sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CAPÍTULO 18

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            - Você está aproveitando isso um pouco demais, não acha? - Que raios ele queria dizer com isso?
            - Você está aproveitando também - falei. - não está?
            - Ficar por cima - ele disse. - Literalmente e figurativamente. - Parei de me mexer.
            - Tudo bem - falei. - Você... você quer mudar de posição? Ou o quê?

De repente, ele pegou meu quadril e nos virou. Gritei um pouco. Quando estava em cima de mim, ele pegou meus pulsos e segurou-os acima da minha cabeça, como ele tinha feito quando nos beijamos a noite passada. Fiquei toda derretida. Por mais divertido que tivesse sido sentir como se eu estivesse controlando-o, desse jeito era melhor.

            - Agora sim - ele murmurou, entre beijos. - Essa é a Nessa que eu conheço.
            - Não sei do que você está falando - respondi ofegante, enquanto ele metia bem fundo em mim, lançando um forte golpe de prazer que subia pela minha espinha.
            - Não sabe? - Ele sorriu. -Da primeira vez que eu te vi, pensei que você fosse o tipo de garota que desejava ansiosamente que um homem aparecesse na sua vida pra mandar em você. Na cama, eu quero dizer.
            - Acha? - Certamente eu não ia discutir com ele, contanto que me fizesse sentir dessa forma.
            - Claro que sim - ele disse. - Eu vi como você reagiu agora há pouco. Eu senti. Você não pode esconder o jeito como o seu corpo reage ao meu, Nessa.

Gemi, entrelaçando bem forte minhas pernas ao seu redor. Eu nem mesmo me importava com as coisas ridículas que ele estava falando. Ele preenchia-me tão perfeitamente, como se nossos corpos tivessem sido habilmente moldados juntos.

            - Fale o meu nome - ele sussurrou, com os olhos fixados nos meus. Eles estavam tão escuros.
            - Zac - murmurei. Ele fez que não. Apesar de toda sua pose, ele estava começando a perder um pouco o fôlego.
            - Não esse - ele disse. - O que você costumava me chamar antes. Quando eu era seu chefe.
            - Sr. Efron - falei de um jeito manhoso. - Oh... Sr. Efron...

Surpreendentemente foi muito bom chamá-lo assim depois de todo esse tempo, de toda essa intimidade forçada. Era dessa forma que eu ainda pensava nele, algumas vezes quando eu o olhava e lembrava, ele era meu chefe. Pelo amor de Deus, ele era meu chefe, um homem que era basicamente um estranho, com quem concordei casar. Um homem que ainda era um estranho de muitas formas, mesmo quando estava dentro de mim em nossa lua de mel.

            - Sr. Efron - sussurrei. Ele estava sorrindo. Uma onda de prazer percorreu meu peito.
            - Está quase? - ele entoou, a centímetros da minha orelha. Fiz que sim. – Não. Não até eu dizer que você pode. - Encarei-o.
            - Eu não consigo... Não consigo segurar.
            - É claro que consegue. - Ele fez uma pausa em seus movimentos. - É simples. Se você estiver muito perto, me fala pra parar que eu paro.
            - Mas eu não quero que você pare - choraminguei, sentindo-me indefesa. Por que ele estava fazendo joguinhos comigo?
            - Eu também não quero parar - ele respondeu. - Mas mais do que isso, eu quero que você tenha o controle do seu corpo. Não vai ser difícil, se você se lembrar do que eu te ensinei. Respire. Esteja presente.
            - Tudo bem.

Já me sentia frustrada, mas isso obviamente era algo que o excitava. Eu tentaria entrar no jogo. Respirei fundo e concentrei-me. Percebi que ao concentrar-me, eu poderia mesmo controlar minhas reações mais do que eu sabia. Eu poderia não entender por que ele queria fazer isso, mas era interessante saber que eu conseguia. Comecei a relaxar.Foi então que ele deslizou a mão para baixo. Estremeci enquanto ele acariciava-me com seus dedos.

            - Então acho que eu já posso agora? - questionei, tremendo.
            - Não - ele respondeu sorridente. Mas eu podia ver que ele estava começando a perder sua perfeita compostura. - Não até eu dizer que você pode.
            - Não é justo! - Sentia-me como se estivesse a alguns segundos de perder o controle.
            - Eu nunca disse que ia facilitar as coisas pra você.
            - Eu não entendo por que você está fazendo isso - falei, ofegante.
            - Por que não? - Suor estava começando a escorrer pelas laterais de seu rosto. Notei um músculo em sua mandíbula contorcendo-se, e percebi que ele estava, na verdade, atrasando seu próprio prazer para poder atrasar o meu. Era como se estivesse dando um tiro no próprio pé. Que raios ele iria conseguir com isso?
            - Por favor, por favor - ouvi-me dizer. - Por favor, Sr. Efron, por favor...
            - Isso - vagamente o escutei rosnar. - Implore.
            - Por favor, por favor, Sr. Efron, por favor...
            - Agora sim - ele disse, depois de parecer ter passado uns mil anos. - Agora você já pode. Vai. Goza pra mim.

