domingo, 18 de outubro de 2015

CAPÍTULO 21

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             - A gente se - ele hesitou por um longo momento. – envolveu, anos atrás. O término foi feio. Nenhum de nós soube conduzir bem o relacionamento, eu acho. Quando ela veio até mim mais tarde procurando um emprego, fiquei na dúvida, é claro, mas eu me sentia mal pelo jeito que tinha tratado ela durante aquela época; como eu poderia rejeitar seu pedido de ajuda? - Ele fechou os olhos ainda tentando processar tudo. Seus olhos se abriram.  – Meu Deus. O French. Eu preciso ir até lá, preciso fazer ele queimar o contrato. Imediatamente.
            - Por favor, não vai matar o cara - falei meio em tom de brincadeira.
            - Você acha que eu quero acrescentar um assassinato à minha lista considerável de crimes? – Ele pegou a jaqueta e as chaves. - Não vá a lugar algum.
            - Por que eu iria?
            - Não sei. Só não vá.

Sozinha com meus pensamentos depois que ele bateu a porta, tentei imaginar que tipo de ressentimento levaria alguém a fazer o que Ashley fez. Eu nem mesmo a contaria entre meus amigos próximos, mas ainda assim estava chocada por ela ter a capacidade de fazer algo desse tipo.
Deitei-me no sofá, olhando para o teto, até que Zac chegou. Ele parecia exausto. Jogou as chaves na mesa e veio até o sofá, desabando próximo aos meus pés.

            - Desculpa por nunca ter te contado - ele se lamentou. - Sobre eu e a Ashley. Eu não achava que tinha importância.
            - Você não tinha como saber - falei.

Eu não estava brava com ele. Por que eu deveria esperar que ele me contasse que já havia namorado com ela? Que diferença fazia? Não era como se estivéssemos em um relacionamento ou qualquer loucura desse tipo. Senti-me meio dopada e vazia por dentro.
Toda a minha vida, eu havia encontrado pequenos obstáculos, coisas pequenas que pareciam muito maiores à época, mas que acabavam sendo resolvidas, de certa forma. Mas isso era diferente. Eu nunca havia me confrontado com um problema que era verdadeiramente maior do que eu.
Isso não era uma conta atrasada ou um carro quebrado. Isso era uma potencial acusação de um crime grave, o que significava cinco anos de prisão. Isso era a minha vida, transformada para sempre. E não do jeito que eu havia concordado em assinar.
Em retrospecto, é claro, parecia loucura eu ter concordado com este acordo. Mesmo sendo cuidadosos como estávamos sendo. Todo o esforço que fizemos, tentando garantir que parecíamos um casal legítimo, tudo o que precisou para colocar isso em risco foi uma imprudente escorregada do advogado dele e de uma ex vingativa. Algo que nenhum de nós poderia prever, de forma alguma.
Fomos para a cama tarde aquela noite, e acho que nenhum de nós conseguiu dormir de verdade.

Passei o dia de forma mecânica, sem prestar muita atenção no que estava fazendo, e Zac voltou mais cedo do trabalho apenas para sentar-se no sofá e olhar para o nada, com uma leve expressão triste no rosto.
As coisas continuaram desse jeito por dias. Nós mal nos falávamos, exceto para ter as mesmas conversas sem parar, como isso pôde ter acontecido, você consegue acreditar, o que aconteceria se...
Zac estava com olheiras, que ficavam mais fundas a cada dia. Tinha certeza que eu não estava muito melhor que isso, mas eu quase não saía de casa, então não importava.
Não conseguia lembrar-me da última vez que havia me sentido tão mal assim. Era o tipo de estresse que te vai corroendo aos poucos. Você não quer nada além de ignorá-lo, mas não consegue.

Numa manhã, após semanas assim, fui buscar a correspondência como sempre fazia. Apesar de tudo, ainda sentia uma mistura de medo e ansiedade cada vez que abria a caixa do correio, não sei o que esperava encontrar. Mas hoje, encontrei algo. Havia um envelope do INS.
Abri-o com as mãos tremendo e minha visão escurecendo enquanto eu lutava para concentrar-me nas palavras.

Caro Sr. Efron,
Seu pedido de residência permanente foi avaliado e aprovado...

Atrapalhei-me com o telefone, mal conseguindo ter a tranquilidade de voltar ao apartamento para ligar em vez de ficar gaguejando sobre o INS e o pedido de residência na frente de Deus e o mundo. Ele atendeu assim que eu fechei a porta.

