situação mais leve.

No final, acabamos indo à recepção. Meu estômago tinha se acalmado um pouco, então comi alguns mini sanduíches e bebi uma boa quantidade de champanhe. Ri e conversei com todos que eu conhecia e com alguns que eu não conhecia. Reconheci várias pessoas do escritório, mas Zac de alguma forma havia conseguido lotar o lugar todo e enquanto eu andava pelo salão, descobri que as pessoas eram de todos os tempos e lugares imagináveis – contatos de negócios, ex-contadores, até mesmo um de seus professores da faculdade. Zac certamente era melhor em manter contato com as pessoas do que eu. Ou era isso, ou as pessoas estavam muito mais dispostas a largar tudo e correr para o casamento de um bilionário que eles conheciam do que para o de alguma garota de quem mal se lembravam.
Enquanto a noite passava e os convidados já começavam a segurar os bocejos, mudei para um vestido mais casual, um esportivo preto que pedi depois que Zac me deu seu cartão, e deixei minhas malas prontas. John estava nos esperando lá fora para levar-nos ao aeroporto, provavelmente.
Zac estava com um humor melhor ao sentarmos no banco de trás do carro de luxo, enquanto os convidados gritavam seus desejos de felicidades para nós. Ele até sorriu quando coloquei a mão em sua nuca e puxei-o para um beijo. Pelas aparências, claro.
Após pouco tempo de estrada, era óbvio que estávamos mesmo a caminho do aeroporto. Bem, eu logo saberia para onde iríamos. Ele não podia esconder isso para sempre. Tudo o que ele havia me dito até agora era para levar roupas de calor, o que não me ajudou muito a descobrir o lugar.
Então, John passou do lugar onde geralmente fica o embarque e o desembarque, indo para uma rua por trás que dizia “SOMENTE FUNCIONÁRIOS DO AEROPORTO.” Fui avisar, mas Zac balançou a cabeça.

            - Não se preocupa. Eu fiz planos especiais.

A rua era estreita e sinuosa, até que finalmente se abriu direto na pista. Tinha um avião pequeno, mas ainda de tamanho comercial. Um avião fretado. Claro. O filho da mãe é esperto.

            - Acho que não tem nenhuma chance de alguém me dizer onde estamos indo!- falei, enquanto cruzávamos a pista, com John carregando nossas bagagens um pouco atrás de nós. Zac fez que não, sorrindo, enquanto John entregava as bagagens para alguém que estava no pé da escada que nos levava à entrada do avião.
            - Façam uma boa viagem! - exclamou John, acenando.

O interior do avião era extravagante e espaçoso, com assentos de couro branco e todas as comodidades imagináveis. Depois que nos sentamos, uma atendente com cabelo loiro platinado anotou nossos pedidos de bebida e em pouco tempo estávamos acima das nuvens, indo para um destino desconhecido.

            - Você vai me dizer pelo menos quanto tempo o voo vai durar?
            - Tempo o suficiente - ele respondeu - Pode se acomodar.

Ele não estava brincando. Só estive em aviões algumas vezes na vida, mas sempre tinha problemas em conseguir dormir durante o voo. Este avião, porém, era uma situação completamente diferente. Eu podia inclinar a luxuosa poltrona o quanto quisesse. Antes que entendesse o que estava acontecendo, Zac estava chacoalhando-me para que eu acordasse.

            - Já vamos pousar - ele sussurrou, sorrindo.

Quando desembarcamos, o calor foi a primeira coisa que notei. O clima estava denso e úmido. Havia palmeiras à distância.

            - Bem-vindos à Flórida - o capitão disse, quando saímos.
            - Espero que você esteja me levando pra Disney - brinquei com Zac, enquanto entrávamos no táxi.
            - Não - ele disse. - Melhor. Mas primeiro, vamos pro hotel nos acomodar.

Um hotel cinco estrelas, naturalmente. Não sei por que eu esperaria algo diferente. Nós estávamos na suíte de lua de mel, no topo do hotel, então ela era enorme. Senti como se pudesse perder-me dentro da suíte.

            - O que eles acham que a gente vai fazer, hospedar convidados? - pensei em voz alta passando a mão sobre a superfície da mesa polida.
            - Acho que a gente devia ‘batizar’ o quarto - Zac sugeriu com um meio-sorriso. Ele tinha melhorado já estava novamente fazendo piadas sobre fazermos sexo.
             - Não precisa se preocupar. Eles limpam mesmo todas as superfícies – Zac brincou.
            - Não foi isso o que eu li uma vez num e-mail - rebati, enquanto ele desaparecia em um dos incontáveis cômodos.

Tomei um ótimo banho no luxuoso banheiro, que tinha mais pressão no chuveiro do que todos os outros hotéis que eu já tinha ido, juntos. E nem cheirava a chulé. Era assim que os ricos viviam?
Depois do banho, fui ao encontro de Zac na sala de estar. Ele estava mudando os canais na enorme televisão de tela plana.

            - Algo de bom passando?
            - Existe algo de bom na tevê? - ele respondeu. - Vamos. A gente tem um encontro com alguém que você vai querer conhecer.