Ouvi alguém gritando roucamente, e percebi depois que era eu mesma. Parecia que o prazer havia me lançado como um furacão, e quando aterrissei novamente ao chão, parecia que eu tinha voado uns cem quilômetros. Estava esgotada e ofegante e Zac tremia sobre mim, e percebi que ele também devia ter terminado.
Ele saiu de cima de mim, igualmente sem fôlego, desmoronando ao meu lado no colchão. Cada terminação nervosa do meu corpo estava tremendo com o restante dos orgasmos múltiplos. Nunca, nem uma vez em minha vida inteira, eu havia me sentido assim. Tudo bem, então talvez agora eu tenha entendido o que ele conseguiu com tudo isso.

            - Obrigado por me satisfazer - ele disse, após alguns momentos de silêncio.
            Rolei para o meu lado da cama e olhei para ele. - Foi tudo só pra isso?
            Ele continuou olhando para o teto. - O que você quer dizer?
            - Quero dizer, não foi só um desejo repentino, foi?
            - Não. Por que, isso te incomoda?
            - De jeito nenhum - falei. - É óbvio que não. - Ele sorriu.
            - Às vezes as pessoas não gostam do que elas realmente gostam - ele disse. - Se é que isso faz algum sentido.
            - Faz sim.

Dormi muito mais facilmente aquela noite, enrolada no abraço de Zac. O próximo dia de treinamento de astronauta prometia ser mais empolgante – simulações de gravidade zero e exercícios de lançamento, tudo o que precisávamos para nos preparar para o “pouso na lua”. Se Sam percebeu que estávamos mais relaxados e felizes perto um do outro, rindo e tocando-nos e trocando olhares mais como um casal de verdade, ela não demonstrou nenhum sinal disso.
Foi muito divertido. Eu nem mesmo fiquei enjoada nos simuladores de movimentos. Poderia jurar que Zac estava se divertindo quase tanto quanto eu, e quando voltamos ao hotel eu tinha quase conseguido esquecer que ele não era meu marido de verdade.
No jantar, o assunto quase não surgiu. Era incomum passarmos uma conversa inteira sem alguém nem mesmo aludir ao nosso acordo, mas ambos parecíamos contentes em ignorá-lo por enquanto. Não tinha certeza se isso era um bom plano, a longo prazo. Na verdade, eu sabia que não era. Mas apenas durante a lua de mel, eu não me importava.
Eu achava que iríamos ficar por uma semana inteira, pelo menos, mas Zac me disse que três dias era o máximo que ele poderia afastar-se do trabalho. Eu não fiquei feliz com a ideia do nosso tempo ser tão curto, especialmente se isso significava que as coisas entre nós mudariam. Mas não havia necessidade de pensar sobre isso agora.
Em vez disso, concentrei-me no que nós tínhamos. Mesmo após poucos dias, acostumei-me a acordar ao lado dele, vê-lo enquanto seus olhos ainda estavam desfocados e seu cabelo desarrumado.
Sempre achei ridiculamente cafona quando as pessoas falavam como alguém poderia ficar mais atraente quando estava grogue e despenteado, mas agora, eu entendia. Não havia nada de intimidador nele quando acordou – tudo, desde seus olhos levemente inchados ao seu sorriso torto e sonolento, era completamente acessível e eu nunca pensei que diria isso sobre um homem como o Sr. Efron.
No último dia, finalmente faria meu “pouso na lua.” Eu estava estranhamente tonta com isso, talvez porque era algo para focar minhas atenções além da realidade do fim da nossa lua de mel. Após a simulação de lançamento e órbita – durante a qual eu admito ter aberto um pacote de salgadinho e tentei pegá-los todos com a boca – era hora.
Eles haviam preparado uma sala inteira para parecer como se fosse a superfície da lua, com paredes e teto salpicados de estrelas, e uma imagem da Terra de um dos lados. As roupas que estávamos usando eram pesadas e desconfortáveis, apesar de certamente não serem tão ruins quanto as de verdade. Resisti à vontade de citar Neil Armstrong quando pisei na superfície rochosa.
Fiquei lá por tempo o bastante para quase me convencer de que era real. Não era, é claro – assim como meu casamento com o homem que estava saltando de volta ao módulo lunar.
Precisávamos pegar um voo cedo na manhã seguinte, mas quando voltamos ao hotel, estava claro que nenhum de nós queria dormir. Começou com um sorriso dele, um gesto com um significado secreto que eu agora entendia. Quando eu percebia, ele já estava mordiscando minha orelha e dizendo me que eu tinha sido uma garota má, o que eu não tinha certeza se era verdade, mas ele falava com um tom de brincadeira e, no final, eu nem me importava.