            - Chegou uma carta - falei de maneira impulsiva - ela diz que aceitaram seu pedido. Isso significa...?
            Ele ficou em silêncio por um momento. - Acho que sim - ele disse. - Acho... acho que sim.
            - Parabéns - falei.
            - Eu vou pra casa mais cedo. Preciso acertar algumas coisas. E eu gostaria de ver a carta.
            - Claro - assenti.
            - Certo. Vejo você em um minuto.

Joguei-me no sofá. Então era isso. Era para isso que tudo tinha sido feito. Por que será que eu sentia vontade de abrir um buraco na porcaria da parede com um soco?
Quando Zac entrou pela porta, não me disse uma palavra, nem mesmo largou a maleta do laptop e o casaco. Ele apenas foi direto até mim com a mão estendida, e eu entreguei a carta obedientemente.
Seus olhos examinaram-na toda, rapidamente, de cima a baixo e então mais uma vez.

            - Que bom - ele disse, colocando-a sobre a mesa.
            - Que bom - concordei.

Ele finalmente levantou a alça da maleta por cima da cabeça, colocou-a no chão e tirou o casaco.
Sentou-se perto de mim e olhou para suas mãos por um momento.

            - Eu estive consultando algumas pessoas - ele afirmou. - A minha nova advogada, escolhida muito cuidadosamente, eu prometo. Acho que ela não vai ter uma queda pela Ashley como o French teve. E falei com algumas outras pessoas lá de dentro que estão torcendo por mim. Todos concordaram que já passamos pelo pior agora. Não vão ter mais entrevistas ou visitas surpresas. A decisão já foi tomada, o arquivo já foi fechado. Então, de verdade, não tem motivo pra gente continuar fazendo isso.
            - O quê? – o encarei.
            - Eu sei o que diz o contrato. - Ele finalmente olhou nos meus olhos. Eu não conseguia muito bem interpretar sua expressão. - Mais seis meses. Mas eu estou disposto a quebrar o acordo, se você estiver. Eu posso arrumar o seu dinheiro até amanhã. - Apertei os dedos bem forte no meu colo.
            - Eu acho que isso é um pouco prematuro. Prometo parar de jogar coisas na sua cabeça. - Ele riu.
            - Independente disso - ele falou. - Eu acho que vai ser melhor pra nós dois. Você não acha?
            - Eu sempre pensei que... Eu acho que eu só pensei que a gente ia manter os termos do acordo.
            - Eu também. Mas você não prefere ir pra casa?
            - Eu não sei o que você quer que eu diga.
            - Desculpa - ele falou, após um momento de hesitação. - Eu pensei que essa ia ser uma decisão fácil pra você. Caso contrário, eu não teria nem tocado no assunto.
            - Eu só não acho que seja uma boa ideia presumir que a gente já passou pelo pior. Você acha?
            - Por favor, não me entenda mal - ele disse - Mas eu realmente acho que vai ser melhor se a gente não tiver mais que se ver. - Minha garganta estava muito seca.
            - Melhor pra quem? - questionei.