Pegamos outro táxi e fizemos uma curta corrida. Quando estávamos perto do que aparentemente era nosso destino, vi um enorme prédio branco à distância. Era quase tão largo quanto alto. Achei que parecia vagamente familiar, mas como estávamos indo por trás dele, eu não conseguia ver qualquer placa ou marca de identificação. Então, finalmente, algo apareceu. Uma enorme bandeira americana. E, do outro lado, a logomarca da NASA.

            - Você não está mesmo me levando pra lua, né? - perguntei, com os olhos fixos.
            - Infelizmente, isso ainda não é possível - ele respondeu. - Nem mesmo pra mim. Mas eu consegui o mais próximo disso que eu pude pra você.

Enquanto o carro parava perto de uma porta na lateral do prédio, vi uma mulher sair. Ela veio andando decidida em direção ao carro. Depois que eu saí, ela apertou minha mão.

            - Oi. Você deve ser a Nessa. Meu nome é Sam, eu sou astronauta.
            - Que... Que legal - falei, quase sem voz. Ela sorriu.
            - Alguns anos atrás, eu fui a primeira mulher a pisar na lua. Ouvi dizer que você é uma grande fã da lua.
            - Eu não diria isso, mas acho... Acho que eu sempre quis ir até lá. Parece tão legal.
            - É muito legal - ela disse, sorrindo. - Se eu pudesse levar você até lá de verdade, eu levaria. Mas já que eu não posso, eu vou te dar a melhor coisa depois disso. Pelos próximos três dias, vou passar pra vocês uma simulação do treinamento de astronautas. Tudo o que vocês fariam se fossem mesmo pra lua. No final, a gente vai fazer uma simulação de pouso e caminhada pela lua. É uma nova atração, ainda não aberta ao público, mas quando o Zac escreveu dizendo o quanto ele queria te dar a você as férias dos seus sonhos, a gente não conseguiu resistir à oportunidade. Queríamos que você fosse a primeira a experimentar. Está animada? - ela perguntou, parecendo ela mesma bastante animada.
            - Estou sim - respondi. - Não era mesmo isso o que eu esperava.  
            - Isso é algo bom, certo? - indagou Sam. - As coisas inesperadas sempre são mais divertidas.
            - Ah, com certeza. - Olhei para o Zac. Ele estava radiante.

Entramos, então, devagar. Eu precisava digerir tudo. Isso era a última coisa que eu esperava que ele se lembraria do que eu disse sobre querer ir para a lua, e que ele faria uma tentativa de realizar meu impossível sonho de infância. Será que ele pensou muito sobre isso? Quanto tempo será que ele gastou? Eu sabia que o dinheiro não era nada para ele. Ele poderia ter me dado qualquer presente extravagante do mundo, quaisquer férias multimilionárias comuns. Mas isso era algo a mais. Esse era o tipo de presente que você dá para alguém que realmente gosta.
Sam informou que o treinamento só começaria amanhã. Hoje, iríamos apenas visitar o hall da fama dos astronautas, observando todas as peças, as velhas roupas espaciais, os modelos, as fotografias. Enquanto isso, Sam contou-nos sobre suas experiências pessoais.

            -Quando eu ouvi que eles iam fazer outro pouso tripulado na lua, fui uma das primeiras a colocar meu nome. Uma mulher nunca tinha andado na lua antes. Eu não consegui resistir à oportunidade. Claro, uma ou outra mulher astronauta teve a mesma ideia. Mas de todos os nomes, eles escolheram o meu. Eu nunca vou esquecer como eu me senti ao colocar os pés naquela rocha. Algumas pessoas me disseram que eu era louca só por importar-me com isso, apenas um pedregulho flutuando no espaço, não tinha nada de especial. Eu não consigo explicar porque eu queria ir, mas foi a experiência mais incrível da minha vida. Ver a Terra daquele jeito. As estrelas. Estar no espaço. Foi um sonho realizado. Mas chega de falar sobre mim! Vamos. Vou mostrar o resto das instalações pra vocês. Tem coisas surpreendentes que não são mostradas nas visitas regulares, mas eu vou ficar feliz em levar vocês até lá.


A cada passo, eu sentia como se estivesse sonhando. Que tipo de falso marido teria todo esse trabalho? Havia uma resposta, no fundo da minha mente. Não, não, não. Ele afastou-a. Ele não quer que você se apegue. Ele não tem sentimentos por você; ele apenas quer que você fique feliz para não tentar sair do acordo. Passamos pelas áreas turísticas, e logo a Sam estava levando-nos por portas que diziam “SOMENTE PESSOAL AUTORIZADO.” Segurei o fôlego quando paramos para ver os painéis de instrumentos e as salas de controle, enquanto a Sam tagarelava sobre coisas que faziam pouco sentido para mim.

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Aeeeeee!
O grande dia chegou!!!
E essa Lua de Mel? Será que rola ou não?
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3 comentários:

  1. Ah estou amando a história! Não vejo a hora do próximo capítulo..
    Você escreve super bem, parabéns!
    Beijos

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  2. Aahhh postaa mais logooo e urgentes. Espero que este casamento seja consumado. Bjosss já estou ansiosa por mais um capitulo

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  3. OMG
    Os capítulos ficaram incríveis.
    Espero que role algo mais nessa lua de mel.
    O Zac foi um fofo.
    Amei o capítulo.
    Estou ansiosa para saber o que vai acontecer no próximo.
    Posta loguinho
    Bjos

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