            - Garotas más levam palmadas - ele disse, e dei um grito de surpresa.

Deitei-me em seu colo, arqueando as costas. Já tive namorados que me deram palmadas de brincadeira, e sempre achei que isso me provocava um arrepio prazeroso. Mas sempre fui muito tímida para pedir mais. Sua mão era quente e forte, e mesmo que estivesse ardendo, os tapas reverberavam dentro de mim, deixando-me toda derretida, fazendo-me estremecer. Eu estava gemendo quando ele me virou e me pegou bem forte e rápido, batendo com a mão na minha boca quando eu gemia muito alto.
Estava quente, rápido e explosivo. Eu pensava que seria tudo por aquela noite, mas um tempinho depois, após pedirmos um lanche do serviço de quarto, ele quis de novo – suave e devagar agora, aproveitando nosso tempo juntos. Quando finalmente fomos dormir, jurei que o céu estava começando a ficar claro.

****
Na manhã seguinte, ele estava muito quieto. Arrumamos as malas devagar, e eu nem me incomodei em tentar puxar conversa com ele. Dormi na maior parte do voo, de novo, e depois de termos pegado o taxi de volta para casa, lembrei-me de que eu não voltaria ao meu apartamento. Nunca mais.
De uma forma estranha, esse pensamento não me incomodou tanto quanto eu pensei que iria.
Por mais que eu quisesse dizer que esses primeiros dias como dona-de-casa e esposa do Zac foram produtivos, passei a maior parte deles andando de um lado para o outro, assistindo a terrível programação matinal da tevê e tentando me familiarizar com o lugar. Tirei algumas coisas das caixas, e pesquisei pela internet os preços de materiais para o ateliê – um cavalete, talvez? Uma nova escrivaninha? Uma bela cadeira? Eu poderia gastar o quanto quisesse, e, de alguma forma, isso era mais intimidador que libertador para mim. No terceiro dia, quando Zac chegou do trabalho, percebi que havia passado as duas últimas horas clicando em um website por um banco de trabalho de quinhentos dólares.
Ele deu-me um beijo comportado na testa quando entrou, como sempre fazia. Nós não fizemos mais amor desde que voltamos para casa, e eu não toquei no assunto.

            - Eu estou com dificuldades pra decidir o que comprar pro meu ateliê - comentei.
            - Compra tudo - ele disse, sorrindo, logo antes de enfiar a cabeça na geladeira.
            - Acho que aí a gente pode ter um problema de espaço. - Fui para a cozinha. - Como foi o seu dia?
            - Foi bom - ele respondeu, pegando uma caixa de suco de laranja. - Enviei os formulários pro governo hoje, então a gente pode ser chamado pra uma entrevista já nas próximas semanas. Você se lembra do que a gente conversou? - Parecia que já tinha passado um século desde então.
            - Lembro - respondi. - Acho que sim. Talvez seja melhor a gente rever alguns detalhes depois.
            - É claro. - Ele estava servindo-se de um copo de suco. - Eu não estou preocupado. E você também não devia estar. A gente vai se sair bem.
            - Com certeza - concordei. - Mas mesmo assim eu fico nervosa.
            - Bom, tenta não pensar sobre isso agora- ele disse. - Não precisa fazer disso um problema.
            - Por que você tocou no assunto, então?
            - Desculpa - ele falou, com um sorriso amarelo. - Comida grega pro jantar?
            - Claro. - Sentei-me em um banco da mesa de refeições. - Qualquer dia desses vou cozinhar uma comida de verdade pra gente.
            - Por que se incomodar? A gente tem alguns dos melhores restaurantes do país num raio de trinta quilômetros. - Ele fez um gesto de desprezo enquanto pegava o telefone.
            - Bom, pelo menos eu ia ter alguma coisa pra fazer - murmurei. Ele largou o telefone e veio até mim.             - Você pode fazer qualquer coisa que quiser. Você tem o seu carro. Tem o meu cartão de crédito. Faz o que você quiser.
            - Eu não sei o que eu quero.