Ele não respondeu, apenas levantou-se e saiu, subiu as escadas em direção ao quarto e fechou a porta. Parecia que nossa briga não havia terminado.
Ele tinha razão. Eu precisava lembrar-me disso, forçadamente, porque parecia que eu havia levado um soco no estômago. Estávamos nos envolvendo de uma forma que simplesmente não era benéfica. A proximidade nos havia feito acreditar que estávamos se não apaixonados, pelo menos algo próximo disso.
Sentada ali sozinha no sofá, lembrei-me de uma aula de psicologia que tive na faculdade, que fiz só porque parecia o jeito mais fácil de cumprir a exigência de ciências. O professor havia andado por toda a sala pedindo para cada dizer o lugar onde haviam encontrado sua última paixão, um coro de escola, trabalho, escola, trabalho, escola, escola, e trabalho seguiu-se. O professor explicou que as pessoas sentiam-se mais afeiçoadas e emocionalmente envolvidas com pessoas de quem são próximas.
Não namoramos colegas de classe e de trabalho somente porque é conveniente, mas porque estamos literalmente próximos a eles.
Eu tinha sido tão, tão estúpida em pensar que eu poderia viver com um homem que fosse como Zac e não ficar loucamente apaixonada por ele em poucos meses. Não importa o que eu “soubesse,” as partes mais profundas do meu cérebro, as que eu não conseguia controlar, sussurrariam palavras doces até que eu me perdesse em sentimentos que não faziam nenhum sentido lógico.
Um homem como Zac não tinha tempo para alguém como eu. Ele deixou isso completamente claro.
Consegui sair do sofá e arrastar-me até meu ateliê, no quarto extra. Dobrei meu cavalete e empacotei todos os meus carvões e gizes, deixando tudo pronto para eu me mudar para... Para onde eu iria?
Durante esse tempo todo, imaginava-me voltando para meu antigo apartamento. Mas é claro, não era mais o “meu apartamento”. Outra pessoa morava lá agora. Não esperava confrontar-me com essa questão tão cedo, e agora estava completamente perdida. Para que lugar desse mundo eu iria? E eu precisava considerar isso literalmente. Com dois milhões de dólares, eu poderia ir para qualquer lugar que eu quisesse e começar uma vida completamente nova.
Zac havia deixado a maleta do seu laptop na sala de estar, então peguei o computador e comecei a pesquisar. Após alguns minutos, sem perceber, peguei-me pesquisando apartamentos que ficavam a dez minutos de distância. Não gostava muito desta cidade, mas pelo menos era familiar. A familiaridade tinha suas vantagens.
Quando Zac finalmente saiu do quarto, eu meio que esperava que ele tivesse encaixotado todas as minhas roupas. Ele não havia feito isso, claro. Imaginei se ele esperava que eu fizesse. O que me fazia lembrar que eu precisaria de algumas caixas.
Enquanto ele estava em frente à geladeira aberta, olhando como se esperasse que os alimentos tivessem surgido ali nas últimas horas, ouvi o telefone tocar em seu bolso. Fiz o maior esforço para fingir que eu não estava ouvindo, mas é claro que estava.

            - Brittany - ele disse, virando-se para me olhar. - Oi. - Fiquei prestando atenção. - Você vem pra cá esse fim de semana? Que ótima notícia. Só você? - Observei seu rosto cuidadosamente, mas ele não entregava quase nada. - É claro que você pode ficar aqui - ele continuou. - A Nessa pode tirar o material de arte do quarto grande... Não, não, não se preocupa, não tem problema.

Após terem terminado seus planos e se despedido, levantei-me e fui até a cozinha. Zac colocou o telefone de volta no bolso.

            - Bom - ele disse. - Acho melhor a gente adiar as coisas até que ela tenha ido embora, pelo menos.
            - Está vendo? - indaguei. - É disso que eu estou falando. - Ele deu de ombros.
            - Se você já tivesse se mudado, eu ia falar pra ela que você tinha ido pra uma conferência de arte. -Ele pegou uma cerveja da geladeira. - Isso existe, né?
            - Com todas as minhas roupas e pertences pessoais? - contestei.
            - Ia falar que aqui está sendo dedetizado, então ela não ia poder vir.
            - Claro, não tem jeito de ela desconfiar.

            - A gente pode falar sobre isso depois que ela for embora - ele disse, significativamente, abrindo a cerveja e jogando a tampinha no lixo. Pelo seu tom de voz, ficou claro que ele não estava aberto a negociações. Bem. Veremos.

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Parabéns para o nosso Príncipe!
Que ele continua nos trazendo cada vez mais felicidades.
E que Deus o ilumine e o proteja dos males do mundo afora ♥
FELIZ ANIVERSÁRIO ZAC EFRON!!!


3 comentários:

  1. Aaah o zac tem que assumir logo que ele esta apaixonado pela Vane e tirar essa ideia de que ela tem que ir embora. Bjoss postaa maiss.

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  2. Ai, Senhor.
    Mais essa agora, Efron??
    Pelo amor, quando eu pensei que as coisas fossem se ajeitar.
    Espero que essa visita da Brittany sirva para aproximá-los de uma vez.
    Ansiosa pelo próximo.
    Happy Bday, Zac.
    Bjos

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  3. Ufa consegui ler tudo e te alcançar!!! Desculpe não ter comentado os capítulos anteriores, minha vida estava um loucura!!! Mas estou de volta!!
    Amei cada capítulo, só nao acredito que o Zac está agindo assim... Será que ele não sente nada pela Nessa!? Ta quase expulsando a pobre coitada da casa dele agora q já conseguiu o que queria...
    Ainda bem q a Brittany vai fazer uma visita assim ele teve que adiar essa ideia de se afastar da Nessa!
    Espero que essa semana q a Brittany vá passar com eles sirva pra alguma coisa!!
    Ansiosa pro próximo capítulo...
    Beijoes

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