Era verdade, em mais de um aspecto.
Sabiamente, ele saiu e me deixou sozinha para pensar. Na verdade, eu não queria pensar, mas era melhor do que tentar conversar sobre isso.
Consegui afastar os pensamentos sobre a entrevista, e no dia seguinte comprei um cavalete e uma mesa de luz. Não demorou muito para que eu realmente montasse um ateliê no mais amplo dos quartos vagos. Livramo-nos da cama e da mobília supérflua e o local ficou mais espaçoso do que eu esperava que fosse. Com as cortinas abertas, as janelas até deixavam entrar uma boa quantidade de luz natural.
Voltei a desenhar com carvão. Lentamente, no início, porque já fazia um tempo. Mas logo eu já tinha alguns rascunhos e um desenho muito bom da minha casa de infância. Eu costumava desenhar natureza morta. Nunca gostei do desafio de tentar capturar as nuanças dos rostos das pessoas.
Eu ia para a cama toda noite junto com Zac, mas ele nunca me dava mais que um selinho na boca. Não sabia se eu esperava que isso mudasse, mas acho que valia a pena tentar.
Ele recebeu a ligação do INS algumas semanas depois. Após ter me contado, passei um bom tempo andando de um lado para o outro. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Eu tinha lido tudo que consegui encontrar na internet sobre como sobreviver a uma entrevista para investigar fraudes de casamento. Mas nenhum dos artigos era particularmente encorajador, porque cada um deles me alertava que se meu casamento fosse falso, não tinha absolutamente nenhuma chance de conseguir convencer o INS do contrário. Bem, eles provavelmente diziam isso apenas para fins legais. Era o que eu esperava.
Foi um custo para conseguir marcar um horário que o Zac pudesse sair do trabalho, mas quando finalmente conseguimos, ainda faltava um mês. Não sabia como eu sobreviveria à ansiedade.
Passei mais tempo ainda pesquisando andando de um lado para o outro. Zac pegou seu bloquinho e revisamos tudo de novo, e de novo, e de novo. Ele ficava me dizendo que a coisa mais importante era parecer honesta e não soar como se tudo fosse ensaiado, mas eu tinha certeza absoluta de que cometeria algum erro terrivelmente óbvio e estragaria tudo.

Na manhã da entrevista, escolhi a roupa que mais me deixava com um ar responsável e vomitei duas vezes no banheiro enquanto estava aprontando-me. Durante todo o trajeto, sentia como se todos os órgãos do meu corpo estivessem tentando arrastar-se para fora do meu peito. Coloquei a mão que estava em meu colo no banco, encostando-a à de Zac. Entrelacei seus dedos nos meus e apertei-os com força, e ele apertou de volta.
Ele tinha, pelo menos, um pouco de confiança em mim. Eu só não tinha certeza se era justificável.
Fomos para um prédio indistinto no centro da cidade, que poderia passar por um escritório qualquer. Após uma longa caminhada por diversos corredores, finalmente chegamos ao local da nossa reunião.
A sala de espera era pequena e estava lotada de pessoas. A maioria delas tinha o mesmo olhar distante que eu certamente também exibia. Nenhum de nós queria estar lá. Podia-se praticamente sentir o cheiro do medo. Sentei-me ali, ainda agarrando a mão do Zac, até que seu nome foi chamado.

            - Sr. Efron?

Esqueci que eles conversariam conosco separadamente. É óbvio. Soltei sua mão e curvei-me em meu assento. Essa seria a espera mais demorada da minha vida.
Após um tempo, eu comecei a considerar seriamente que ele poderia nunca mais voltar. Talvez eles já o tivessem prendido, e viriam me buscar em seguida. Claro que nossa história não iria sustentar-se. Por que iria? Fomos estúpidos em pensar que poderíamos enfrentar o sistema. Fiquei sentada completamente triste durante o que pareceram horas. Toda vez que a mulher voltava até a porta e olhava pela sala, eu esticava o pescoço, esperando que seria minha vez. Mas nunca era. Então, finalmente, ouvi meu nome.

            - Srta. Efron. Pode vir comigo por favor.

Segui-a até um minúsculo escritório onde mal havia espaço para duas cadeiras e uma mesa. Sentei-me.

            - Alguém vai vir falar com você em alguns instantes.

Ela desapareceu.
Sentada ali, sozinha, na pequena sala sufocante, só prestava atenção ao som da minha própria respiração. Eu parecia nervosa? Precisava agir normalmente. Precisava lembrar-me de sorrir. A maçaneta girou.
Um homem de meia-idade entrou, com os óculos apoiados sobre o nariz. Ele estava vestido como o ministro Rogers. Sorri corajosamente.

            - Srta. Efron - ele disse. - Obrigado por vir.
            - O prazer é meu - falei, absurdamente.



            - Tudo bem. - Ele abriu uma pasta de documentos em sua mesa. - Podemos começar?

2 comentários:

  1. Ai, Senhor!
    Como será essa entrevista??
    Espero que os dois consigam se sair bem e que eles voltem a agir como um casal normal.
    O capítulo ficou incrível.
    Posta loguinho
    Bjos

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  2. Aaaahh tem que da tudo certo. Bjosss postaa mais flor e espero que o Zac volte a ficar com a Vane estava tão fofo os dois juntos



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